Arquivo mensal: Novembro 2009

David Thomas & The Two Pale Boys – Surf’s Up

30.03.2001
David Thomas & The Two Pale Boys
Surf’s Up
Glitterhouse, distri. Zona Música
8/10

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O mundo de David “fat genius” Thomas não está longe do dos Suicide. O líder dos Pere Ubu construiu uma casa arruinada no coração de uma América amaldiçoada e é de lá que regurgita as suas visões de “paranoid android” iluminado. Um passo em frente e é o abismo. “Surf’s Up” (mais uma dedicatória explícita aos Beach Boys) começa numa fabulosa capa (uma dona de casa psicopata guarda a entrada do rancho) e termina em canções de raiva, manadas em tropel, declamações de “film noir” (“Ghosts”), claustrofobia e… aracnofobia (“Spider in my stew”). No seu disastrodome particular crescem melodias de folk “americana” atormentada, rock & roll em fúria (“Runaway”), andamentos de cowboy tripado (“Night Driving”) e uma marcha fúnebre em que o jazz, clonado nos fabulosos fraseados de trompete de Andy Diagram, naufraga num oceano de manias. E, se querem saber o que existia neste lugar, antes do “blackout”, não percam tempo a consultar os registos, é mesmo o tema “Surf’s Up”, composto por Brian Wilson e Van Dyke Parks em 1971. O medo aconselha a não acreditar que esta América existe de verdade.

Steve Fisk – 999 Levels of Undo

30.03.2001
Steve Fisk
999 Levels of Undo
Sub Pop, distri. Música Alternativa
8/10

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LINK (“448 Deathless Days” – 1987)
pwd: p-l-m.blogspot.com

Se a Alemanha teve nos anos 80 em Holger Hiller o seu demiurgo dos samples, na mesma época, nos EUA, um natural da costa noroeste, Steve Fisk, revolucionava o universo do “cut & paste” digital, num álbum que se transformou em obra de culto, “448 Deathless Days”, editado na SST em 1987. No mesmo ano, uma participação em “Escape from Noise”, dos Negativland, chamou de novo a atenção para o seu nome. Os anos 90 viram-no trabalhar ao lado dos Nirvana e dos Soundgarden ou na produção da estreia dos Screaming Trees. “999 Levels of Undo” é o prolongamento lógico de “448 Deathless Days” e outra obra que ficará para a história. Uma capa bizarra (melhor, várias capas alternativas…) envolve um sem-número de manipulações electrónicas operadas com brilhantismo em torno do drum ‘n’ bass, da colagem vocal e de elementos étnicos descontextualizados, num registo de excentricidade plenamente amadurecido. Amon Tobin, Residents e Messer Für Frau Müller, misturados num batedor desregulado.

Led Zeppelin – BBC Sessions

02.01.1998
Led Zeppelin
BBC Sessions (7)
2xCD Warner Bros., distri. Warner Music

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Na passagem da década de 60 para a seguinte, surgiu nos dois lados do Atlântico uma música poderosa que contrariava os padrões pop então vigentes. Era o “hard rock”, movimento que viria a dar origem ao “heavy metal”. Os Led Zeppelin, desde sempre um dos grupos mais representativos do movimento – como os Ten Years After, ou os menos conhecidos Aynsley Dunbar Retaliation e Wishbone Ash -, alicerçaram a sua música na fortaleza dos “blues”, ao contrário de outras bandas “hard”, como os Black Sabbath, Uriah Heep e Deep Purple, que preferiram colocar a sua violência ao serviço do progressivo e do rock sinfónico. Em 1969, ano em que a banda de Jimmy Page, John Paul Jones, Robert Plant e John Bonham (já falecido) gravou a totalidade das sessões para a BBC agora reeditadas, os “blues” explodiam nas versões de muitas das canções que se viriam a tornar clássicos na posterior discografia de estúdio dos Zepplein, como “You shook me”, “communication breakdown”, “Dazed and confused”, “Whole lotta love”, “How many more times”, “Immigrant song”, “Black dog” e “Stairway to heaven” (algumas delas aqui repetidas em diferentes ocasiões, o quepermite deste modo verificar a evolução da sonoridade do grupo). Com tempo e espaço para fazer eclodir os seus “riffs”, macerados pela guitarra de Page e pela voz cortante de Page, os Led Zepplein, como os Cream tinham feito antes, mostravam as virtudes da improvisação no rock, tornando esta selecção de pérolas negras uma boa justificação para ouvir de novo a obra completa do grupo, toda ela entretanto já reeditada com remasterizações e nova apresentação.