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Vários (filhos de músicos portugueses) – “Voar No Natal” (entrevista | reportagem)

pop rock >> quarta-feira >> 20.12.1995


VOAR NO NATAL



Os discos. As estrelas. Os grandes êxitos e os grandes “flops”. As “bocas”. A dança do mercado. O universo da música portuguesa e os seus principais protagonistas, os músicos. Sempre na boca do mundo e nas páginas do Pop Rock. Este Natal, porém, quisemos ser diferentes. Aproximámos um pouco mais a objectiva. Pedimos licença aos pais, assim como que um empurrão delicado – saiam lá da frente -, e demos a palavra aos filhos. Eles não se fizeram rogados. A Inês, o Pedro, o Vasco, o Benjamim, o Vicente e a Joana, de idades compreendidas entre os sete e os 13 anos, filhos de pais famosos, falaram da música que gostam e da que não gostam. Da música dos pais e dos pais dos outros. Das prendas “impossíveis” que gostariam de receber neste Natal. Todos detestam a música “pimba” e juram a pés juntos que nunca dançaram “O bicho”.



A Inês gostaria de poder voar. O Vasco acompanha as digressões do pai e adora “as miúdas”. O Vicente já vai no terceiro ano de Piano e declara-se “viciado” nos jogos de computador. O Benjamim quer é dar uns chutos na bola e, quando calha, umas pancadas na bateria que o pai tem tem lá em casa. Às vezes implica na escola com a Joana, por causa do pai. Se pudesse ser, gostaria de estar sempre a viajar e, já agora, que o Sporting fosse campeão. O Pedro delicia-se a ouvir o pai tocar piano com o Pedro Burmester, mas quando for crescido quer ser biólogo. A propósito de pais, querem mesmo saber os seus nomes? Então, a Inês e o Pedro são filhos do Mário Laginha. O Vasco é filho de Kalu, baterista dos Xutos & Pontapés. O Vicente é filho do Jorge Palma. O Benjamim é filho de Carlos Guerreiro dos Gaiteiros de Lisboa. A Joana é filha de Rui Veloso.
Quem sai aos seus não degenera? Filho de peixe sabe nadar? De pequenino é que se torce o pepino? Bah! Eles é que sabem as linhas com que se cosem.

“Divirto-me, Passeio Sozinho, Vejo As Míudas!”



O Vicente tem 12 anos e frequenta o 7º ano. Anda no 3º ano docurso de Piano do conservatório. Gostava de ser músico, como o pai, Jorge Palma. Dos discos do pai, cuja música acha “óptima”, prefere o álbum “Só”, em particular a canção “Estrela do mar”. Costuma sintonizar a Rádio Cidade para ouvir os Queen e Bom Jovi. Música clássica? Faz uma careta. “Não costumo ouvir.” Dos portugueses conhece “imensa coisa” mas não gosta da maior parte, porque “são só aqueles parvalhões tipo Marco Paulo”. Já os Ena Pá 2000 merecem-lhe outro tipo de comentário: “São directos”, com “músicas agitadas”, como “aquela da Marilu” (risos). “Está bem feita.” (N.R.: Neste ponto, outro dos convidados, o Vasco, mostra conhecer a letra de cor e entoa alguns versos da canção, os quais, por não se adequarem à linha editorial desde sempre seguida por este jornal, nos dispensamos de publicar.) Neste Natal, a prenda sonhada é uma Sega Saturn, uma consola de jogos, “a melhor do mundo”. “Há colegas meus que dizem que sou um viciado em jogos de computador e eu respondo-lhes que é verdade.”



