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Robert Wyatt – Mercador de Sonhos

19.09.1997
Mercador de Sonhos
Seis anos de silêncio depois de “Dondestan”, cortados pela colecção de gravuras sonoras do mini-CD “A Short Break”, Robert Wyatt tem um novo álbum de originais, “Shleep”, gravado no estúdio de Phil Manzanera, com a participação, entre outros, de Brian Eno, Paul Weller, Evan Parker e Annie Whitehead. Um disco de “sonhos maus” por um sonhador que tem experimentado na carne a dor, a utopia e a revolução.

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“Shleep” é o melhor álbum de Robert Wyatt, desde “Rock Bottom”, a obra-prima gravada em 1974 a seguir ao acidente que o atirou para uma cadeira de rodas. O mesmo acidente que acelerou o processo de descoberta de uma “voz pessoal” que nos últimos 25 anos insite em se fazer ouvir com o poder de transfiguração de um guerrilheiro que faz da poesia a principal arma.
“Shleep” é uma mistura de “Sheep” com “Sleep”. De massificação com dormência. Wyatt explica que “começou por ser apenas o título de uma canção”, embora sejam lícitas outras conotações, como “The Little Sleep”, uma novela policial de Raymond Chandler.
O sono e o sonho. Robert Wyatt teve problemas com o primeiro, transformando em arma o segundo. “Há dois, três anos, tive uma fase em que, pura e simplesmente, não conseguia dormir.” “Shleep” resgata o onirismo, da mesma forma que “Rock Bottom” exorcizava os traumas deixados pelo acidente que o tornou paraplégico, e “Nothing Can Stop Us” era a reacção violenta contra uma situação política considerada “intolerável”.
Cada canção de “Shleep” é então como que o “polaroid de um sonho”. “Prefiro os sonhos maus aos sonhos bons. Quando acordo de um sonho bom, o choque com a realidade od dia-a-dia é maior.” Não se trata, diz, de um projecto iseológico – “Nunca injecto os meus discos com qualquer forma de ideologia, tento sempre que sejam totalmente independentes.” Mesmo “Nothing Can Stop Us” ou um tema como “East Timor” de “Old Rottenhat”? “Talvez nessa altura, nos anos 80, sim, a situação política em Inglaterra estava a tornar-se intolerável, com a emergência de movimentos racistas e nazis. Foi uma época em que passava mais tempo a participar em comícios do que a ouvir ou a preocupar-me com música.”
Trata-se, afinal, tão-só da projecção intuitiva de estados de alma que tanto exigem, para se fazerem ouvir, do canto panfletário da Internacional Socialista, como se encolhem num balbuciar triste e, por vezes, incoerente, de uma criança ferida. Ou de um louco encarcerado na certeza das suas próprias convicções. De um pouco como “Rock Bottom” não se sai igual ao que se entrou. Os álbuns seguintes, de “Ruth Is Stranger Than Richard” a “Dondestan”, demonstram essa mesma impossibilidade de fazer frente, com a constância dos iluminados ou dos masoquistas, ao reflexo do espelho. Mas aí está “Shleep” para nos fazer crer o contrário.
Gravado no estúdio de Phil Manzanera, companheiro de longa data de Wyatt, “Shleep” reúne memórias e fragmentos da anterior discografia, num “puzzle” que necessita de tempo para se fazer compreender na sua totalidade. Um tempo que o próprio músico reserva para si, de forma a tornar coerente “um processo de composição orgâncio, feito de intuições”. Processo que tem início em casa, num gravador de quatro pistas, em articulação estreita com a sua mulher, Alfreda Benge – autora dos textos e das capas de grande parte da discografia recente do músico -, com quem Wyatt tem partilhado inúmeras experiências e viagens pelo mundo.
Para “Shleep”, Robert Wyatt convidou velhos amigos, como Phil Manzanera e Brian Eno, este último “um aventureiro que lida com a música como uma criança”, cuja influência foi determinate no resultado final de um tema como “Heaps of Sheeps”, a fazer lembrar álbuns como “Taking Tiger Mountain (By Strategy)” ou “Another Green World”.
Mas é ainda no modo de articulação dos músicos convidados que “Shleep” se afasta de “Rock Bottom”, embora sejam evidentes traços comuns entre os dois discos (as “drones” de sintetizador, o piano sincopado a 16 rotações, inspirado em Cecil Taylor, as melodias de “nursery rhyme” em contraste com sequências instrumentais de “big band” espectral). Mas enquanto “Rock Bottom” era grande dor, redimida pelo génio, suportada pela companhia de amigos, “Shleep” é a partilha fraterna com esses mesmos amigos, numa assunção do colectivo como força impulsionadora do acto criativo.
