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Intervenções Públicas #1 – FM – DJ # 1 –

Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #156 – “Lista de Krautrock”

#156 – “Lista de Krautrock”

Como estou sem nada para fazer e tenho saudades das listas, aqui vai uma, com as bandas de krautrock dos anos 70 que conheço melhor, acompanhadas de 1-5 asteriscos, consoante a importâncias das mesmas:

ACHIM REICHEL**** – free rock jazz minimalista extremamente original. Por vezes lembram (ou lembra, AR era o guitarrista) uns Can mais aritméticos…
AGITATION FREE**** – freaks, eletrónica, jam sessions cósmicas, influências árabes
AMON DUUL 2***** – acid jams psicadélicas com todo o peso kraut. Baladas schizo. Eletrónica pedrada e guitarras idem, idem
ANNEXUS QUAM*** – eletrónica janada, colagens absurdas. No 2º álbum: Jazz a la Soft Machine dos álbuns “4” e “5”.
ASH RA TEMPEL**** – Não aprecio por aí além mas foram pioneiros do free rock LSD (gravaram com o papa Timothy Leary). Desbundas infinitas. Klaus Schulze a impor alguma ordem nos synths. Já sozinho, como ASHRA, Manuel Gottsching optou por uma linha Schulziana, mas mais “light” e minimalista.
BETWEEN*** – De Peter Michael Hamel que viria a entrar nas fileiras da música contemporânea, fação mística de Terry Riley. Orientalizante e cósmico.
BRAINSTORM*** – jazz rock inspirado nos Soft Machine e em Frank Zappa.
BRAINTICKET**** – uma das bandas mais alucinadas de todo o krautrock. LSD musical em estado puro. “Cottonwoodhill” é uma ilustração sonora de uma “trip”. Uns Can raivosos.
BROSELMASCHINE** – folkrock planante c/ influências inglesas mas um som tipicamente kraut. Parentes “soft” dos Withuser & Westrupp.
CLUSTER***** – Tão importantes como os Kraftwerk no desenvolvimento da nova eletrónica. Descobriram que os synths podiam ser divertidos. Moebius o conceptualista e maquinal + Roedelius o romântico. Prazer + experimentalismo.
CONRAD SCHNITZLER***** – Um dos percursores da música industrial. Obra extensíssima abrangendo variadíssimos estilos de eletrónica.
CORNUCOPIA**** – Progressivos de grande qualidade, comparáveis aos SECONDHAND ou EGG ingleses. Jazz, eletrónica, rock, humor, com toques da chamada “estética Recommended”.
THE COSMIC JOKERS*** – Supergrupo inventado pelo patrão da Ohr. Discos-montagens feitos a partir de jam sessions de LSD no estúdio. Com elementos dos Ash Ra Tempel, Klaus Schulze, Wallenstein, Withuser & Westrupp…
DOM*** – eletrónica free/planante. Trips estranhas as destes DOM…
DZYAN*** – Jazzrock eletrónico c/influências étnicas.
EDGAR FROESE*** – guitarristas e manipul. de eletrónica dos Tangerine Dream. Dois a´lbuns iniciais pouco diferentes dos TD de “Phaedra” e “Rubycon”. Depois, à semelhança do grupo, foi ficando cada vez mais new age…
Continua nos próximos dias