O Vasco, 10 nos, 5º ano, além dos Ena Pá 2000, também aprecia os Despe e Siga e os Xutos & Pontapés, grupo do qual o seu pai, Kalu, é o baterista. Dos estrangeiros prefere os Metallica. Coisas violentas, como as que o pai “costuma ouvir”. Encolhe os ombros. “Que remédio.” “Eu gosto, mas há umas mais pesadas de que já não gosto tanto.” Desforra-se a escutar uma canção lenta da recente colectânea “Espanta-Espíritos”, “Rocha negra”. Ou os Madredeus. Dos Xutos, conhece quase todas as canções “de cor”. Acompanha o pai nas digressões sempre que pode. “Divirto-me, passeio sozinho, vejo as miúdas.” As miúdas são mais velhas, mas “sempre se aproveita alguma coisa” (risos). A namorada da escola não se chateia. Por enquanto. Nos ensaios, já segue as pisadas do pai. Quando pode, dá uns toques na bateria. Músicas que ele próprio inventa. Quanto à prenda de Natal, não faz a coisa por menos: “Ter um harém de raparigas!” Mais a sério, já tem um presente garantido: “Na minha escola vai haver um estágio de uma semana, vamos dormir lá e divertir-nos. O Oceano e o João Vieira Pinto vão treinar-nos.” Um jogo “FIFA 96” para a Megadrive também não caía mal no sapatinho.



O Pedro, 9 anos, 5º ano, é claro que também gosta da música do pai, o pianista Mário Laginha. “Costumo ouvir um disco que diz’Mário Laginha e Pedro Burmester’.2 Embora se sinta atraído pelo piano, tenciona ser biólogo. “Gosto de animais.” Não tem nenhum em casa, porque a mãe não quer que “andem a sujar a casa toda”. Gosta dos discos de jazz que o pai ouve em casa, mas, se lhe derem a escolher, prefere Sting. Concorda com o Vicente e franze o sobrolho quando ouve falar de Marco Paulo. “É um piroso” [alguém canta em ar de troça “eu tenho dois amores”]. E “O bicho”? “Uuhhh”, vaia colectiva, “é um nojo”, “os pais é que gostam e depois ensinam os filhos a fazer aquilo.” Iran Costa não é definitivamente um dos heróis desta garotada. Como o Vasco, ficaria feliz em receber no sapatinho uma Sega Saturn acompanhada do jogo “Virtual Fighter” – “Já vem com a Sega”, informa, entendido, o Vasco. Ou “carros telecomandados”. Já teve um, mas como estava estragado, usou o motor “para fazer um barco a motor”.



A Inês, sete anos, 2º ano, é irmã do Pedro e a mais nova do grupo. À semelhança dos seus companheiros, gosta de música. “Às vezes ouço o Sting e a Onda Choc.” Acha a música do pai um bocadinho esquisita. Já se sentou ao piano e gostou. “Temos dois pianos lá em casa, um do meu pai e outro meu e do meu irmão.” Sabe tocar nas teclas “A Suzana vai à quinta” e outra da qual não me recorda o nome mas consegue entoar as notas. “É a minha mãe, que já foi professora de piano, que me ensina. “Costuma ver os desenhos animados da televisão. “Um dia o meu pai chegou de uma viagem e deu-me um saco com montes de filmes do Pateta, da Minnie, do Mickey.” Já viu o “Pocahontas”, para si, “melhor que ‘O Rei Leão’”. Se fosse possível, neste Natal, gostava de voar. “Quando os meus pais fossem de carro à casa do irmão, eu chegava lá muito mais depressa.”



“Não gosto de música tradicional portuguesa.” A afirmação, lapidar, pertence ao Benjamim, 11 anos, 6º ano, filho de Carlos Guerreiro, dos Gaiteiros de Lisboa. “Não gosto de ranchos folclóricos!” Mas então e o grupo do pai? “Ah, isso já gosto! Os outros juntam muita coisa.” A sanfona? “O ravanastrão! Já lhe peguei, aquilo é difícl de tocar.” Em matéria de gostos musicais, Benjamim não é excepção e cita os nomes dos Xutos, GNR e Rui Veloso, embora tenha outra paixão: “Gosto de jogar À bola.” Joga futebol na escola. É benfiquista. O Benfica anda um bocado por baixo. “É a crise!”. [“O benfica vai à falência!”, comenta ao lado a Joana, sportinguista ferrenha}. Vai ao estádio da Luz, não com o pai, que “não liga a essas coisas”, mas “com um senhor do café”. Neste Natal, gostava de “receber uma bateria”. Ou então um “salão de jogos”.



