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Bandas Novas – “Hoje Guimarães, Amanhã Belém” – Artigo de Opinião

POP ROCK

30 Abril 1997

BANDAS NOVAS
O POP/ROCK anda à procura de novos artistas e bandas portuguesas. Não temos preconceitos de línguas, cores ou paladares musicais. Só precisamos que nos enviem gravações e um contacto telefónico. Fotos e biografias não são obrigatórias, mas muito convenientes.

HOJE GUIMARÃES, AMANHÃ BELÉM

Tocar Bach, Vivaldi ou Prokofiev com guitarras eléctricas e bateria recorda de imediato o rock sinfónico dos anos 70 e bandas como os Ekseption, The Nice ou Emerson, Lake and Palmer. Pois é isto mesmo que fazem os Neo Simphonyx, uma banda de Guimarães que pretende “fazer chegar a música clássica a todo o género de ouvintes, em qualquer faixa etária”.
“Temos uma interpretação da música baseada muito nos originais, tal como foram compostos”, elucida Paulo Magalhães, um dos dois guitarristas do grupo, com formação clássica. As guitarras eléctricas, o baixo e a bateria substituem os instrumentos clássicos. “Os violinos, essa coisa toda, as pessoas não estão para ouvir esse tipo de instrumentos. Não têm paciência, não estão habituados, até porque a música, hoje, é mais eléctrica”. O grupo andou algum tempo a tocar Police e Queen, até chegar ao momento em que optaram pela recriação do reportório clássico. Embora a maioria dos elementos tenha formação clássica, os arranjos são feitos “de ouvido”: “Tiramos as partes mais graves para o baixo, as melodias principais para as guitarras, se houver mais, são feitas pelo teclado. Ao vivo conseguimos criar uma sonoridade quase de orquestra”.
Escolher as obras é que foi “um bocado complicado”. Mozart, Beethoven e Bach são os eleitos, só que muitos temas destes compositores “não davam para tocar ao vivo, não era possível fazer a transposição”. Gastaram quase dois anos neste processo de selecção, até chegarem ao actual alinhamento que inclui peças, além destes compositores, de Fauré, Richard Strauss, Prokofiev, Tchaikovsky, Rossini e Bizet.
“A nossa música está muito na linha do rock sinfónico”, confirma Paulo Magalhães. A mesma linha seguida pelo outro lado deste projecto, que talvez se passe a chamar simplesmente Simphonyx, onde os cinco músicos, mais o vocalista Carlos Barros, se dedicam a compor e interpretar apenas originais do grupo, como “Masquerade” e “Red moon”, com letras em inglês que falam do “Imaginário”, do “belo” e do “futurista”.
Gostavam de gravar um disco. Mandaram uma maqueta “para todas as editoras nacionais”. E para o estrangeiro, “seguramente aí para umas 30 ou 40”. Receberam quatro ou cinco respostas do estrangeiro, “principalmente da Alemanha”. “Ficaram com a cassete em arquivo, para posterior análise”. De Portugal não receberam nenhuma, a não ser da Independent records que, embora tecendo elogios à banda, disse “não ter hipóteses de editar o trabalho”.
Ao vivo, os Neo Simphonyx não descuram uma apresentação adequada à música que fazem. Vestem-se a preceito com trajes do século XVIII, que mandaram fazer, e utilizam projecções de imagens alusivas aos temas. Já tiveram uma bailarina, mas a escassa dimensão dos palcos, impediu a continuação da experiência. Mas levam um poeta para declamar poemas da sua autoria.
Os Neo Simphonyx têm tocado sobretudo nos bares dos arredores de Guimarães, no Porto e em Famalicão, aqueles com ambiente mais calmo, onde as pessoas podem ouvir, mas o seu grande sonho é poderem um dia “tocar no CCB, acompanhados por uma orquestra”

Nome Neo Simphonyx
Origem Guimarães, em 1989
Formação Martinho (guitarra), Paulo (guitarra), Mota (baixo), Carlos (bateria) e Martinho (teclados e guitarra)
Ponto alto Chegar à formação ideal, à qual chegaram somente há dois anos atrás. Antes “eram só trocas de guitarristas e do baixista”. Em termos de actuações ao vivo: Concerto num concurso realizado da discoteca Komplexus, em Famalicão, onde alcançaram o 2º lugar. “Estavam cerca de três mil pessoas e fomos muito bem recebidos”.

