Arquivo mensal: Março 2024

Wire – “The A List”

pop rock >> quarta-feira >> 02.06.1993


Wire
The A List
CD Mute, distri. Edisom



Aqui está uma maneira prática e original de organizar uma colectânea: pedir a um grupo de amigos (a lista consta na capa, não vá alguém pensar que foi simulação…) que escolhesse e pontuasse de 1 a 16 valores as melhores 16 canções do grupo. Depois foi só somar os parciais e ordenar a selecção final. Ganhou “Ahead”, com 465 pontos, seguida de “Kidney bingos” com 389, e “A serious of snakes”, com 366. A capa fornece a lista total das 82 canções, incluindo, claro, as 16 “melhores”, com as indicações das respectivas proveniências. Ideia engraçada que serve para recordar alguns bons momentos de uma banda que cobriu de betão a música pop e que soube explorar, por vias paralelas dos seus membros, a faceta mais experimental da sua música. Pena é que o júri se tenha lembrado apenas dos álbuns mais recentes, deixando de lado aquele que fica talvez como o melhor álbum de sempre dos Wire, “154”. Número esquecido neste jogo de números. (6)

Popol Vuh – “Nosferatu”

pop rock >> quarta-feira >> 02.06.1993


Popol Vuh
Nosferatu
CD Mantra, import. Lojas Valentim de Carvalho



Em plena viagem do “Kosmische Rock” alemão empreendida nos anos 70, a música dos Popol Vuh, através das visões orientalistas do seu líder e teclista Florian Fricke, optou pela serenidade de um piano acústico e pela contemplação de uma flor de lótus, em vez dos impulsos electrónicos dos sintetizadores e das guitarras transformados em máquinas de transe. Florian Fricke foi, curiosamente, um dos músuicos introdutores do sintetizador Moog na Alemanha, nos dois primeiros álbuns, “Affenstunde” e “In den Garten Pharaos”. A partir daí, o piano reservou para si o direito exclusivo das orações – até hoje e ao cabo de mais de trinta álbuns, a maior parte dos quais, infelizmente, não resistiu à passagem do tempo. O cineasta alemão Werner Herzog fez dos Popol Vuh compositores oficiais das suas bandas sonoras, de que este “Nosferatu”, subintitulado “On the Way to Little Way”, é exemplo. Predomina a veia mântrica do grupo, presente na combinação “sitar”-tampura-tablas, intercalada por texturas electrónicas reminiscentes das primeiras obras atrás referidas, culminando em coros de “mellotron” e no rock com mensagem mística, rezada alto pela guitarra de Danny Fiechelcher. Mas, como acontece em muitos álbuns dos Vuh, sobressai uma sensação de algo incompleto, como se à música faltasse qualquer coisa. Neste caso, talvez o filme. (6)

La Musgana – “Lubican”

pop rock >> quarta-feira >> 02.06.1993
FOLK


La Musgana
Lubican
CD Lady Alicia, distri. Etnia



Terceiro álbum desta banda castelhana que já nos havia impressionado com o anterior “El Paso de la Estantigua”. Fazendo incidir o seu reportório na região da Meseta e em particular na província de Zamora (uma das excepções é um “passedoble mirandês), os La Musgana enriqueceram a sonoridade que agora, mais do que nunca, se verifica nas harmonizações da gaita de foles (com predomínio da gaita “charra”) com a sanfona, a par dos violinos, acordeão, cistre, alaúde, clarinete, dulçaina e instrumentos árabes como a bandurra e o bendir. Poderão alguns achar desnecessário o empurrão dado pelo baixo eléctrico, mas o mais certo é mesmo esses deixarem-se levar pelo balanço irresistível desta música que, ainda por cima, conta com as vocalizações inconfundíveis do convidado Manuel Luna. (8)