Continuando:
EMBRYO**** – Jazz e elementos étnicos. Free rock. Improvisações. Arrumar ao lado dos Agitation Free, embora sejam menos “cósmicos”.
EMTIDI*** – Mais folk planante na linha dos Broselmaschine. Elementos “floydianos” e românticos.
FAUST***** – O grande delírio germânico. Colagens alucinadas, free rock, poesia fonética, romantismo, música concreta, paisagens alienígenas. Rutura absoluta com o tempo e os gostos da época. Ressuscitaram para se tornar “industriais”…
FRUMPY* – Hard rock sinfónico, cheio de solos de órgão e guitarra. Com alguma piada…
GILA*** – Inspirados pelos Pink Floyd psicadélicos. Guitarras em eletrónica e viagens não muito afastadas do rock.
GILLE LETTMANN** – a “musa das estrelas” da pandilha da Ohr. Cosmic Jokers + declamação de poemas elegíacos a Timothy Leary…
GROBSCHNITT** – triipy rock com toques Genesianos. Mais interessantes são alguns trabalhos a solo de Joachim H. Ehrig (Eroc).
GURU GURU**** – free rock puro e duro. Serração de guitarras elétricas Hendrixianas. Eletrónica parasitária. Anarquia. Energia.
HANS-JOACHIM ROEDELIUS*** – 1/2 dos Cluster. Romântico, pianístico, Satieano, new age. Mas também, noutras ocasiões, experimental e eletrónicoconceptualista.
HARMONIA***** – Cluster + Neu. Motorika em estado de graça. Eletroplanâncias, ambientalismo palaciano (?), Planetas de som inexplorados. Protopunk cósmico. Vrrrrrummmmmm….
HOLDERLIN*** – Como os Emtidi, mas mais estruturados. Toques de folk excêntrica. Instrumentação clássica misturada com eletrónica. Bizarros.
HOLGER CZUKAY***** – Pai das colagens. Dub, eletrónica, rock, transe, emissões rádio fantasma. Pôs o papa a cantar. Sem samplers…
IRMIN SCHMIDT*** – Teclista dos Can. Música de filmes. Soa bastante melhor quando soa aos Can…
KLAUS SCHULZE***** – Uma longa drone cósmica prolongada por 457 álbuns…
KLUSTER*** – Os Cluster, com “K” e Conrad Schnitzler. Ruídos de fábrica que os Cluster viriam a depurar em obras-primas protoindustriais.
KRAFTWERK***** – Fundaram os alicerces da música de dança electro. Sem eles o presente futurista nunca teria existido. “Autobahn” é um dos 10 melhores álbuns eletrónicos de sempre.
LA DUSSELDORF*** – Uma parte dos Neu! Motorika e romantismo alpino. New wave eletrizante.
MICHAEL ROTHER**** – Dos Neu! e Harmonia. Inventor do “easy listening krautrock”. Melodias eternas remodeladas até ao infinito. Eletrónica e guitarras de cristal.
MOEBIUS (DIETER)***** – O homem das máquinas. Música matemática, inovadora, rituais fabris. A electro atual alemã deve-lhe (quase) tudo.
MYTHOS** – Eletrónica mística “apadrinhada” por Von Braun.
NEU!***** – Os punks da era espacial. Motorika. Johnny Rotten cita-os como responsáveis por tudo o que os Sex Pistols fizeram. Também têm um lado de romantismo planante ambiental.
Continua

2000 . Lista de Krautrock by luisje on Scribd

Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #149 – “Asmus Tietchens e Vidna Obmana p-Lestat (FM)”

#149 – “Asmus Tietchens e Vidna Obmana p-Lestat (FM)”

Fernando Magalhães
09.04.2002 150307
Em comentário ao teu “thread”:

O ASMUS TIETCHENS é um dos músicos mais importantes de sempre do panorama da música industrial.

Tem dezenas de CDs, LPs e K7 gravadas, nos registos mais díspares, desde a industrial pura e dura a coisas mais góticas e ambientais, como “Marches Funèbres”.

Aquele disco que eu te mostrei dele quando estivemos na casa de “o vendedor” é bastante bom (e variado). Acho que irias gostar bastante.

Duas curiosidades: A. TIETCHENS participa no álbum “Cluster & Eno” e na superbanda do “Kosmisch Industrial” LILIENTHAL.

FM

Tenta ouvir de VIDNA OBMANA o “Spiritual Bonding” (ed. Extreme). Também tenho dele um CD duplo, absolutamente minimal, tribal e hipnótico (já me lembro do nome – LOL)

FM
09.04.2002 15h05

pHILM #1
09.04.2002 150344
Esse disco [“Marches Funèbres”] é considerado pelo próprio AT como uma obra menor, uma piada até. Segundo o próprio conta este disco foi feito como resposta a alguém que o acusou de não saber trabalhar com computadores. Toda a peça é composta por samples retirados dos arquivos sonoros da Yamaha.

Fernando Magalhães
09.04.2002 160407
É… Na altura, quando ouvi o “Marches Funèbres”, fiquei um bocado surpreendido – não tinha nada a ver com o que eu já conhecia da obra dele…

Mas as coisas mais industriais são, em geral, excelentes. Tenho um Cd dele inspirado no som da água (?!). Sobre um tema aparentemente tão naturalista como este, consegue criar ambiências estranhíssimas e vagamente assustadoras, como se a água se tivesse metamorfoseado em óleos pesados…

FM