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Maria João E Mário Laginha Gravam A Cores – Entrevista –

01.05.1998
Maria João E Mário Laginha Gravam A Cores
Atirar A Melodia Ao Ar E Apanhá-la
Maria João escreveu todas as letras, todas as palavras. Mário Laginha compôs os sons. “Cor” é uma viagem entre a “confusão indescritível” de Nova Deli e a “felicidade” do canto africano.

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“Cor” tem todas as cores da voz de Maria João e do piano de Mário Laginha que unem a Índia a Moçambique. Contou ainda com a bateria e as percussões do indicano Trilok Gurtu e com as guitarras de Wolfgang Muthspiel. Música do mundo, numa encomenda feita pela Comissão dos Descobrimentos para a exposição “As Culturas do Índico”, no âmbito da Expo-98. Na calha está uma remistura de dança de um dos temas.

FM – Escolheram a Índia e Moçambique como as duas margens para o álbum. estiveram mesmo lá? Estudaram as culturas?

MÁRIO LAGINHA – Fomos realmente aos sítios, mas houve a preocupação de não estudar cada estilo, cada raga, por exemplo, o que, provavelmente, resultaria em música indiana pior do que aquela que é feita por músicos indianos. O mesmo em relação a África. Fomos lá, inspirámo-nos, ouvimos música, comprámos discos, cheirámos, passeámos, captámos o pulsar de um país.

FM – Para a Maria João foi mais natural integrar a voz na vertente africana?

MARIA JOÃO – É-me mais familiar. Não tenho estado em África nos últimos anos, nem tenho uma memória presente da música africana, embora tenha ido a Moçambique com a minha mãe, que é natural de lá. Digamos que a África está actualmente mais próxima da minha própria lingaugem. Depois do scat e das músicas de vanguarda, a África desaguou na minha personalidade. É uma forma feliz de utilizar a voz e isto tem a ver com a felicidade, com estar bem. Exprimir coisas sem utilizar palavras. Sons próximos dos sons africanos. É o que apetece logo.

FM – E a música indiana? Custou mais?

MARIA JOÃO – Fiquei em pânico. Eles têm uma maneira de colocar a voz muito matemática que não é maneira africana de improvisar. mas esta forma rápida de cantar, característica da Índia, tem estado sempre presente na minha música… As pessoas podem perguntar: “Como é que ela faz, onde é que lea foi buscar?” Não fui buscar a lado nenhum. Ou fui buscar aos milhares de sons que andam no ar, que saem dos CD, das cassetes, das vozes das pessoas, milhões de sons que passam pela nossa cabeça e pelos nossos ouvidos. Uns que ficam, outros não. Depois tudo se traduz naturalmente cá dentro e acaba por ser a minha própria for ma de ver as coisas.

FM – Depois da “cantora de jazz” e da “cantora de música contemporânea”, temos a Maria João “cantora de world music”?

MARIA JOÃO – Esse termo agrada-me. Música do mundo. E a música do mundo engloba também o jazz, onde continuo a ter um pé. E o coração. Foi o género que gerou o meu amor pelo improviso, o meu amor ao som. Cantora de world music? Fixe!

FM – O tema de abertura, “Horn, please”, está cheio de ruídos de trânsito. Foi assim o início da viagem?

MÁRIO LAGINHA – Foi o que sentimos na nossa chegada à Índia. Mas é um caos mais pacífico que o caos português. O trânsito em Portugal é infinitamente mais agressivo, sendo menos caótico. Gravámos as buzinas em Nova Deli.

MARIA JOÃO – Não se vê choques, o que é uma coisa fantástica! Nunca vi um acidente na Índia, em Nova Deli, no meio daquela confusão indescritível do trânsito. E, sobretudo, nunca vi ninguém a discutir. Sente-se uma paz, algures, um certo “veiva e deixe viver”.

MÁRIO LAGINHA – Aliás, o título do tema refere-se ao que escrevem na traseira dos carros, “Horn, please” 8”Buzinem, por favor”), o que é um contra-senso para um europeu que, quando muito, escreveria algo como: “Por favor, não buzine!”

FM – O tema seguinte chama-se “Há gente aqui”…

MARIA JOÃO – É uma continuação. Uma pessoa chega à Índia e vê o quê? A primeira coisa, além do calor que nos assalta logo, é, além do tal trânsito, uma enormidade de gente que há na rua. É inacreditável. Há gente em todo o lado!