Joana, 13 anos, 8º ano, é a mais velha. Admira a música do pai, Rui Veloso, e gosta do seu último álbum, “Lado Lunar”. “Desse e do ‘Mingos e os Samurais’. Os Xutos e os Despe e Siga voltam a ser nomeados, desta vez ao lado da Ala dos Namorados. “Os Ena Pá 2000 é que não!” o contrário da filha, o pai aprecia o grupo liderado por Manuel João. “Tem os discos todos em casa!” Na escola, por vezes surgem problemas. “É uma seca! Estão sempre a chatear, ainda por cima no outro dia o meu pai foi cantar o hino [a anteceder o recente Portugal – Irlanda em futebol] e toda a gente gozou comigo.” Mas não se chateia muito. “Estou-me nas tintas.” O facto de ser filha de um artista famoso também tem as suas vantagens. “Até acho que é melhor, tenho possibilidade de conhecer pessoas que não conheceria se o meu pai não fosse quem é.” Quando as aulas o permitem, acompanha o pai nas suas deslocações. Sabe sempre distinguir quando ele toca bem ou quando toca mal. “Digo-lhe isso, mas ele não se chateia, até gosta, tem vezes em que me dá razão, outras não.” Acha que “a música portuguesa é maltratada em Portugal. Nas rádios que passam música portuguesa é só música pimba”. Antena 3, Rádio Comercial FM e RFM são as suas estações preferidas. A prenda ideal para este Natal era “viajar muito”. Ou então que “o Sporting fosse campeão”.

José Peixoto – “BENJAMIM, DE MANHÃ AO DEITAR” (entrevista)

pop rock >> quarta-feira >> 29.11.1995


BENJAMIM, DE MANHÃ AO DEITAR

Benjamim é uma criança de seis anos, igual a tantas outras da sua idade. Embora curta, já tem uma história para contar. José Peixoto, “El Fad”, como era conhecido antes de se tornar guitarrista nos Madredeus, teve a ideia de fazer um disco “adulto” para crianças, “Bom Dia, Benjamim”.




