Arquivo da Categoria: Infantis

Ministars – “Ministars”

Pop Rock >> Quarta-Feira, 09.12.1992


Ministars
Ministars
LP / MC / CD Edisom



Os Ministars são os decanos das bandas jovens e frescas e o orgulho dos respectivos papás e mamãs. São profissionalões, aparecem na capa de fones na cabeça, a ouvir um “take2 com um arranjo mais ousado, vestem na “boutique” Cenoura. Já gravaram não sei quantos discos e estão sempre em cima da jogada, sabendo escolher para o seu reportório uma mistura equilibrada de temas, que vão da música portuguesa mais recente (“Vida de marinheiro”, dos Sitiados, “Sangue oculto” dos GNR, “Não sou o único” dos Xutos e Pontapés / Resistência) aos dinossauros que, por motivos diferentes, deram que falar nos últimos tempos: Madonna (Madonna num disco para crianças!?), com “This used to be my palyground”, Genesis (I can’t dance”), Elton John / George Michael (Don’t let the sun go down on me”) e Queen (“We are the champions”). Completam uma escolha calculista temas de bandas conotadas com a nova pop – Nirvana, Electronic e James.
Não deixam nada ao acaso estes Ministars e quem os produz. Sabem, na fase de reconversão das canções para português, preenche-las com temas que constituem a rotina do jovem estudante, desde a matéria que deveria estar em dia, aos amores e ao vestuário, passando pela recusa em pertencer ao rol das más companhias. (7)

Jovens Cantores de Lisboa e Ana Faria – “Feliz Natal”

Pop Rock >> Quarta-Feira, 09.12.1992


Jovens Cantores de Lisboa e Ana Faria
Feliz Natal
LP / MC / CD Sony Music



Mais de cem elementos compõem actualmente os Jovens Cantores de Lisboa, com idades compreendidas entre os sete e os 25 anos, ou seja, há lá marmanjões com corpinho para trabalhar na estiva. Os Jovens Cantores são uma espécie de aula de canto coral gigante que grava discos e de onde partem extensões com maior potencial de penetração no mercado, chamadas “Onda Choc” e “Popeline”.
Ao contrário destas bandas, o coro dispensou a pop e optou pela música de Natal “a sérieo”, destinada a ser ouvida na consoada, no aconchego familiar. São clássicos como “Natal na neve”, “Maria embala o menino”, “Glória in excelsis deo”, “Aleluia”, “O menino está dormindo”, “Noite de paz” ou “É Natal” que todos os anos, por esta altura, voltam a ser cantados como símbolos de uma quadra cujo espírito tende cada vez mais a perder-se na loucura consumista. Ana Faria encarrega-se dos arranjos. Sem esquecer a preciosa colaboração do Clube Futebol Benfica que terá talvez cedido as camisolas vermelhas do Pai Natal. (6)

Vários – “The Disney Collection – Favourite Songs From Disney”

Pop Rock >> Quarta-Feira, 09.12.1992

INFANTIS


VÁRIOS
The Disney Collection
– Favourite Songs From Disney
3xCD, Pickwick, distri. Megamúsica



Se há filmes em que as fantasias das crianças se confundem com os sonhos dos adultos, eles foram quase todos assinados por Walt Disnet – e, depois da sua morte, pela equipa produtora – em cerca das três dezenas de longas-metragens, das quais se destacam as obras-primas do cinema de animação que são “Pinóquio”, “Bambi”, “Dumbo”, “Peter Pan”, “A Bela Adormecida”, “A Gata Borralheira”, “Branca de Neve”, “A Espada era a Lei” e tantas outras que, ainda hoje, levam à sala escura pais e filhos irmanados no mesmo desejo de evasão. À deriva no fundo do “faz de conta” em que tudo é possível, povoado de príncipes e princesas, bruxas e dragões, bonecos falantes e piratas e fadas que habitam na “terra do nunca”. Muito do fascínio destes filmes vive da música, complemento indispensável para que a magia funcione a cem por cento. Por cá, estamos habituados às dobragens em “brasileiro”, que se por um lado facilitam aos mais novos a compreensão das palavras, por outro traem a força e o encanto das composições originais. Esta colecção de três volumes em formato compacto (podem ser comprados separadamente), que inclui excertos de canções compostas durante um período que vai de 1933 (“Os Três Porquinhos”) a 1989 (“A Pequena Sereia”) e abarca praticamente todos os principais filmes de Disney (além dos citados podem referir-se ainda “O Livro da Selva”, “Mary Poppins”, “O Clube do Rato Mickey”, “A Dama e o Vagabundo”, “Os 101 Dalamatas” e “Os Aristogatos”), sofre dessa virtude e desse defeito. Ou seja, os mais novos não deverão compreender as letras cantadas em inglês, enquanto os mais velhos vão rejubilar com a autenticidade do registo. Uns e outros vão poder associar as canções aos respectivos argumentos, através, por exemplo, da justaposição com os vídeos da série “Clássicos Disney” já disponíveis no mercado. A qualidade sonora varia obviamente entre as gravações mais recentes e as antiguidades arqueológicas. Da ficha de compositores, destaque para as parcerias R. M. Sherman / R. B. Sherman, David-Hoffman/Livingston, Morey/Churchill, responsáveis pelos melhores e mais clássicos momentos desta súmula musical. Do lote de intérpretes, na maioria esquecidos e tragados pela voragem do tempo, salientam-se os nomes de Julie Andrews e Dick Van Dyke, actores/cantores de “Mary Poppins”, e de Peggy Lee, que fez as vocalizações de “A Dama e o Vagabundo”.
“The Disney Collection” afasta-se das vulgaridades que nesta quadra se impingem à miudagem, assumindo-se como um verdadeiro exemplar de colecção. Um mundo de imagens contidas num mundo de sons. Como seria de esperar, não são contempladas as peças clássicas de “Fantasia”, um universo à parte na “Disneylândia” da nossa imaginação. (8)