FM – A África surge em “Rafael ou a cor de Moçambique”, onde a voz percorre os registos agudos, muito africanos. É aí que se sente mais à vontade?

MARIA JOÃO – É. Talvez o agudo e o grave, nos extremos, seja onde me sinto mais à vontade. O registo médio é onde eu tenho mais complicação a cantar. Mas também se faz (risos)! Mas este nem é dos temas mais agudos. Há um momento, mais à frente, agudísimo, que foi mal misturado. A minha voz é de soprano, suponho eu. Um soprano com graves. estas coisas africanas saem porque a voz dispara sem problemas, sem entraves, sem pensar.

FM – Depois há os temas mais “conrolados”, mais próximos da balada, como “Nazuk”, em que a felicidade de que falava há pouco é substituída por uma certa melancolia…

MARIA JOÃO – “Nazuk”, que significa “frágil”, foi o único tema composto em Nova Deli. É acerca de um elefante. Um elefante que anda pelas ruas carregado de pinturas e de coisas no meio daquela confusão de gente. Um pobre elefante com ar perfeitamente submisso. Fez-me impressão. Andei no elefante no meio da rua, desclaça, subi para cima dele. Mas aquilo tocou-me. É um elefante fora do sítio.

FM – “Saris e capulanas” regressa a um lugar pouco determinado.

MÁRIO LAGINHA – É um tema com uma história engraçada. Eu tinha um balanço para o que se devia chamar “O meu sari amarelo” (como se percebe, um título inventado pela João, aliás como todos os outros), mas não estava a sair nada indiano. O Trilok estava a tocar tablas e só me dizia: “I don’t know what to do here…”

MARIA JOÃO – Até que às tantas descia voz, ouvi o ritmo, e pus-me a dançar samba. E logo o Trilok: “Ah, brazilian! Now I know what to do!”.
No fim do tema há uma percussão vocal minha e dele que me deu muito gozo fazer.

FM – O solo de guitarra no meio de “Preto e branco” foi composto ou improvisado?

MÁRIO LAGINHA – É um improviso. Continuamos a ser, para todos os efeitos, músicos ligados ao jazz. E é isto, aliás, que nos afasta um bocado da world music, que é muito mais fechada, não tão livre como a música que nós fazemos.

MARIA JOÃO – E onde eu mudei a melodia, das coisas que maior gozo me dão. Não dar cabo da melodia mas moldá-la, dar-lhe voltas, atirá-la ao ar e apanhá-la outra vez.

FM – Quem é o Charles de “Charles on a Sunday with Sunday clothes”? É o tema que se aproxima mais da típica balada de jazz.

MÁRIO LAGINHA – Aqui a ideia tem a ver com a Inglaterra que está completamente presente no tema. Chegámos a perguntar à Comissão dos Descobrimentos se não havia problema em focarmos um aspecto que fugia um pouco à temática principal.

MARIA JOÃO – O meu filho, no Natal, fez um desenho para dar ao pai que dizia: “Carlos, no Natal, com roupa de Natal.” Achei o título delicioso. Então comecei a imaginar um inglês, em 1920 – quando os ingleses ainda estavam na Índia -, com as suas roupas escuras, que leva com aquele bafo de cor, bafo de gente. Mas é alguém que fica absolutamente apaixonado, viciado na Índia.

FM – É verdade que já houve uma proposta para fazer uma remistura de música de dança para “Nhlonge yamina”, o tema seguinte?

MARIA JOÃO – Sim, uma dance remix, proposta pela Polygram.

MÁRIO LAGINHA – Temos que ouvir primeiro antes de dar uma opinião. É que a versão do álbum já é dançável, não tem é aquela vertente de discoteca. Mas atrai-me a ideia do tema ser dançado numa discoteca.

FM – Nunca se interessaram pela electrónica?

MÁRIO LAGINHA – Não tenho nenhum preconceito contra. Só que neste momento há muita gente a tocar teclados, toda a gente toca. Acabo por achar que sou mais especial, que tenho uma “voz” mais identificável, enquanto pianista acústico.

