Arquivo da Categoria: Críticas 2001

Einstuerzende Neubauten – Strategies Against Architecture III – A Comedy of Errors

19.10.2001
Einstuerzende Neubauten
Strategies Against Architecture III – A Comedy of Errors
2xCD Mute, Zona Música
8/10

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Dados os recentes e catastróficos acontecimentos ocorridos em Nova Iorque, os papas da música industrial não devem estar à vontade com o nome que escolheram para si próprios. Einstuerzende Neubauten significa “edifícios novos em colapso”. Chamar a um disco “Estratégias Contra a Arquitectura” também não ajuda. Apesar de no anterior “Silence is Sexy” o grupo de Blixa Bargeld ter despoletado a carga de dinamite que no passado contribuiu para derrubar alguns dos alicerces da pop, este novo conjunto de “estratégias” sónicas é mais um manual de instruções para o candidato a terrorista musical. Com inéditos, “temas obscuros”, peças compostas para a companhia de bailado La La La Human Steps e versões ao vivo (incluindo o excepcional “Redukt”), cantada em alemão, francês ou simplesmente na linguagem secreta do inconsciente, esta comédia de erros é também uma comédia de horrores e a comédia da arte, onde o ruído, o choque, a canção e a ópera do medo formam o painel assustador do tempo em que vivemos.

Rechenzentrum – The John Peel Session

12.10.2001
Rechenzentrum
The John Peel Session
Kitty-Yo, distri. Symbiose
8/10

LINK (Silence)

Sob o patrocínio do eterno dj John Peel, os Rechenzentrum tiveram a coragem de entrar em ruptura com o Groove a jacto que caracteriza o álbum anterior “Rechenzentrum”, um dos mais inteligentemente dançáveis do ano passado. “The John Peel Session” é uma experiência exploratória para fora desse território. “Vlotho exter” entra nos domínios da música acusmática, “Norden” é uma fantástica aliança de batimentos cardíacos e deflagrações industriais, “Vom boot zum haus” um interlúdio de música e câmara tentada pelo atonalismo, funcionando como separador de “Solaris”, e “Vertikal”, quinze minutos de tecno mutante, para dançar mas também para fugir de uma avalancha de pedregulhos. É que a música dos Rechenzentrum, de líquida passou a rochosa, como se as máquinas tivessem sido voluntariamente contaminadas por um vírus e obrigadas a enfrentar um bloqueio. “The John Peel Session” alinha-se, surpreendentemente, ao lado dos Mouse on Mars mais experimentais.

Fridge – Happiness

12.10.2001
Fridge
Happiness
Domino, distri. Ananana
6/10

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Do pós-rock, versão kraut britânico, de “Ceefax”, os Fridge reforçaram a componente electrónica nos dois álbuns seguintes, os magníficos “Semaphore” e “Eph”. “Happiness” tenta a surpresa, compondo uma imagem mais seca e acústica, ilustrada por títulos descritivos como “Drum machines and glockenspiels”, “Sample and clicks” ou “Drums bass sonics and edit”. A ênfase posta na descrição dos meios técnicos utilizados, aliada à divisão do tempo no tema de abertura, “Melodica and trombone”, remetem para “Four Organs/Phase Patterns”, supra-sumo do minimalismo, com assinatura, ainda nos anos 60, de Steve Reich. Mas o programa diverge no que resta de “Happiness”, um desfile de acordes de guitarra cansada e compassos tirados da sebenta do pós-rock, ocasionalmente cortados por breakbeats marotos ou, em “harmonics”, pedaços da orquestra do Café Pinguim. Não chega para proporcionar a felicidade.