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Pop Kids – “Pop Jurássico” + Jordi – “Potion Magique” + Jovens Cantores de Lisboa – “Da Ocidental Praia” + Ministars – “‘Ministars É Um Festival'” + Onda Choc – “Ele É O Rei” + Popeline – “Ao Pé De Ti” + Traquinas – “Bebé Mix”

pop rock >> quarta-feira, 22.12.1993


DISCOS PARA CRIANÇAS

NATALDINO

Pop Kids
Pop Jurássico
Ed. Vidisco



A promoção é peremptória: Os Pop Kids são “seis divertidos e afinados amigos que nos trazem o disco que todos gostavam de ter feito”. Não temos dúvidas que sim. Os outros são todos uns sensaborões que se apunhalam uns aos outros pelas costas e que só nos trazem discos que gostaríamos de não ter feito. A ideia dos dinossauros é original. A referência ao Jurássico também. Mas é um disco “bem feito”, “muito bem tocado” e “muito bem cantado”. Situações do quotidiano dos adolescentes portugueses são retratadas e adaptadas à temática dinossáurica, num álbum conceptual com temas originais que se afasta dos tradicionais enchidos de versões da concorrência. Em vez de se deixarem levar pela onda de versões adapatadas (a propósito, será que os jovens aos quais se dirige este tipo de produto não preferem antes ouvir os originais?), os Pop Kids, e quem os produziu, Nuno Rodrigues e António Pinho, optaram por trabalhar e, pelo menos em termos de forma e apresentação, em ser diferentes. A minha filha – que é sempre um bom barómetro para a avaliação destes discos natalícios – gosta imenso. Um viva para a família Rex e para o seu pai tirano, o sauro, que resolveu despir o casaco. (7)

Jordi
Potion Magique
Versailles, distri. Sony Music



Jordy é um puto francês que canta em francês e, num tema, em inglês, canções de Natal e outras, para os putos portugueses que não vão perceber patavina. Também não perdem nada. É tudo cheio de estrelinhas e “confetti”, um fio de voz irritante e, no apêndice da capa, um boletim de inscrição para quem quiser ser sócio do Fan Club Jordy. Vale a pena, ó putalhada, já que em troca recebem um cartão de membro com um código secreto, uma fotografia de Jordy, uma prenda de boas-vindas e um disco inédito. Só benesses. O que é que se pode querer mais para se passar um bom Natal? (3)

Jovens Cantores de Lisboa
Da Ocidental Praia
Ed. Sony Music



A promoção é peremptória: “Da Ocidental Praia” (não se especifica quel. Ofir? Póvoa de Varzim? Adraga? Praia Grande? Porto Covo?) é “uma homenagem à música portuguesa, incluindo exclusivamente temas de autores nacionais”. Não temos dúvidas que sim. Os outros são todos uns estrangeirados. Desses temas apenas quatro são tocados na íntegra: “O pastor”, dos Madredeus, “Vinho do Porto”, de Carlos Paião, “Conquistador”, dos Da Vinci, e “Sons da Terra”, de Ana Faria. Boa escolha. Sobretudo os três últimos são canções de antologia da moderna música portuguesa. Infelizmente os outros são despachados à molhada em sete “rapsódias temáticas” que integram desde “belos temas tradicionais, cuja autoria se perdeu na memória do tempo” (ah, o que não teriam feito juntos Giacometti e os Jovens Cantores…), a “graciosas cantigas da primeira metade deste século”. Há temas “com letras invulgares”, outros “sobre a música”, outros ainda “bons velhos temas dos anos 30 e 40”. Os Jovens Cantores de Lisboa têm muita “frescura”, “vigor” e “alegria”. O que é que se pode querer mais? (6)

Ministars
“Ministars É Um Festival”
Ed. Edisom



A promoção é peremptória: “A Rita, que tem 14 anos, optou por continuar nos Ministars, por amor à camisola, e pouco lhe importa que gozem com ela na escola.” Não temos dúvidas que sim. Os outros são todos Paulos Sousas e Pachecos. Por isso a Rita foi eleita “chefe de naipe”. Os restantes “stars”, Raquel, por alcunha “a carinha laroca”, Bruno, “o reguila”, Pedro, o “caladinho”, Cristina e Catarina, “as manas”, Joana, “a mais atrevida”, Sara, a “estelinha”, Gilberto, “o pepino”, e Michael, “o home alone”, “precisam dela”. Por isso ela ficou.
“É Um Festival”, como o título indica, recupera canções vencedoras ou “bem classificadas” em váriso festivais da Eurovisão, como “O geniozinho do computador”, “Abanar o capacete”, “Prancha de surf” e “Toca o relógio (trim trim)”.
Atentos à fase conturbada que o mundo atravessa, os Ministars aproveitaram para deixar uma mensagem que, por sinal, é também uma das canções. “Tanta guerra no mundo é de mais”. O que é que se pode querer mais? (6)

