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Stephen Scott – “Vikings of the Sunrise”

Pop Rock

8 Janeiro 1997
poprock

Stephen Scott
Vikings of the Sunrise
NEW ALBION, DISTRI. ANANANA


ss

Subintitulado “Fantasy of the Polynesian Star Path Navigators”, esta nova composição do autor de “Minerva’s Web” propõe a exploração sistemática das possibilidades dramáticas, expressivas e tímbricas do piano, na condição de não se tocar nas suas teclas. É surpreendente o modo como os Bowed Piano Ensemble armam uma sinfonia de cambiantes insuspeitos, que vão desde o ambientalismo naturalista ao abstraccionismo mais radical. As madeiras são raspadas e percutidas, as cordas submetidas a toda a espécie de maus tratos. O que poderia resultar numa experiência formal soa, pelo contrário, como organização metódica – nalguns casos romântica – dos materiais e do conceito original, “as navegações, explorações e descobertas do Oceano Pacífico, desde a Antiguidade aos tempos modernos”. São-nos ocultados os gestos, na sua função mecânica, para se nos deparar o prazer do som pelo som, moldado em rítmicas minimalistas e paisagismos de colorações ambíguas. Incursão em profundidade no lado mais telúrico do piano, “Vikings of the Sunrise” transporta-nos para latitudes ignoradas do planeta, criando imagens perturbantes, que oscilam entre a tragédia subaquática de “The Sinking of Titanic”, de Gavin Bryars, e as dissoluções modais de um Ingram Marshall. Obrigatório. (9)



Wim Mertens – “Skopos”

06.02.2004

Wim Mertens
Skopos
Usura, distri. Megamúsica
6/10

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Wim Mertens tem um dilema. Empenhado na criação de uma obra monumental, nalguns casos impenetrável, dispersa por trilogias, tetralogias e infinitologias, sente-se, por outro lado, impelido a mostrar um lado mais acessível e “fácil” da sua música. “Skopos” pertence à categoria do Mertens “ligeiro” e “mainstream”. Armado do seu “ensemble”, o compositor flamengo cria um híbrido de estilos e sonoridades exóticas capazes de seduzir o ouvido pelo imediatismo. Flamenco e música árabe fazem a sua aparição em “Add growth can be heard”, “Further Hunting” é pretexto para percussões em compasso de “house” subliminar e “Swirling backwards” reinventa o lado erudito dos Tuxedomoon, enquanto “From out of which” retoma as velhas poanadas num registo pop próximo dos Penguin Cafe Orchestra e “Bold forgetting” e “Working the Ploughs” apostam no minimalismo romântico que depois de “O Piano” de Nyman não cessou de se repetir. Sem dúvida bonito, mas longe da estranha música de “Vergessen”, “Struggle for Pleasure” e “Maximizing the Audience”, aqui apenas igualada pelo belíssimo ( e Nymaníssimo…) epílogo, “Bewildering din”.