Arquivo da Categoria: Críticas 1991

Vasilisk – “Liberation & Ecstasy”

Pop-Rock Quarta-Feira, 02.10.1991


VASILISK
Liberation & Ecstasy
CD, Musica Maxima Magnetica, import. Ananana



Do Japão surgiram nos últimos tempos algumas das propostas mais interessantes no seio do panorama actual das músicas alternativas. Depois da “descoberta” de grupos como os After Dinner, Wha Há Há ou Guernica pela Recommended Records, chega a vez da ala ritualística emergir, desta feita no selo italiano dirigido por Luciano Dari. Ao contrário de grupos como os Current 93, Lustmord, Hafler Trio, Nocturnal Emissions ou toda a nova geração de seguidores de Lúcifer que recuperam as práticas mágicas ancestrais para as orientar numa polaridade negativa, de acordo com práticas xamânicas e tântricas, visando a obtenção de poder, os Vasilisk mantêm-se fiéis ao telurismo amoral das origens, sem o recurso às técnicas de manipulação sonora e psíquica habituais neste tipo de experiências.
Em “Liberation & Ecstasy” (que inclui novas versões de temas de anteriores trabalhos como “Whirling Dervishes”, “Mkwaju” e “Acqua”) as percussões rituais minimalistas alternam com sons naturais e fragmentos de música tradicional japonesa, na criação de texturas exóticas e de cadências hipnóticas que, nos 15 minutos do longo cerimonial “Whirling Dervishes”, atingem o clímax.
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The Orb – “Adventures Beyond The Ultraworld”

Pop-Rock Quarta-Feira, 18.09.1991


THE ORB
Adventures Beyond The Ultraworld
2xLP / CD, Big Life, distri. Polygram



Alex Patterson é o cérebro alucinado do projecto The Orb, expoente ambíguo da corrente “ambiente house”, aqui em perfeito desvario, numa colagem insana que projecta o ruralismo espacial dos KLF para as pistas de dança. Contando com a colaboração de músicos tão afastados como ex-membros dos Killing Joke e dos Berlin, ou o antigo guitarrista dos Gong, Steve Hillage, “Adventures…” flutua num universo de imponderabilidade, assombrado por fragmentos de música e de história, conceitos aqui despojados de sentido. Títulos como “Supernova at the end of the universe” remetem de imediato para os Pink Floyd (a capa retoma a fotografia de “Animals”), e para planâncias subitamente na ordem do dia: “Star 6 & 789” reinventa a música dos Neu; “A huge ever growing pusating brain, etc..” dir-se-ia uma samplagem, nota a nota, dos sequenciadores dos Tangerine Dream de “Phaedra” e “Rubycon”; “Spanish castles in space” deve tudo a Brian Eno (com o qual Alex, um auditor atento da série “Obscure”, trabalhará num projecto futuro). Arthur Russell e as suas reverberações fantasmáticas, a On-U Sound, os “astro-reggae” tribal, a pop electrónica dos New Musik e o canto gregoriano à maneira dos Enigma são outras peças detectáveis num “puzzle” destibado a povoar os sonhos de astronautas à deriva no espaço. No espaço tudo é permitido. Tudo é ilusão.
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Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #178 – “Plaid, Autechre, Squarepusher”

#178 – “Plaid, Autechre, Squarepusher”

Plaid, Autechre, Squarepusher
Fernando Magalhães
Wed Jun 13 18:57:22 2001

PLAID: “Double Fugure” – Bastante interessante. O termo “funny electronics” deve ser substituído por “no romantismo” ou “hedonismo electrónico”.
Há elementos dos Isan, B. Fleischmann, o costume, mas os Plaid possuem uma vertente pop (perdão, poplítea…) que lhes confere um encanto adicional.
Pena que as ideias se comecem a esgotar mais ou menos a meio do disco (70 min.).
Tivesse o CD metade da duração e mereceria um 8/10 sem reservas… Assim fico-me pelo 7/10.

AUTECHRE: “Confield”. O discos mais frio e sem alma que ouvi nos últimos tempos. Deixou-me indiferente. Cerebral, sem dúvida, construído como um mecanismo de relojoaria, mas prazer de audição, confesso que não tive. Gostei principalmente da faixa 9, aquela que me pareceu animada de alguma vida… 6,5/10

SQUAREPUSHER: “Go Plastic”. Excelente disco de habilidades, puro número de circo. Squarepusher é um tecnicista do d & b e outras modalidades de dance music, mais ou menos abstractas, mas parece faltar ao disco um fundamento, algo de sólido que não se esgote no mero exibicionismo formal. Bom disco para passar em discotecas elitistas )))). 6,5/10