“Novo Álbum De Sérgio Godinho Em Fase De Remisturas” – Artigo De Opinião

POP ROCK

26 Março 1997

Novo álbum de Sérgio Godinho em fase de misturas


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Sérgio Godinho saiu dos estúdios Cha Cha Cha – onde esteve a gravar durante um mês – na passada sexta-feira, terminando a fase de gravações do que será o seu próximo álbum de estúdio, primeiro desde “Tinta Permanente”, de 1993. Anteontem, o cantor-compositor partiu para Paris, onde efectuará o trabalho de mistura e masterização. O álbum tem, na maior parte dos temas, direcção musical e produção de Manuel Faria, funções que, noutros temas, partilha com o próprio compositor e com Paulo Pulido Valente.
Trabalho colectivo por excelência, “um disco de músicos”, como o próprio Sérgio Godinho fez questão de salientar, os arranjos dividem-se por Manuel Faria (em quatro temas), Kalu, dos Xutos e Pontapés (dois temas), Tomás Pimentel, João Aguardela, dos Sitiados, Jorge Constante Pereira, José Mário Branco (colaboração que põe termo a um longo intervalo de “separação” entre os dois músicos), havendo ainda um tema arranjado por vários elementos dos Rádio Macau.
Com a participação de cerca de 40 músicos, incluindo um quarteto de cordas e um naipe de metais, o novo álbum de Sérgio Godinho terá Kalu a tocar bateria na maioria das canções, com participações ocasionais, neste instrumento, de Sérgio Figueiredo, dos Despe e Siga, André Sousa Machado e Rui Alves. Nani Teixeira toca baixo e Nuno Rafael, também dos Despe e Siga, encarrega-se da guitarra eléctrica. Outros convidados são Ricardo Rocha, na guitarra portuguesa, Tito Paris, na guitarra, e Carlos Guerreiro, que participa numa versão “reformulada” e “irreconhecível” de um tema que faz parte do alinhamento do álbum de estreia dos Gaiteiros de Lisboa, “Invasões Bárbaras”.
Segundo Sérgio Godinho, é um álbum “que aponta em várias direcções, extremamente aberto ao nosso tempo, com um caminho central reconhecível”, onde se cruzam as “leituras” características do autor de “Pano-Cru” com as “contribuições de Manuel Faria e dos outros músicos”. Há ainda algumas “rupturas”, ou “evoluções”, onde se apontam “novas pistas”, num disco “mais agreste” e com um som “mais sujo” do que os anteriores. “Histórias contadas” e “coisas que não são histórias”, onde se misturam ambientes que passam por Kurt Weill, “loops” de bateria, ritmos de chula e “rock” do duro, percorridos pelas habituais personagens saídas da imaginação de Sérgio Godinho.
Só depois da chegada de Paris, onde Sérgio irá permanecer uma semana, é que será decidida a data de lançamento do novo álbum.



Tocá Rufar Nas Escolas – Artigo de Opinião

POP ROCK

12 Fevereiro 1997

TOCÁ RUFAR NAS ESCOLAS

Rui Júnior assinou um contrato com as câmaras de Lisboa e do Seixal, selando um projecto que visa, a curto prazo, a criação de “workshops” permanentes de percussões tradicionais nas escolas, para já, da zona metropolitana de Lisboa. As pequenas orquestras que se formarem juntar-se-ão num gigantesco espectáculo a apresentar na Expo-98. O Som do Ó vai ouvir-se a léguas de distância.