MARIA JOÃO – As cantoras de vanguarda que tenho ouvido, já desde a Flora Purim, utilizam a electrónica como extensão da voz para conseguir efeitos. Isso irrita-me! O que gosto de fazer é usar as minhas reais capacidades e levá-las ao limite. Mas se calhar, daqui a cinco anos, vai-me apetecer imenso fazer algo nesse campo… As vozes das pessoas têm n cores. A maior parte dos e das cantoras tendem a cantar numa só direcção, numa cor e voz, e a instalar-se aí. Eu posso cantar em todas as cores. Todas as que me passam pela cabeça. Do mais claro ao mais escuro.

FM – A viagem fecha com “Forbidden love affair”, de novo com acompanhamento de buzinas…

MÁRIO LAGINHA – É um dos temas mais indianos e um dos que concretizam uma ideia central deste trabalho: não entrar por jogos de palvras pseudo-intelectuais, mas sim contar histórias bem e de uma forma musical.

MARIA JOÃO – Foi um tema que aprendi no estúdio e o último a ser feito. Havia um sítio para improvisar, só que não me apetecia nada improvisar aqui, improvisar o quê? Então decidi improvisar com uma letra. Veio-me à cabeça uma série que passou na televisão há muito tempo, “A Jóia da Coroa”. Lembro-me que havia a história de um indiano e de uma inglesa, passada em 1908, que se chamava, precisamente, “A forbidden love affair” (“Um amor proibido”). Havia a dificuldade de eles atravessarem uma ponte para se encontrarem.

Nota:
Lobos Sinfónicos
Além de “Cor”, Maria João e Mário Laginha têm outro disco já pronto. Chama-se “Lobos, Raposas e Coiotes” e foi gravado com a Orquestra Sinfónica de Hannover, dirigida por Arild Remmereitt. A paresentação ao vivo está marcada para 2 de Junho, no Dia de Honra da Siemens, na Praça Sony no recinto da Expo. A 4 de Junho os “Lobos, Raposas e Coiotes” irão até ao Europarque, em Vila da Feira, Porto. O quarteto de “Cor”, com o percussionista indiano Trilok Gurtu e o guitarrista alemão Wolfgang Muthspiel, actua, por sua vez, a 10 de Junho, no palco das docas, também na Expo.

O Público Propõe Um Nobel Para A Música

16.10.1998
O Público Propõe Um Nobel Para A Música
E o Prémio Vai Para…
…… mix article …….

FM
Peter Hammill

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Se houvesse um Prémio Nobel subjectivo e intransmissível, atribui-lo-ia a Peter Hammill, músico e poeta inglês em actividade desde os anos 60. Mas esse é o curso subterrâneo e mágico das afinidades e das coincidências da alma. Artista romântico, no sentido em que o indivíduo concentra sobre si o grande combate cósmico do bem contra o mal, Peter Hammill acrescentou a esta dimensão, que prolonga o drama existencial de poetas como Novalis ou Höelderlin, uma extraordinária capacidade poética e um não menor talento para teatralizar vocal e instrumentalmente a força do verbo. Um verbo que desce à Terra pelos braços do inconsciente colectivo de Jung e de Laing numa ampliação que é, também, uma aventura vivida em conjunto e em segredo no cume da montanha de que Nietzsche falava. Bastaria o facto de ter gravado duas das obras-primas que hão-de asombrar, para sempre, a música popular – “Pawn Hearts”, de 71, com os Van Der Graaf Generator e “In Camera”, de 74, a solo – para ser digno de um prémio na categoria imaginária dos Grandes Exploradores.
… já agora, o resto da lista… “always the list”:
Nuno Pacheco –> Amália
Augusto M. Seabra –> Pierre Boulez
Nuno Corvacho –> Brian Eno
Luis Maio –> KLF
Cristina Fernandes –> Yehudi Menuhin
Carlos Mota –> Lou Reed
Virgílio Melo –> Karlheinz Stockhausen
Rui Catalão –> Caetano Veloso
Rui Cidra –> Neil Young

Suzanne Vega Regressa Com Álbum De Sucessos – Canções À Prova De Bala

02.10.1998
Suzanne Vega Regressa Com Álbum De Sucessos
Canções À Prova De Bala
Suzanne Vega está de volta com uma colectânea intitulada “Tried and True” que reúne alguns dos seus maiores sucessos, como “Luka”, “Marlene on the Wall” e “Book of Dreams”. Um formato que a cantora gostaria de explorar com mais assiduidade, em retrospectivas temáticas com versões acústicas ou de todas as “canções subordinadas ao tema da saúde mental”, por exemplo.