Com a ajuda de músicos como Maria João, José Mário Branco, José Salgueiro, Paulo Curado, Nuno Artur Silva e João Paulo Martins e artistas plásticos como Cristina Sampaio e Vasco Colombo, nasceu um disco, um livro e um desenho animado que contam um dia na vida de Benjamim. José Peixoto contou ao PÚBLICO a história deste projecto.
PÚBLICO – Como é que nasceu a ideia de “Bom Dia Benjamim”?
JOSÉ PEIXOTO – A ideia não é nova nem original. A diferença está em que não é um disco infantil para crianças, mas sim um disco adulto dirigido a um público infantil. Surgiu a partir do momento em que comecei a ter esse problema em casa. Tenho uma filha de nove anos, não sabia que música é que havia disponível para ela. Há música clássica, que pode suprir uma série de problemas, mas música específica para crianças…
P. – A ideia foi só sua?
R. – Nasceu de uma prenda de anos que eu dei à minha filha quando ela fez seis anos. Fiz-lhe uma canção, a “Canção de embalar”, que vem no fim do disco. Percebi que poderia estar ali a génese de algo mais. Juntei uma equipa com as pessoas que julguei serem as certas. Primeiro falei com o Paulo Curado e o Nuno Artur Silva. Arquitectámos a ideia que a partir daí se foi deenvolvendo.
P. – O que é que a sua filha costuma ouvir?
R. – Habituou-se a adormecer com a Antena 2. Ouve também Bach, essencialmente.
P. – Digamos que a maioria dos miúdos de hoje não ouve esse tipo de música…
R. – Pois não. Mas isso é outro problema. É muito fácil para o imaginário de uma criança que vê os filmes do Walt Disney, das fadas, princípes e princesas agarrar, por exemplo, num “Concerto Brandeburguês”, de Bach, dotado de personagens e transformado numa história.
P. – Então não ouvem “heavy metal” nem a música dos tops?
R. – É o que lhes põem à frente. É um bombardeamento diário. Há música a mais, se calhar, sem grandes critérios. As pessoas sujeitam-se a isso passivamente. Agora se nós quisermos intervir…
P. – Há portanto uma forte componente didáctica neste projecto?
R. – Sim, claro. Daí eu ter falado numa música adulta. Às vezes parte-se do princípio de que, se o público é infantil, então tudo é infantil. Música onfantil, ideias infantis…
P. – A cantora Maria João não parece, desde logo, uma escolha óbvia?
R. – É uma mãe jovem, o que lhe garante o complemento afectivo necessário para uma pessoa se envolver num projecto deste tipo.
P. – Joasé Mário Branco, autor dos arranjos e director musical, também não é propriamente sinónimo de acessibilidade imediata…
R. – É um pai mais velho e um avô recente. E uma pessoa capaz de dominar uma linguagem musical específica, neste caso que não fosse simplória. Tem a mestria de tornar as coisas simples com uma linguagem elaborada.
P. – Como é que se compõe música para crianças?
R. – Parti da relação com a minha filha. Ou seja, da minha experiência enquanto pai, e de outras pessoas que acho que têm uma óptima relação com os filhos. Não é necessário, nesta relação, ser também criança, ter aquela tendência para falar à bebé.
P. – Na criança existe pureza no acto de ouvir, enquanto o adulto o faz já com uma carga cultural em cima…
R. – Pois, mas também quando falamos com uma criança fazemo-lo com essa carga toda. Temos é que tomar o nosso discurso transparente e simples, o mais inteligível possível. Falar com ela “à bebé” não leva a lado nenhum. Nem a criança aprende nem é estimulada para outros universos mais evoluídos. Quando falo num disco adulto, é nessa base.
P. – Qual é a história de Benjamim?
R. – Não há um enredo. São doze situações na vida de uma criança à volta dos cinco, seis anos. O disco conta o seu dia, desde que se levanta até ir para a cama, passando pela escola, a família, os amigos, as brincadeiras, a relação com o tempo, até com a morte, no episódio de um animal de estimação que morre. Cada situação é introduzida por um pequeno diálogo falado. As canções propriamente ditas são sempre na perspectiva do Benjamim.
P. – Atendendo à tal massificação de que se falou há pouco, haverá disponibilidade do público infantil para ouvir uma história desse tipo?
R. – Espero que as nossas crianças, com a idade de cinco, seis anos, não estejam já tão condicionadas que não consigam ouvir uma coisa destas de uma maneira saudável. Vejo a audição de um disco destes, naquela perspectiva dos pais que o ouvem com os filhos, lhes explicam o livro. Pode ser o lado mais positivo e bonito disto.
P. – Como é o livro? Faço a pergunta à Crsitina Sampaio, autora das ilustrações.
CRISTINA SAMPAIO – É um livro grande, muito maior que o tamanho do CD. Tem grandes ilustrações, uma por canção, com as respectivas letras nas páginas pares.
P. – Sei que existe também um desenho animado. Uma concessão à tendência das crianças para consumir imagens?
C.S. – Não, tem apenas intenções promocionais.
J.P. – Mas há outros projectos que estão a ser pensados. Pode ser que se faça uma série de televisão à volta das canções.
C.S. – Os desenhos foram feitos no computador, que uso como se fosse um lápis. Há várias versões do Benjamim. Discutimos as suas características psicológicas, se casariam bem com a sua figura, enquanto boneco.
J.P. – É um dos gozos que se podem ter a ouvir o CD, procurar perceber quem é o Benjamim.

