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Wire – “The A List”

pop rock >> quarta-feira >> 02.06.1993


Wire
The A List
CD Mute, distri. Edisom



Aqui está uma maneira prática e original de organizar uma colectânea: pedir a um grupo de amigos (a lista consta na capa, não vá alguém pensar que foi simulação…) que escolhesse e pontuasse de 1 a 16 valores as melhores 16 canções do grupo. Depois foi só somar os parciais e ordenar a selecção final. Ganhou “Ahead”, com 465 pontos, seguida de “Kidney bingos” com 389, e “A serious of snakes”, com 366. A capa fornece a lista total das 82 canções, incluindo, claro, as 16 “melhores”, com as indicações das respectivas proveniências. Ideia engraçada que serve para recordar alguns bons momentos de uma banda que cobriu de betão a música pop e que soube explorar, por vias paralelas dos seus membros, a faceta mais experimental da sua música. Pena é que o júri se tenha lembrado apenas dos álbuns mais recentes, deixando de lado aquele que fica talvez como o melhor álbum de sempre dos Wire, “154”. Número esquecido neste jogo de números. (6)

WIR – “The First Letter”

Pop-Rock Quarta-Feira, 06.11.1991


WIR
The First Letter
LP / CD, Mute, distri. Edisom



Perderam a última letra (o título refere-se à primeira…) pelo caminho, mas não o espírito de aventura que desde sempre lhes tem permitido manterem-se à margem de qualquer futilidade. Sucessor do minimalismo maquinal de “The Drill”, o novo álbum consegue de novo esse milagre de equilíbrio entre a veia experimentalista de Gilbert e Lewis e a intuição melódica de Newman, num lote de canções que acaba por o seu melhor de sempre. Passado o tom espartano dos primeiros discos, de que resultou o inesquecível “154”, cada um dos membros dos Wire ensaiou experimentalismos obscuros nos projectos Dome, He Said (este menos) ou Duet Emmo, que finalmente serviram para enriquecer a música do grupo original. Testemunho desse enriquecimento, a nova colectânea de temas, entre a reminiscência dos Kraftwerk e a obliquidade das melodias, atinge o auge de ambiguidade em “So and slow it grows” (um potencial “hit” aqui editado em duas versões), que alia o tom vagamente sinistro das palavras a um balanço irresistível. (8)