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Steve Fisk – “Pigeonhed”

pop rock >> quarta-feira, 06.10.1993


Steve Fisk
Pigeonhed
Sub Pop, import. Contraverso



“448 Deathless Days”, deste mesmo músico norte-americano – que costuma acamaradar com os Negativland -, é um espanto, e uma lição na arte da samplagem. “Pigeonhed”, recorrendo a processos idênticos, serve-se deles para diferentes fins. Música de dança, talvez, à beira do abismo, para “raves” do fim dos tempos, algures entre os Negativland e o psicadelismo espectral dos Primal Scream, com James Brown a fazer sinais do inferno. O álbum começa em tom de colagem agreste, segue a bater um pé de dança e prossegue disparando rajadas de cinismo e de ruído contra a canção pop, para logo se fingir amiga íntima da “soul” de cor clara, como quem quer levá-la consigo para a cova. Lá mais para o fim a estranheza instala-se longe de quaisquer referências, em sobreposição de vozes estilhaçadas e outras cacofonias sampladas. Vale a pena ler o texto impresso sobre o compacto, onde se refere que o CD foi gravado com as “most advanced electronic Techniques”, para nas últimas linhas se aconselhar o auditor a usar agulhas de qualidade, de preferência em diamante, para uma melhor reprodução musical… É assim “Pigeonhed”: um recital de pistas falsas e falsas partidas. (7)

Steve Fisk & Robert Beerman / Cut-Out – “Interlude With The Fun Machine”

(público >> y >> pop/rock >> crítica de discos)
14 Novembro 2003


STEVE FISK & ROBERT BEERMAN
Cut-Out, Interlude with the Fun Machine
Starlight Furniture Co., distri. Sabotage
7|10



Autor de um dos clássicos da pop alternativa dos anos 80, “448 Deathless Days”, Steve Fisk regressou há dois anos com novo trabalho inspirado na numerologia, “999 Levels of Undo”. Desses dias sem morte para cá, a música de Fisk, membro dos Pigeonhead e Pell Mell, produtor dos Screaming Trees, Nirvana, Beat Happening, Low e Soul Coughing, entrou em normalização. Só que “normal” é ainda sinónimo de margens do “mainstream”. “Cut-Out” vai ao encontro dos parâmetros do pós-rock de bandas como Tortoise ou Tarwater com tendência para o exagero na repetição e fragmentação dos “grooves”. Porém, o que em “448…” era colagem inteligente de eletrónica com lugares-comuns de géneros como a “soul” ou o “disco”, derivou para uma linguagem cuja originalidade ficou substancialmente reduzida. Entre assomos de drum & bass e pisadelas tecno, esta “máquina de diversão” consegue, ainda assim, surpreender, seja com o falso bloqueio de um leitor de CD avariado (“Under the lamp”), seja com a música de câmara digital de “Fin”. A vida está difícil para excêntricos como Fisk, por mais que procurem métodos de “não fazer”.

Steve Fisk & Robert Beerman – “Cut-Out, Interlude With The Fun Machine”

14.11.2003
Steve Fisk & Robert Beerman
Cut-Out, Interlude With The Fun Machine
Starlight Furniture Co., distri. Sabotage

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Autor de um dos clássicos da pop alternativa dos anos 80, “448 Deathless Days”, Steve Fisk regressou há dois anos com novo trabalho inspirado na numerologia, “999 Levels of Undo”. Desses dias sem morte para cá, a música de Fisk, membro dos Pidgeonhead e Pell Mell, produtor dos Screaming Trees, Nirvana, Beat Happening, Low e Soul Coughing, entrou em normalização. Só que “normal” é ainda sinónimo de margens do “mainstream”. “Cut-Out” vai ao encontro dos parâmetros do pós-rock de bandas como Tortoise ou Tarwater com tendência para o exagero na repetição e fragmentação dos “grooves”. Porém, o que em “448…” era colagem inteligente de electrónica com lugares-comuns de géneros como a “soul” ou o “disco”, derivou para uma linguagem cuja originalidade ficou substancialmente reduzida. Entre assomos de drum & bass e pisadelas tecno, esta “máquina de diversão” consegue, ainda assim, surpreender, seja com o falso bloqueio de um leitor de CD avariado (“Under the Lamp”), seja com a música de câmara digital de “Fin”. A vida está difícil para excêntricos como Fisk, por mais que procurem métodos de “não fazer”.