Arquivo da Categoria: Colectânea

Vários – “The Best Of Mountain Stage, vol. 1 & 2”

pop rock >> quarta-feira >> 28.04.1993
WORLD
REEDIÇÕES


Vários
The Best Of Mountain Stage, vol. 1 & 2
CD Blue Plate, distri. Polygram



Mountain Stage é o nome de um programa de rádio de actuações ao vivo que vai para o ar todas as semanas em Charleston, West Virginia. Tendo como objectivo a divulgação de áreas musicais “inclassificáveis”, não é difícil descortinar, no conjunto de artistas apresentados, algumas tendências predominantes: o folk rock, os blues, o “cajun”, o velho “rhythm ‘n’ blues” e variadas ramificações da música “country”. O principal interesse destas compilações está na captação, quase artesanal, de registos únicos de alguns nomes sonantes revisitados a uma luz mais intimista. Dr. John e o seu piano “Honky tonk”, a vocalização “cajun” de Daniel Lanois e a excitação “zydeco” dos Buckwheat Zydeco destacam-se no primeiro volume, do qual fazem parte, entre outros, Loudon Wainwright III, Clive Gregson & Christine Collister, N.R.B.Q. e Richard Thompson. O segundo volume vale sobretudo pelas boas prestações das vozes femininas de Michelle Shocked, June Tabor, Maura O’Connell (pertenceu aos De Danann), Kathy Mattea e Sara Hickman. John Prine, Robyn Hitchcock, Billy Bragg e Delbert McClinton são outros dos artistas presentes. A maior desilusão vai para os REM, com uma interpretação sonambúlica de “Losing my religion”. (5) / (6)

Brass Monkey – “The Complete Brass Monkey”

pop rock >> quarta-feira, 14.04.1993
REEDIÇÕES WORLD


MORRIS DE METAL

BRASS MONKEY
The Complete Brass Monkey
Topic, distri. MC – Mundo da Canção



Uma reedição histórica que reúne os dois únicos álbuns gravados por uma das bandas que revolucionaram a folk inglesa: “Brass Monkey”, de 1983, e “See how It Runs”, de 1986. A liderá-la, dois dos pilares da “british folk”: Martin Carthy e John Kirkpatrick. O primeiro é sobretudo conhec ido como um dos fundadores, com Ashley Hutchings, dos Steeleye Span. Os primórdios da sua carreira, iniciada em 1963, foram assumidos como influências por Bob Dylan e Paul Simon. Gravou e continua a gravar regularmente álbuns de parceria com o mago do violino, Dave Swarbrick. Passou, como quase toda a gente importante, pela superbanda Albion Band. Cantou e gravou com o mítico grupo vocal The Watersons. Guitarrista e vocalista de excepção, o seu estilo inconfundível pode ser apreciado nos magistrais álbuns a solo “Out of the Cut” e “Right of Passage” (circula perdido por algumas discotecas). Quanto a John Kirkpatrick, “virtuose” da concertina e do acordeão (escutem-no urgentemente, ao lado de Kepa Junkera e Ricardo Tesi, em “Trans Europe Diatonique”), apresenta um currículo não menos impressionante: três álbuns fundamentais com Sue Harris, “Shreds and Patches”, “Facing the Music” e “Stolen Ground”, este último, ao que parece, já editado em compacto. Presenças nos Albion Band, claro, e nos Umps & Dumps, ainda em acção. Tocou praticamente em todos os álbuns de Richard Thompson. É um dos grandes divulgadores da dança “morris” inglesa, que pode ser apreciada num dos seus trabalhos a solo, “Plain capers”, já com distribuição portuguesa. O que faz a originalidade do som dos Brass Monkey, cuja existência “oficial” decorreu entre 1983 e 1987, sempre com carácter esporádico, é a utilização e os intrincados arranjos de uma secção de metais – saxofone, trompete e trombone – numa fórmula instrumental que apenas encontrou paralelo noutra das múltiplas extensões dos Albion Band, os Home Servive, conhecidos entre nós pelo álbum “Alright Jack” (também já reeditado em CD). Seria pois injusto não mencionar os nomes de Howard Evans, trompete, Martin Brisnford, sax, e Roger Williams, este substituído por Richard Cheetham, em “See how It Runs”, no trombone, cujo passado entronca nos Albion Band e, no caso do trompetista, nos Old Swan Band e Edward II. Prolongamento lógico da modernização e electrização da “morris dancing” operada no seminal “Morris on” (para o qual contribuíram tanto Carthy como Kirkpatrick, ao lado do omnipresente Ashley “Tiger” Hutchings), “Brass Monkey” e “See how It Runs” reformulam por completo a rítmica característica da “morris” (o trombone fazendo a vez do baixo, por exemplo), constituindo um exercício salutar de reformulação de uma linguagem que, como diz Martin Carthy, é “intemporal”, continuando “a falar às pessoas de hoje, tão alto e claro como sempre”.
Imprescindível. (9)

Vários – “Lament”

pop rock >> quarta-feira, 17.03.1993


Vários
Lament
CD Real World, distri. Edisom



O conceito e a intenção são imaculados. Um lamento pela Irlanda do presente, em particular pela Irlanda do Norte. Resultado de um projecto inicial dedicado à cidade de Derry e inspirado no modo musical “goltrai” da mitologia antiga, que exprime a tristeza, “Lament” foi intencionalmente reduzido à expressão mais simples, de modo a concentrar ao máximo a emoção, sem ambiguidades. Assim, cada faixa limita-se a uma prestação individual, instrumental ou cantada, que procura canalizar os vários matizes da tristeza. A música é na generalidade destituída de arranjos complexos. São choros, gritos, suspiros, sobressaltos solitários. E silêncio, que pode ser a forma mais profunda de dizer a dor. “Lament” é ainda uma espécie de mostruário dos diversos instrumentos musicais típicos da Irlanda: “Tin whistle”, “uillean pipes”, rabeca, acordeão, “bodhran” e harpa. Os demosntradores foram escolhidos a dedo: Davy Spillane, Declan Masterson (ex-Moving Hearts), Maighread Ní Dhomhnaill, Paddy Glackin, Micheal ‘O Suilleabháin (pianista e compositor erudito), Christy Moore, Kevin Conneff, John Sheahan (Dubliners), Séan Potts (ex-Chieftains, Bakerswell) e Derek Bell, entre outros. O resultado é decepcionate, por demasiado monocórdico, sem contrastes. Três momentos de excepção: a prestação vocal de Alann O’ Kelly, em estranha aproximação a Meredith Monk, um Christy Moore no fundo de um poço e uma versão de “O’Carolan’s Farewell” distendida até ao limite por Derek Bell. Um tiro desperdiçado. Lamento. (6)