Por vezes o jogo de memórias cruzadas está escondido, surgindo de forma indirecta. Como uma linha de sintetizador dos Cluster introduzida por Brian Eno. Ou a utilização de fitas magnéticas com fundo industrial em “Was a Friend”, nas quais Wyatt reconhece haver uma relação com a música de outro amigo seu, Charles Heyward, dos This Heat e Camberwell Now. Noutras, a fonte revela-se de maneira mais óbvia. Como a fabulosa apropriação das inflexões vocais de Bob Dylan de “Subterranean Homesick Blues” e dos blues em geral, em “Blues In Bob Minor”, sobre um ritmo binário decalcado de um tema de “Old Rottenhat”, na segunda das duas participações de Paul Weller, fundador dos The Jam, neste álbum.
Evan Parker e Annie Whitehead, representantes da “velha” escola do “new jazz” britânico, acrescentam a improvisação e a surpresa. Antes mesmo da aventura, iniciada nos anos 60 ao abrigo do movimento de Canterbury, com os Soft Machine, Wyatt era presença assídua em gravações de jazz, tocando bateria ao lado de músicos como Wolfgang Dauner. O acidente – uma queda de um quarto andar, no decorrer de uma festa mais animada – de que foi vítima terá inviabilizado uma carreira promissora como instrumentista de “jazz”? Wyatt recusa esta possibilidade. Prefere dizer que a bateria era um empecilho que o impedia de trabalhar em profundidade a música que verdadeiramente sentia.
De resto, basta lembrar que na altura em que, em 1970, os Soft Machine iniciavam a sua própria aventura pelo jazz, com outro dos álbuns que é um marco da música dessa década, o duplo “Third”, Robert Wyatt contrapunha às longas improvisações, em compassos esquisitos, dos seus companheiros, a sua própria “suite” pop vocalizada, “The Moon In June”, canção mágica mas que o votaria ao ostracismo pelos intelectuais do grupo, Hugh Hopper, Mike Ratledge e Elton Dean. “Adorava fazer esse tipo de música, mas era óbvio que os outros não queriam vocalizações. Acabei por ser marginalizado.” Wyatt viria ainda a reformular a eterna questão – pop contra vanguarda – no projecto Matching Mole (tradução em inglês da fonética, em francês, “machine mole”, Soft Machine, precisamente), de cujos dois únicos álbuns gravados, “Matching Mole” e “Little Red Record”, sairia um hit como “O Caroline” (repescado pelos Mynci Zygoti Mynci no seu disco de estreia), a par de instrumentais obscuros do mais puro experimentalismo.
Mas Robert Wyatt desdenhou sempre do jazz mainstream, preferindo a ala mais radical deste género musical e os cantores de soul que ouvia na juventude.
Regozija-se ao fazermos menção de duas obras, pouco conhecidas, que resolvem a questão de uma vez or todas, a velha guerra entre vanguarda e acessibilidade, nas quais a sua participação é decisiva: “The Hapless Child and Other Incrustable Stories”, de Michael Mantler, discípulo hermético de Don Cherry (outro dos heróis trompetistas de Wyatt, a par de Mongesi Feza), com a guitarra de Mike Oldfield, e “Fictious Sports”, com a chancela de Nick Mason, baterista dos Pink Floyd, e a alta inspiração das composições de Carla Bley, com quem o ex-Soft Machine viria a tocar em posteriores ocasiões.
Em “Fictious Sports”, Robert Wyatt cantava “I’m a Mineralist”. Hoje o compositor de uma banda sonora contra o abuso de animais em experiências científicas, “The Animals Film”, confessa o seu interesse por duas temáticas, na aparência, díspares: os insectos e as estrelas. O micro e o macrocosmo, segundo “uma tradição de simbolismo que sempre existiu, de forma quase subterrânea, em Inglaterra, em autores como William Blake”. E é de uma estrela que acaba a falar, Diana Spencer: “A minha reacção à sua morte foi semelhante à da maior parte das pessoas. Fiquei triste. É sempre bom as pessoas poderem viver um conto de fadas, ou participar numa ‘soap opera’. E, ao menos por uma vez, foi possível ver o povo inglês a exprimir uma emoção. “O sono e o sonho, uma vez mais. A comandarem o mundo, simultaneamente secreto e luminoso, esculpido em cicatrizes, de Robert Wyatt.