Pop Kids – “Pop Jurássico” + Jordi – “Potion Magique” + Jovens Cantores de Lisboa – “Da Ocidental Praia” + Ministars – “‘Ministars É Um Festival'” + Onda Choc – “Ele É O Rei” + Popeline – “Ao Pé De Ti” + Traquinas – “Bebé Mix”

pop rock >> quarta-feira, 22.12.1993


DISCOS PARA CRIANÇAS

NATALDINO

Pop Kids
Pop Jurássico
Ed. Vidisco



A promoção é peremptória: Os Pop Kids são “seis divertidos e afinados amigos que nos trazem o disco que todos gostavam de ter feito”. Não temos dúvidas que sim. Os outros são todos uns sensaborões que se apunhalam uns aos outros pelas costas e que só nos trazem discos que gostaríamos de não ter feito. A ideia dos dinossauros é original. A referência ao Jurássico também. Mas é um disco “bem feito”, “muito bem tocado” e “muito bem cantado”. Situações do quotidiano dos adolescentes portugueses são retratadas e adaptadas à temática dinossáurica, num álbum conceptual com temas originais que se afasta dos tradicionais enchidos de versões da concorrência. Em vez de se deixarem levar pela onda de versões adapatadas (a propósito, será que os jovens aos quais se dirige este tipo de produto não preferem antes ouvir os originais?), os Pop Kids, e quem os produziu, Nuno Rodrigues e António Pinho, optaram por trabalhar e, pelo menos em termos de forma e apresentação, em ser diferentes. A minha filha – que é sempre um bom barómetro para a avaliação destes discos natalícios – gosta imenso. Um viva para a família Rex e para o seu pai tirano, o sauro, que resolveu despir o casaco. (7)

Jordi
Potion Magique
Versailles, distri. Sony Music



Jordy é um puto francês que canta em francês e, num tema, em inglês, canções de Natal e outras, para os putos portugueses que não vão perceber patavina. Também não perdem nada. É tudo cheio de estrelinhas e “confetti”, um fio de voz irritante e, no apêndice da capa, um boletim de inscrição para quem quiser ser sócio do Fan Club Jordy. Vale a pena, ó putalhada, já que em troca recebem um cartão de membro com um código secreto, uma fotografia de Jordy, uma prenda de boas-vindas e um disco inédito. Só benesses. O que é que se pode querer mais para se passar um bom Natal? (3)

Jovens Cantores de Lisboa
Da Ocidental Praia
Ed. Sony Music



A promoção é peremptória: “Da Ocidental Praia” (não se especifica quel. Ofir? Póvoa de Varzim? Adraga? Praia Grande? Porto Covo?) é “uma homenagem à música portuguesa, incluindo exclusivamente temas de autores nacionais”. Não temos dúvidas que sim. Os outros são todos uns estrangeirados. Desses temas apenas quatro são tocados na íntegra: “O pastor”, dos Madredeus, “Vinho do Porto”, de Carlos Paião, “Conquistador”, dos Da Vinci, e “Sons da Terra”, de Ana Faria. Boa escolha. Sobretudo os três últimos são canções de antologia da moderna música portuguesa. Infelizmente os outros são despachados à molhada em sete “rapsódias temáticas” que integram desde “belos temas tradicionais, cuja autoria se perdeu na memória do tempo” (ah, o que não teriam feito juntos Giacometti e os Jovens Cantores…), a “graciosas cantigas da primeira metade deste século”. Há temas “com letras invulgares”, outros “sobre a música”, outros ainda “bons velhos temas dos anos 30 e 40”. Os Jovens Cantores de Lisboa têm muita “frescura”, “vigor” e “alegria”. O que é que se pode querer mais? (6)

