Arquivo da Categoria: Post-Punk

Non Credo – “Happy Wretched Family”

pop rock >> quarta-feira >> 28.02.1996


Non Credo
Happy Wretched Family
VICTO, DISTRI. ÁUDEO


Representantes da ala menos liberal da Recommended, os Non Credo praticam uma música inclassificável e ultra-estruturada que perdeu ambiente de conto fantástico do primeiro álbum, “Reluctant Hosts”, para ganhar um maior rigor de escrita. Os arranjos, demasiado dependentes da voz de Kira Vollman (aqui decididamente influenciada por Dagmar Krause; escute-se, por exemplo, o tema “Slips through fingers”) e dos computadores, situam a música de “Happy Wretched Family” nas redondezas dos suiços Unknown Mix, não só pela tónica vocal, como pela sua natureza programática. A arrumar na mesma estante daquele grupo, dos Double-X-Project, No Secrets in the Family e No Safety. Foram-se os sonhos e as projecções dalinianas do outro lado do espelho, substituídas pelas figuras disformes de uma “família desprezível”. A caixa-de-música entrou na Internet. (7)

Mathilde Santing – “Choosy Live!”

pop rock >> quarta-feira >> 21.02.1996


Mathilde Santing
Choosy Live!
EPIC, DISTRI. SONY MUSIC



A holandesa está mais gorda e com corte de cabelo à rapaz. Mas que isso não constitua obstáculo para apreciar uma das mais elegantes cantoras da actualidade. Tapem-se as fotografias da capa, para não desviar a atenção, e fique-se (quase) a sós com a voz, cada vez mais quente e solta, da menina que se lançou amparada em muletas de pop electrónica, no mini-álbum de estreia, “Behind a Painted Smile”, assinou a sua obra-prima de canções sobrenaturais em “Water under the Bridge” e, a partir daí, se dedicou a cantar as canções de outros autores, assumindo por inteiro a condição de intérprete. Esta gravação ao vivo, efectuada num teatro ao ar livre de Valkenburg, dá-lhe inteira razão. Afastada de vez uma certa rigidez formal perceptível em trabalhos anteriores, manifesta-se em seu lugar o balanço orgânico e os ditados da emoção do momento. É uma Mathilde , “waltzing Mathilde”, por fim livre que faz flutuar, dançar e arder a escrita de alguns dos seus compositores preferidos, como Tim Finn, Joni Mitchell, Todd Rundgren e Randy Newman. Uma voz que transfigura. (7)

“Temps Perdu?” – “Terra Incognita” + Vários – “Twilight Earth”

pop rock >> quarta-feira >> 31.01.1996


Temps Perdu?
Terra Incognita (7)
Vários
Twilight Earth (8)
TIMEBASE, IMPORT. ANANANA



Mais uma editora a preencher o território “new age” para eruditos, geólogos e viajantes do “continuum” espácio-temporal, na linha dos catedráticos da Califórnia Steve Roach e Robert Rich. Os Temps Perdu? São um duo constituído por Catherine Ledit-Grützmann e Dirk Grützmann. Tocam instrumentos étnicos como flautas, ocarinas e xilofones, que juntam á parafernália digital mais requintada.
“Terra Incognita” é o seu segundo álbum, depois de “Athanor”, de 1993, onde exploraram musicalmente as terras vulcânicas de Lanzarote, nas Canárias, algo que o espanhol Ildefonso Aguilar já havia feito, nos anos 70, em “Erosión”. Agora foram buscar inspiração aos arquétipos de todas as culturas ancestrais, ao “espaço profundo” e à ficção científica. “Terra Incognita”, “lugar de luz e sombras”, sem grandes rasgos criativos, consegue prender a atenção, em parte devido à produção “estúdio igual a cosmos” de Steve Roach. Bons sons na onda do novo psicadelismo ecologista.
A colectânea “Twilight Earth” soa igualmente bem e vai até um pouco mais longe na originalidade das suas diversas propostas. Nela encontramos nomes importantes doo género, como Suspended Memories, Stephen Kent, Robert Rich, Bruno Heuzé (ex-Lightwave) e os próprios Temps Perdu? Com Anna Homler. Não há dúvida de que a Natureza está a tornar-se cada vez mais um lugar virtual.