Caravan – If I Could Do It All Over Again, I´d Do It All Over You (self conj.)

21.05.2001
Reedições
Arcebispos de Cantuária

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Caravan
If I Could Do It All Over Again, I´d Do It All Over Over You
9/10
In The Land of Grey And Pink
9/10
Waterloo Lily
8/10
For Girls Who Grow Plump In The Night
8/10
Caravan & The New Symphonia
6/10
Todos Deram, distri. Universal

Os cães ladram mas a caravana passa. Agora re-remasterizada (as anteriores versões já tinham o som melhorado mas estas fazem finalmente justiça à magnificência do vinil original). Os Caravan passam, de facto, por ser os mestres-escola de Canterbury. Quem pela primeira vez se depara com a música de “If I Could do it…” (1970) torna-se participante de uma história interminável de fascínio e descoberta. Do primeiro rezam as crónicas que o título-tema foi tocado de forma maníaca por John Peel no seu “Top Gear” até as espiras do disco se gastarem. Fabulosos o swing, a suavidade “naif” de um “riff” vocal viciante. As canções, pop até à medula, infiltradas por uma sensualidade quase hedonística, jogam xadrez com o paradoxo e o sonho, fundem-se com deambulações instrumentais de jazz psicadélico, descobrem o prazer da inflexão-surpresa, da respiração, da melodia voadora. “In The Land of Grey and Pink”, considerado pela revista “Mojo” um dos melhores dez discos de música Progressiva de sempre, separa o que em “If I Could…” estava ligado. Canções gloriosas de um lado, a longa “suite” “Nine feet underground”, de outro. Ouve-se de um trago, como um requintado licor auditivo. Canções como “Winter Wine” ou “golf girl” misturam a imprevisibilidade do jazz com a arquitectura melódica da pop e o sopro de uma narrativa aberta. A entrada em cena do piano eléctrico de Steve Miller, em substituição de David Sinclair, empurrou “Waterloo Lily” (1972) para sonoridade menos sensíveis à pureza juvenil dos álbuns anteriores, cultivando o rigor instrumental e uma menor elasticidade dos materiais de composição, tendência que se manteria em “For Girls Who Grow Plump in the Night” (1973), desta feita em estreita dependência da viola de arco de Geoffrey Richardson, enquanto o regressado David Sinclair garante o equilíbrio entre a complexidade e o swing, segundo aquela fórmula secreta das bandas de Canterbury. Apenas curiosa, a experiência com orquestra de “Caravan & The New Symphonia” (1974), corresponde à fase de maior sucesso e entrada nos “charts” britânicos do grupo. Mas “Cunning Stunts”, de 1975 (6/10), perdera em definitivo o sortilégio, sobrando canções que ainda assim retinham migalhas do antigo esplendor.

Arcebispos de Cantuária

21.05.2001
Arcebispos de Cantuária

Canterbury tornou-se uma lenda. Os novos músicos estão a redescobrir o imenso manancial oferecido por esta música que nos anos 70 se ergueu como uma catedral de um arcebispo louco no meio de um prado da velha Inglaterra.

LINK (CD 1) “Canterbury Tales – The Best of Caravan”
LINK (CD 2) “Canterbury Tales – The Best of Caravan”

Canterbury (Cantuária) é uma cidade inglesa situada no condado de Kent, a sudeste de Londres. Deu ao mundo os “Contos de Cantuária”, de Geoffrey Chaucer, e o Arcebispo. Mas isso foi antes de um pequeno núcleo de músicos se juntar na segunda metade dos anos 60 para formar o grupo que daria origem a um movimento e uma estética aos quais se convencionou chamar “cena de Canterbury” ou “som de Canterbury”.
O grupo chamava-se The Wild Flowers, nunca chegou a gravar qualquer álbum (embora, bem procurado, seja possível encontrar uma edição póstuma preenchida por actuações ao vivo) mas continha os alicerces dos dois pilares que sustentariam a primeira geração do “Canterbury Sound”: Soft Machine e Caravan. Kevin Ayers e Robert Wyatt, respectivamente vocalista e baterista dos Wild Flowers, formaram em 1967 os Soft Machine, aos quais se vieram a juntar o baixista Hugh Hopper, que também integrou os Wild Flowers, e Daevid Allen, o australiano excêntrico de cuja mente embotada pelos ácidos, o chá de haxixe, o espiritismo e as mensagens enviadas via rádio por entidades alienígenas, haveriam de brotar os Gong. Quanto aos Caravan, já tinham a sua primeira formação inscrita no “line-up” dos Wild Flowers: os irmãos David e Richard Sinclair, Richard Coughlan e Pye Hastings. É deste grupo que agora nos surge o pacote da sua discografia para a Deram, re-remastrizada e enriquecida com temas e informação adicionais.