Onda Choc
Ele É O Rei
Ed. Sony Music



A promoção é peremptória: o grupo Onda Choc é “o verdadeiro campeão de popularidade e de vendas entre o público infantil e juvenil”. Não temso dúvidas que sim. Os outros são todos falsos. Já vão no 14º disco e em cada um deles levam banhos de prata, ouro e platina. À semelhança dos anteriores sucessos dabanda, o novo disco integra versões em português de temas dos anos 60, como “Be my baby”, dos Ronettes, e “I cal your name”, dos Beatles, via Mamas and Papas, cujos títulos em português são bastante fiéis ao espírito dos originais: “Ó mãe, sobe-me a semanada” e “a tua voz”. Mais subjectiva foi a leitura de “Sweet a la la la la long” que passou a ser “Ninguém tapa os ouvidos”. Há ainda “temas que fazem sonhar, como “Namoro”, “Meu primeiro amor”, “Sonhos cor-de-rosa” e “A primeira história de amor”. Além de que a Onda Choc são “expressivos” e “afinados”. O que é que se pode querer mais? (6)

Popeline
Ao Pé De Ti
Ed. Sony Music



A promoção é peremptória: “Ao pé de Ti” destina-se “ao público ‘teenager’”. Não temos dúvidas que sim. Os outros são todos para os velhadas. Os Popline são formados por raparigas de idades compreendidas entre os 12 e os 15 anos que foram selecionadas do Coro dos Jovens Cantores de Lisboa (os mesmos do já clássico “Da Ocidental Praia”). Os nossos “teenagers” passam deste modo a ter à sua disposição novolote de adaptações que decerto farão as suas delícias. Se não é fácil perceber a lógica que levou a transformar “Stupid cupid” em “Estúpido cupido”, já a dificuldade apresentada por “Fernando” foi bem solucionada com “Aqui não há tristeza”. De realçar ainda a “boa prestação das solistas”, bem como “a qualidade conseguida pelo coro”. O que é que se pode querer mais? (4)

Traquinas
Bebé Mix
Ed. Vidisco



A promoção é peremptória: são “as cantigas de ontem, de hoje, de sempre, num feliz ‘mix’ à moda dos graúdos, para os mais miúdos”. Não temos dúvidas que sim. Os outros são todos à moda dos miúdos para os mais graúdos. 2Bebé Mix” traz os mesmos temas infantis do disco do ano passado, “Canções Infantis”, pela Caixa dos Sonhos, agora acrescidos de uma batida disco em quatro longas rapsódias que incluem os clássicos “Atirei o pau ao gato”, “Todos os patinhos sabem bem nadar”, “A caminho de Viseu”, “Fui ao jardim da Celeste”, “Joana come a papa”, “Papagaio louro”, “A minha machadinha” e tantos outros que “nunca foram esquecidos por quem as cantou e, mais tarde, ensinou aos filhos”. A minha filha, que vai fazer cinco anos, foi peremptória: gostou, cantou e dançou. O que é que se pode querer mais? (6)

“AQUI NÃO HÁ TRISTEZAS” MAGALHÃES

Ministars – “Ministars”

Pop Rock >> Quarta-Feira, 09.12.1992


Ministars
Ministars
LP / MC / CD Edisom



Os Ministars são os decanos das bandas jovens e frescas e o orgulho dos respectivos papás e mamãs. São profissionalões, aparecem na capa de fones na cabeça, a ouvir um “take2 com um arranjo mais ousado, vestem na “boutique” Cenoura. Já gravaram não sei quantos discos e estão sempre em cima da jogada, sabendo escolher para o seu reportório uma mistura equilibrada de temas, que vão da música portuguesa mais recente (“Vida de marinheiro”, dos Sitiados, “Sangue oculto” dos GNR, “Não sou o único” dos Xutos e Pontapés / Resistência) aos dinossauros que, por motivos diferentes, deram que falar nos últimos tempos: Madonna (Madonna num disco para crianças!?), com “This used to be my palyground”, Genesis (I can’t dance”), Elton John / George Michael (Don’t let the sun go down on me”) e Queen (“We are the champions”). Completam uma escolha calculista temas de bandas conotadas com a nova pop – Nirvana, Electronic e James.
Não deixam nada ao acaso estes Ministars e quem os produz. Sabem, na fase de reconversão das canções para português, preenche-las com temas que constituem a rotina do jovem estudante, desde a matéria que deveria estar em dia, aos amores e ao vestuário, passando pela recusa em pertencer ao rol das más companhias. (7)