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“Podia perfeitamente pegar em todas as minhas canções e voltar a editá-las de maneiras diferentes, de modo a que as pessoas pudessem experimentá-las também de maneiras diferentes”. Colecções arrumadas em versões acústicas de velhas canções, ou por temas específicos, como a “saúde mental”. Por aqui se vê que Suzanne Vega, uma das compositoras-intérpretes mais importantes da moderna música popular norte-americana é adepta incondicional deste tipo de discos: “Tenho a casa cheia de discos de ‘Greatest Hits’!”, garante. Por detrás deste interesse está a necessidade de olhar constantemente para o passado e a vontade de recontextualizar a obra feita. “Se dependesse de mim, lançava uma colectânea todos os anos”, diz a cantora que, até à data, já editou cinco álbuns de originais: “Suzanne Vega”, “Solitude Standing”, “Days of Open Hand”, “99,9º F” e “Nine Objects of Desire”. Embora ela própria não tivesse tido ainda a oportunidade de paresentar as suas próprias versões, outros, como Peter Behrens, Mats Höjer, Michiagn & Smiley, Nikki Sudden, Beth Watson e DNA, já o fizeram, no álbum “Tom’s Dinner”, um apanhado de versões “engraçadas”, “brilhantes” ou “estranhas”, nas palavras da compositora.
Entre 1996, ano de edição de “Nine Objects of Desire”, e a actual colectânea, Suzanne Vega passou o tempo com a família e aproveitou para pôr em ordem a colecção das letras dos seus discos, que sairão reunidas em “The Passionate Eye”, livro a editar nos Estados Unidos na Primavera do próximo ano.
Esta preocupação com os textos constitui desde sempre uma das características principais da autora de “Luka” – uma canção sobre os maus tratos infantis – ao mesmo tempo que reflecte a influência que sobre ela exerceram “singer songwriters” clássicos como Bob Dylan, Lou Reed, Leonard Cohen, Paul Simon e Laura Nyro. Vega já tocou, aliás, ao vivo, com um destes seus heróis, Lou Reed. Com Leonard Cohen, gostaria de poder gravar algum dia, um disco.
De Suzanne Vega, pese embora a nomenclatura do seu nome, não se espere o comportamento típico de uma estrela. O que Suzanne Vega é, é o que está nos discos. O resto, a indústria e as suas pressões, podem esperar. A próxima digressão, por exemplo, está condicionada pelos horários escolares da filha. Por isso será preciso esperar até ao próximo Verão, época de férias, para ser reatado o convívio com a estrada.
Não que a cantora tenha especial predilecção pelas longas deslocações que qualquer digressão exige. Para Vega actuações ao vivo e digressões não são bem a mesma coisa. “Embora adore cantar ao vivo para as pessoas, gostaria de o poder fazer sem ter de me deslocar até aos locais dos concertos”. Lembra, a propósito, um dos concertos que mais a marcou, em 1989, no festival de Glastonbury, onde foi obrigada a actuar em circunstância muito especiais: “Houve ameaças de morte contra mim e contra o baixista, Mike Visceglia. Fui forçada a actuar em frente de uma fila de polícias, com helicópteros a sobrevoar constantemente o palco. Cantei vestida com um coleta à prova de bala. Acabou por correr tudo bem, mas foi, sem dúvida, o concerto mais stressante de toda a minha carreira”.
Mas o mais vulgar nos concertos de Suzanne Vega não é a cantora ser recebida a tiros mas de braços abertos, embora as reacções variem bastante de país para país. A diferença entre o público japonês e o norte-americano, por exemplo, constitui um enigma: “No Japão são muito calmos e respeitadores mas, estranhamente, parecem compreender bem as letras das canções. Na zona ocidental dos Estados Unidos, pelo contrário, as pessoas são mais barulhentas e apreciativas, quando gostam em particular de uma canção, só quem também estranhamente, parecem não fazer a mínima ideia do que é que ela fala, nem parece que falamos a mesma língua. É uma daquelas coisas misteriosas que não consigo explicar”. Já na Inglaterra “as pessoas são muito sarcásticas e interrogativas, mas é porque estão a gostar”. Por enquanto Suzanne Vega não poderá saber qual o tipo de reacção do público português. Mas a julgar pelo bom acolhimento aos seus discos, não estará longe de ser um dos “Nine Objects of desire” que dão título ao seu último disco de estúdio.

