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Monoton – “Monotonprodukt 07 20y++”

(público >> y >> pop/rock >> crítica de discos)
19 Setembro 2003


MONOTON
Monotonprodukt 07 20y++
Oral, distri. Matéria Prima
8|10



Alerta! “Monotonprodukt 07 20y++” é a reedição, revista e melhorada, de um clássico da eletrónica dos anos 80. Criado em 1985, pelo austríaco Konrad Becker, “Monotonprodukt 07” (assim se intitulava então) é um dos esteios da transição da estética “krautrock” dos anos 70 para a eletrónica industrial dos 80, posteriormente reapropriada pela geração pós-tecno dos 90. A “Wire” integrou este álbum na lista dos 100 “mais importantes e ignorados” do séc. XX. A música é minimalista, apoiada em programações artesanais e caixas de ritmo monolíticas que tanto fazem lembrar os franceses Heldon e Spacecraft como os D.A.F. ou uma aliança sinistra de clones-zombies dos Tangerine Dream com os Suicide. Tal e qual uma sessão de hipnose destinada a enviar-nos para o fundo do poço dos nossos medos, é definido no livrete como uma “experiência física da vibração e do ritmo, construída sobre frequências audíveis ou inaudíveis, e estruturada segundo padrões matemáticos” ou ainda, mais de acordo com o que os sentidos provam e não receiam, “uma massagem de ondas sonoras”. Ideal para lobotomias sem dor.



Lesser – “Gearhound”

Y 2|FEVEREIRO|2001
escolhas|discos

LESSER
Gearhound
Matador, distri. Zona Música
7|10



J. Lesser, ISR, 157, Backfire, DJ 40 Year Old Woman (!), não importa como se apresenta. É um foragido de bandas rock que encontrou na eletrónica o último refúgio da “estética punk”. Trabalhou com Matmos e Kid606 (com quem prepara o projeto Sex Pixels…) e no horizonte está uma colaboração com os Blectum from Blechdom. Formou uma banda de covers dos Metallica, os Creeping Death, e ao vivo as suas atuações pautam-se pelo caos e destruição. Editou a cassete “I hate me”, acompanhada da oferta de uma lâmina de barbear (verdadeira) e um bocadinho de LSD (falso). Tudo junto explica este “Gearhound”, carga explosiva de eletrónica apocalíptica onde se misturam as influências dos Big Black, Sebadoh, Meat Beat Manifesto, Public Enemy e Negativland. Um dos temas, “Cheeseburger lady”, é uma réplica de “Hamburguer lady”, dos Throbbing Gristle. Dat Politics, Atari Teenage Riot e Speedy J não passam de easy-listening, comparados com a tareia sónica de J. Lesser.



Zion Train – “Secrets Of The Animal Kingdom in Dub”

Y 2|FEVEREIRO|2001
escolhas|discos


ZION TRAIN
Secrets of the Animal Kingdom in Dub
Universal Egg, distri. Sabotage
8|10



Coletivo inglês em ação desde 1990, os Zion Train cultivam o dub psicadélico com a atitude de cibernautas em busca da derradeira droga sintética que projete o holograma de Bob Marley no Cosmos. Já lhes chamaram os Grateful Dead da tecno, definição engraçada que dá uma boa ideia da forma como o quinteto combina as refrações dub em ligação direta com a tecno e o trance e em conjunção com as alterações da perceção proporcionadas pelas drogas psicotrópicas. Com cada um dos temas dedicado a um animal, “Secrets of the Animal Kingdom” é um palco virtual, uma selva de ilusões e um manjar para os ouvidos, culminando em “Manta ray” que alguém definiu como a dança minimalista, em estereofonia, de um programa de lavagem. Mais cosmopolitas, mas não menos interessantes, os The Tassilli Players gravaram para a mesma editora outro álbum conceptual de “dub” psicadélico, “An Atlas of World Dub” (8/10), desta feita uma panorâmica de diversas comunidades mundiais de dub, com produção dos Zion Train, onde estão patentes uma faceta progressiva e um “etno-industrial” reminiscente de Mark Stewart.