pop rock >> quarta-feira >> 14.09.1994
Edie Brickell
Picture Perfect Morning
Geffen, distri. BMG

“Ghost of a Dog”, o álbum anterior, fazia cócegas e picava na língua. Depois dele, Edie Brickell casou, com Paul Simon, e o resultado, pelo menos neste disco, é uma música mais doméstica, mais dona de casa. O marido produziu o disco e percebe-se que teve todo o cuidado para a mulher não se magoar. As canções de “Picture Perfect Morning”, ao contrário das do disco anterior, que tinham mistério e faziam pensar sempre em algo escondido, tornaram-se previsíveis, com sabor a creme de uns Everything But The Girl. Há uma alternância entre canções rápidas (vulgo “rock”, numa das quais, o título-tema, participa, quem diria, Dr. John, no sintetizador) e canções lentas (vulgo “baladas”) e é nestas últimas que se consegue tirar mais sumo do disco. “Green” desliza como mercúrio e tem tal dose de mistério. Mostra, além disso, que Edi andou a ouvir Kate Bush (ou terá sido Tori Amos?). “Good Times” é um convite à nostalgia e à dança de salão, e em “Olivia” a cantora veste a pele de alguém que muito preza: Suzanne Veja. Daqui não vem mal nenhum ao mundo e “Picture Perfect Morning” ouve-se com agrado enquanto aperitivo para os dias de Outono que se aproximam. Um adeus à ligeireza do Verão em canções que passam como brisa. Amem-se muito! (6)