Livro De Sonhos

Suzanne Vega, em discurso directo, sobre cada uma das cancções de “Tried and True: The Best Of…”:

“Luka”
Foi um grande sucesso em 1987. É, provavelmente, a minha canção mais conhecida. Fala de um rapaz chamado Luka que sofre maus tratos dos pais. Toda a gente quis saber se existiu de facto, um Luka. A resposta é sim. Vivia no andar de cima do meu prédio. Mas, na verdade, os pais não lhe batiam.
“Tom’s diner”
Existe um “Tom’s Diner” na rua 102 da Broadway, chamado “Tom’s Restaurant”. A versão aqui incluída foi remisturada pelos djs D. & A.. Ao contrário do que tem sido dito, gosto bastante dela, motivo pelo qual a editei em single.
“marlene on the wall”
Pertence ao meu primeiro álbum e foi escrita a partir de um ponto de vista inspirado num poster de Marlene Dietrich que tinha colado no meu quarto. Procura responder aquelas pessoas que se interrogam sobre quem era Marlene.
“Caramel”
Uma espécie de tributo à bossa nova dos anos 60. Costumava ouvir Astrud Gilberto, que cantava “A Rapariga de Ipanema”. Sempre quis compor uma canção como essa. É a minha versão.
“99,9º F”
O assunto é, na verdade, muito simples. É sobre namorar com alguém. O tema não é a doença, ao contrário do que algumas pessoas pensam.
“Small blue thing”
Outra canção de amor, embora não convencional. Basicamente descreve um ambiente especial. E responde à questão: “se eu fosse uma coisa pequena e azul que tipo de coisa pequena e azul é que seria?”.
“Blood makes noise”
Deu-me imenso gozo a gravar. Cantei numa das pistas através de um megafone e noutra com a minha voz natural. É uma canção sobre não se ser capaz de comunicar com alguém por causa da ansiedade e do medo. Como estar preso numa casca de noz.
2Life of center”
Foi escrita para o filme “Pretty in Pink”, em especial para o personagem principal, desempenhado por Molly Ringwold”. a partir do guião, escrevi-a a pensar na sua personagem mas também na minha.
“In Liverpool”
Escrevi-a para um amigo de longa data, quando chegou de Liverpool. Pertence a uma época em que andava em digressão e visitei essa cidade.
“Gypsy”
Outra canção escrita para essa mesma pessoa. Portanto, ele tem duas canções que lhe dizem respeito, embora, de facto, não as mereça. Não voltei a vê-lo desde esse Verão, já há muito tempo, o que acho bem. Há coisas que devem ser deixadas como estão.
“Book of Dreams”
Está ligada a um período que se seguiu a uma digressão, em que estive sem actuar ao vivo durante um ano, a recuperar e em que dormia muito. Descobri que sonhava muito. Muitas das canções de “Days of Open Hand” estão relacionadas com sonhos e com introspecção. É a canção central deste álbum.
“No Cheap Thrill”
Fala de romance utilizando a linguagem do jogo. Penso que fala por si.
“World before Columbus”
Composta para a minha filha. Pretendi escrever algo que expressassse os meus sentimentos por ela, um bebé, mas sem que isso soasse como uma canção de embalar ou uma canção para bebés.
“When heroes go down”
Uma canção curta, 1m54s, que também fala por si.
“The Queen and the Soldier”
trata-se, provavelmente, de uma das minhas canções mais misteriosas. Não consigo dizer, exactamente, de onde é que surgiram as imagens, embora já muita gente me tivesse feito essa pergunta. Há quem afirme que foi escrita da perspectiva da rainha mas isso não é verdade. Senti-me na pele tanto da rainha como na do soldado.
“Book & a cover” e “Rosemary”
Duas canções inéditas. “Book & a cover” fala de não julgar as pessoas com base nas aparências. “Rosemary” é uma canção sobre o desejo de se ser recordado, o que julgo ser uma maneira apropriada de finalizar uma retrospectiva.