Arquivo da Categoria: Críticas 2001

T. Rex – Electric Warrior

12.10.2001
T. Rex
Electric Warrior
A&M, distri. Universal
6/10

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Antes de encolher para T. Rex, a banda de Marc Bolan chamava-se Tyranossaurus Rex e era um predador de cançonetas folk psicadélicas, gnomos e unicórnios, mais cândidas que os sonhos maus de Syd Barrett, embebidas no frasco de mitos dos Incredible String Band e animadas pelo tipo de maneirismos vocais de David Bowie. A passagem para T. Rex significou a adopção da electricidade, do glam e do rock ‘n’ roll pastilha elástica, metamorfose que chegou para levar o malogrado Bolan ao panteão das “stars”. “Electric Warrior”, de 1971, agora recuperado na edição remasterizada do seu 30º aniversário, pode comparar-se a uma versão simplista de “Ziggy Stardust”, entre o glam e o boogie futurista, restos da “consciência cósmica” do antigo dinossáurio e a entrada descarada no “mainstream”. O “hit” aqui é “Get in on”, o que não quer dizer nada.

The Residents – Icky Flix

28.09.2001
The Residents
Icky Flix
Euro Ralph, distri. Ananana
8/10

LINK (Disc 1)
LINK (Disc 2)

Demente, belo e hollywoodesco, na sua dimensão de fábula da aliança entre o anjo e a Besta, “Icky Flix”, o mais recente trabalho dos “Fabulous eyeballs” (em CD e na versão integral, de três horas, em DVD) recupera o tom épico de “Not Available”. Um excerto de “The Third Reich ‘n’ Roll”, “Songs for swinging larvae” (adoptada pelos Renaldo and the Loaf) e a “suite” audiovisual “Vileness Fats”, genialmente transformada numa descida aos infernos filmada por um Spielberg zombie, a par dos mais recentes “Bad day on the midway” e “Gingerbread man”, ganham nova acutilância enquanto peças de um vasto jogo cujo alcance está ainda por decifrar. “Just for you (disfigured night, part 7)” segue pela estrada dos tijolos amarelos até ao palácio de um bruxo bem mais terrível que o feiticeiro de Oz. Assombradas pelas vozes de crianças perdidas, solto na vertigem de um carrocel montado pelo diabo, as canções de “Icky Flix”, trazem de novo o perigo para o coração da música pop. Esse mesmo coração que os Residents andam há anos a mastigar.

Tori Amos – Strange Little Girls

21.09.2001
Tori Amos
Strange Little Girls
Atlantic, distri. Warner Music
7/10

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O título é o de uma canção de 1982 dos Stranglers, tidas como uma das bandas mais machistas do planeta. É uma das canções-chave do novo álbum de Tori Amos, reflexão sobre “como os homens dizem as coisas e a forma como as mulheres o entendem”. Doze versões de “canções que ferem e canções que curam”, escritas por homens, sobre mulheres, que Tori Amos reinterpreta na perspectiva de outras tantas personagens retratadas na capa. O que poderia passar por uma concessão a uma tendência em voga é um exercício de introspecção sobre a visão masculina que Tori Amos reformula ao nível da recontextualização dos poemas e da arquitectura formal, originais de Neil Young, Eminem, Depeche Mode, Slayer, Lou Reed, Lennon/McCartney, Bob Geldof e Joe Jackson. Litania do feminino reflectida num espelho difícil de encarar à luz das convenções.