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O Departamento de Juventude da Câmara Municipal e o Departamento de Educação e da Cultura da sua congénere do Seixal são as duas entidades oficiais com que Rui Júnior assinou um protocolo de colaboração. A ideia é criar, com base permanente, “workshops” de instrumentos de percussão tradicional portuguesa, em diversas escolas do país. Para já, Lisboa e Seixal constituíram-se como parceiros de Rui Júnior e restantes elementos do grupo de percussão O Ó Que Som Tem, para levar por diante este projecto, designado de “Tocá Rufar – Oficinas de Percussão”.
Em Lisboa são cerca de 30 a 40 as escolas – do 2º e 3º ciclos do Ensino Básico e do Secundário – que aderiram, e o Seixal abrirá as portas de 17 das suas escolas. A coordenação, em cada escola, será entregue a pessoas habilitadas, estando a coordenação geral de todo o projecto a cargo de Rui Júnior.
No próximo ano, 300 percussionistas (200 já contam com o apoio prometido pelas câmaras) seleccionados das pequenas orquestras que entretanto se formarão nas diversas escolas juntar-se-ão para um espectáculo colectivo de grandes dimensões, a realizar no âmbito da Expo-98.
Em Lisboa, a orientação dos “workshops” será entregue a futuros professores de Música e de Educação da Escola Superior de Educação de Lisboa. “Vamos tentar tirar o máximo proveito destas pessoas, visto já serem adultos, para poderem dar alguma continuidade a este género de trabalho, embora seja nossa intenção que cada pequena orquestra se torne autónoma”, diz Rui Júnior. A coordenação geral está-lhe entregue, bem como a outros elementos ligados a O Ó Que Som Tem, entre os quais Guiomar Matela e Domingos Morais, professor ligado à Etnomusicologia que funcionará com conselheiro pedagógico no campo das recolhas que se irão fazer. José Mário Branco também aceitou ser conselheiro musical.
Em relação ao espectáculo da Expo-98, haverá uma primeira fase, “um período de sensibilização, até Junho”, seguindo-se “uma fase de selecção para a orquestra”. Mas os “workshops” não se esgotam no horizonte da Expo nem nos alunos seleccionados. “Vamos fazer os ‘workshops’ para um número bastante superior de alunos. Os outros miúdos, que não forem seleccionados, serão objecto de um segundo projecto, paralelo a este, para dar apoio contínuo, sob a forma de oficinas de trabalho.”
Entusiasmado com a tarefa de pôr em prática um trabalho que se pode considerar inédito no país, Rui Júnior considera como “maior desafio” a “mobilização dos jovens”. Tem, para já, apoios monetários e algumas garantias: “Se conseguirmos mobilizar mais jovens do que aqueles que, à partida, as direcções das escolas apoiam, estas estarão dispostas a manter esse apoio, desde que as inscrições assim o justifiquem.”
Para O Ó Quem Som Tem, este alargamento de actividades corresponde a uma necessidade. “Uma coisa complementa a outra”, diz Rui Júnior. “No fim disto tudo, o problema actual de O Ó Que Som Tem, bem como de muitos músicos de uma certa área, é não haver mercado em Portugal. Em parte, nós músicos somos responsáveis por isso, porque não dedicamos uma parte do nosso trabalho ao ensino. Temos que deixar de enviar a bola de uns para os outros.”
Os bombos, caixas, timbalões, adufes, até os “pequenos instrumentos decorativos” da família das percussões tradicionais portuguesas vão ter outro estatuto e mais mão para os tocar. Rui Júnior está ainda a preparar, desde há um ano, um livro sobre o assunto. “Não o acabo porque cada vez descubro mais e diferentes instrumentos. É um território muito vasto.” Sobre o grupo, tem um sonho: “Gostava de fazer de O Ó Que Som Tem uma companhia de música, assim como funcionam as companhias de teatro, que estão constantemente a ensaiar e a aperfeiçoar o seu projecto.”
Em matéria de espectáculos, O Ó Que Som Tem irá tocar no dia 6 de Março no Ritz Clube, em Lisboa, em Junho no festival “Tambores do Sul”, a decorrer em Paris no Espace de l’Hérauld, e em Novembro em Macau.