Ministars
“Ministars É Um Festival”
Ed. Edisom



A promoção é peremptória: “A Rita, que tem 14 anos, optou por continuar nos Ministars, por amor à camisola, e pouco lhe importa que gozem com ela na escola.” Não temos dúvidas que sim. Os outros são todos Paulos Sousas e Pachecos. Por isso a Rita foi eleita “chefe de naipe”. Os restantes “stars”, Raquel, por alcunha “a carinha laroca”, Bruno, “o reguila”, Pedro, o “caladinho”, Cristina e Catarina, “as manas”, Joana, “a mais atrevida”, Sara, a “estelinha”, Gilberto, “o pepino”, e Michael, “o home alone”, “precisam dela”. Por isso ela ficou.
“É Um Festival”, como o título indica, recupera canções vencedoras ou “bem classificadas” em váriso festivais da Eurovisão, como “O geniozinho do computador”, “Abanar o capacete”, “Prancha de surf” e “Toca o relógio (trim trim)”.
Atentos à fase conturbada que o mundo atravessa, os Ministars aproveitaram para deixar uma mensagem que, por sinal, é também uma das canções. “Tanta guerra no mundo é de mais”. O que é que se pode querer mais? (6)

Onda Choc
Ele É O Rei
Ed. Sony Music



A promoção é peremptória: o grupo Onda Choc é “o verdadeiro campeão de popularidade e de vendas entre o público infantil e juvenil”. Não temso dúvidas que sim. Os outros são todos falsos. Já vão no 14º disco e em cada um deles levam banhos de prata, ouro e platina. À semelhança dos anteriores sucessos dabanda, o novo disco integra versões em português de temas dos anos 60, como “Be my baby”, dos Ronettes, e “I cal your name”, dos Beatles, via Mamas and Papas, cujos títulos em português são bastante fiéis ao espírito dos originais: “Ó mãe, sobe-me a semanada” e “a tua voz”. Mais subjectiva foi a leitura de “Sweet a la la la la long” que passou a ser “Ninguém tapa os ouvidos”. Há ainda “temas que fazem sonhar, como “Namoro”, “Meu primeiro amor”, “Sonhos cor-de-rosa” e “A primeira história de amor”. Além de que a Onda Choc são “expressivos” e “afinados”. O que é que se pode querer mais? (6)

Popeline
Ao Pé De Ti
Ed. Sony Music



A promoção é peremptória: “Ao pé de Ti” destina-se “ao público ‘teenager’”. Não temos dúvidas que sim. Os outros são todos para os velhadas. Os Popline são formados por raparigas de idades compreendidas entre os 12 e os 15 anos que foram selecionadas do Coro dos Jovens Cantores de Lisboa (os mesmos do já clássico “Da Ocidental Praia”). Os nossos “teenagers” passam deste modo a ter à sua disposição novolote de adaptações que decerto farão as suas delícias. Se não é fácil perceber a lógica que levou a transformar “Stupid cupid” em “Estúpido cupido”, já a dificuldade apresentada por “Fernando” foi bem solucionada com “Aqui não há tristeza”. De realçar ainda a “boa prestação das solistas”, bem como “a qualidade conseguida pelo coro”. O que é que se pode querer mais? (4)

Traquinas
Bebé Mix
Ed. Vidisco



A promoção é peremptória: são “as cantigas de ontem, de hoje, de sempre, num feliz ‘mix’ à moda dos graúdos, para os mais miúdos”. Não temos dúvidas que sim. Os outros são todos à moda dos miúdos para os mais graúdos. 2Bebé Mix” traz os mesmos temas infantis do disco do ano passado, “Canções Infantis”, pela Caixa dos Sonhos, agora acrescidos de uma batida disco em quatro longas rapsódias que incluem os clássicos “Atirei o pau ao gato”, “Todos os patinhos sabem bem nadar”, “A caminho de Viseu”, “Fui ao jardim da Celeste”, “Joana come a papa”, “Papagaio louro”, “A minha machadinha” e tantos outros que “nunca foram esquecidos por quem as cantou e, mais tarde, ensinou aos filhos”. A minha filha, que vai fazer cinco anos, foi peremptória: gostou, cantou e dançou. O que é que se pode querer mais? (6)

“AQUI NÃO HÁ TRISTEZAS” MAGALHÃES