No País Das Maravilhas
Mas que som era este, afinal, que, extinta nos anos 70 a base do Progressivo sobre o qual evoluiu até meados da década, se estendeu pelos anos 80, dos EUA ao Japão, em grupos como Happy The Man, However ou Kenso, e prosseguiu revitalizado pelos 90, onde foi adoptado pelo pós-rock de Chicago dos The Sea And The Cake ou pelos neo-psicadélicos Gorky’s Zygotic Minci?
A música, o estilo, a estética, as imagens com selo Canterbury ficaram demarcadas desde o início. Robert Wyatt e Richard Sinclair impuseram um estilo e uma filosofia vocais e poéticos que renegavam o tom mais politizado do “flower power”, como eclodira do outro lado ao Atlântico, em São Francisco, personalizado por bandas como os Jefferson Airplane e os Grateful Dead, em assumpção absoluta de uma “britishness” paralela à dos Beatles e dos Kinks, na pop.
Em vez dos mergulhos violentos na mente e das consequentes ressacas de Grace Slick e Jerry Garcia, imersos no “acid rock” e nas doutrinas pregadas pelo papa de LSD, Timothy Leary, Richard Sinclair e Robert Wyatt pegaram ao colo no lado mais surrealista e poético do psicadelismo. A Alice de Lewis Carroll bebeu o seu chá com o chapeleiro maluco às cinco em ponto, num prado de Kent. David Sinclair, nos Caravan, e Mike Ratledge, na “Máquina Mole”, estabeleceram o contraste. À suavidade, mas também às derivações intrincadas, tecidas como uma tapeçaria “nonsense”, que eram as canções moldadas pelas vozes pop de Richard Sinclair e Robert Wyatt (de que a canção “The Moon in June”, incluída no já divergente “Third”, dos Soft Machine, será o exemplo mais sublime), contrapuseram o “fuzz” do órgão electrónico e fraseados jazzy que dispensavam a herança do rhythm ‘n’ blues, onde foi beber a geração mais nova do rock progressivo.

Como As Flores De Um Jardim
Mas no fundo desta poção mágica que também albergava uma nostalgia difusa pela bossa-nova e aragens folk, agitava-se algo indefinível, uma elegância e um mistério que, apesar das inevitáveis dissidências que proliferariam através de uma miríade de correntes derivadas do som original, conferiam unidade ao “som de Canterbury”.
“Volume Two”, dos Soft Machine (1969), e “If I Could Do It All Over Again, I’d Do It All Over You” (1970), também o segundo álbum, dos Caravan, são os dois paradigmas da escola de Canterbury. A chávena de chá de Alice quebrar-se-ia na produção posterior destes dois grupos, em particular dos Soft Machine, que a partir de “Third” encetariam uma das aventuras mais fascinantes de um grupo pop pelo jazz. Os Caravan mantiveram-se mais tempo fiéis à fábula, cedendo apenas ao fim do quinto álbum, “For Girls Who Grow Plump in the Night” (1973).
Mas a aventura de Canterbury dispensava os seus progenitores. Criara-se uma espécie de família, cujos membros não cessaram de difundir, sob formas mais ou menos personalizadas, o legado dos Caravan de dos Soft Machine. O “Canterbury Sound” espalhara-se como as flores de um jardim, polinizando o Progressivo com a sua aura colorida. Apareceram radicais e moderados, dissidentes e tradicionalistas, cada qual acrescentando uma letra, uma frase, à história. Os mais ilustres foram os Hatfield and the North, com Dave Stewart, Pip Pyle e os irmãos Sinclair. Gravaram duas obras-primas que prolongaram o lado mais lúdico e swingante dos Caravan. O lado experimental e cerebral encontra-se nos Egg e, posteriormente, nos National Health, projectos de Dave Stewart, Gilgamesh e Soft Heap orientaram as “canterbury tales” segundo as coordenadas do jazz, os primeiros sob a batuta de Alan Gowen (já falecido, teclista “honorário” dos National Health), os segundos, segundo o comando de Hugh Hopper que, depois do terramoto a solo, “1984”, se dedicou a tentar fazer descarrilar o comboio do jazz-rock. O que os Soft Machine haviam perdido a partir de “Third”, conservou-o Robert Wyatt nos Matching Mole e Kevin Ayers na sua tão disparatada como genial discografia a solo. Os Gong, muitas vezes conotados, com ou sem razão, com o espírito de Canterbury, são algo mais. O seu bule de chá era uma nave espacial. E se estivermos atentos, percebemos que a sua “rádio gnome invisible” continua a emitir.
Canterbury tornou-se numa lenda. Os novos músicos, aqueles com dois dedos de testa, estão a redescobrir o imenso manancial oferecido por esta música que se ergue como a catedral de um arcebispo louco no meio de um prado da velha Inglaterra.
Richard Sinclair, em “R.S.V.P.”, de 1994, diz em jeito de despedida dessa época, numa das canções, “What’s rattlin’? (“O que é que está a fazer barulho?”): I’m bored with Caravan, Fleetwood Mac and Uncle Sam/I’m sick of Tangerine Dream, Hatfield and Soft Machine/Radio Gnome and Henry Cow/We’re not part of that now”, mas acaba a perguntar: “One question we all dream/”What’s doing Mike Ratledge? (…) What’s doing Robert Wyatt?/What’s doing Kevin Ayers?/What’s rattling Mike Doodlage?”.