Arquivo mensal: Setembro 2023

Vários – “The Impressionists”

pop rock >> quarta-feira, 03.02.1993
NOVOS LANÇAMENTOS


Vários
The Impressionists
CD Windham Hill, distri. BMG



O termo “impressionista” começou por ser ofensivo antes de ser arte. Os impressionistas eram artistas que nunca diziam nada de forma directa. Jogavam com a subjectividade da percepção. Pintavam e compunham a partir de pontos, manchas, luz. Em suma, não mostravam “coisas” mas sim “impressões”, como a designação deixa entender. Um grupo de músicos da editora Windham Hill, das primeiras a lançar o termo “new age”, jugou que tinha uma palavra a dizer sobre o assunto. Reuniram-se as hostes, os pianos, as guitarras acústicas e as cordas sintéticas, acenderam-se os paus de incenso e deitou-se mãos a peças de Gabriel Fauré, Claude Debussy, Maurice Ravel e Erik Satie. O resultado, semelhante ao que Waldo de Los Rios fez com Vivaldi, mas mais lento, é bastante soporífero. As “Sicilienne”, “Pavane” e “Sontine” transformaram-se em “sprays” de Brise e romances de cordel. Faz pena ver as “Gimnopédies” de Satie serem assassinadas por Tim Story e Alex de Grassi, e confusão os manos Triona e Micheál O’ Dhomhnaill (ilustres da folk irlandesa) metidos nestas andanças, com os Nightnoise. Graças à Windham Hill, “impressionista” volta a ser um insulto. (3)

Gerry Rafferty – “On A Wing And A Prayer”

pop rock >> quarta-feira, 03.02.1993
NOVOS LANÇAMENTOS


Gerry Rafferty
On A Wing And A Prayer
CD Polydor, distri. Polygram



Gerry Rafferty fez parte dos Humblebums e, mais tarde, dos Stealers Wheel, dois dos muitos grupos de pop folk que proliferavam em Inglaterra nos anos 70. A solo assinou um “slow” que chegou aos tops e foi clássico nos bailes e convívios de liceu, ideal para se dançar agarradinho, “Baker Street”, esse mesmo, do solo de saxofone meloso por Mel Collins, um homem que chegou a pertencer aos King Crimson, na época de “Lizard”. Passaram os anos e Rafferty encontrou o seu nicho de bom melodista, uma espécie de Paul McCartney que não teve a sorte de ter pertencido aos Beatles. As canções do novo álbum são um pouco mais duras que o habitual, numa tentativa de mostrar a ferocidade rock do artista. O lado “soft” assentava-lhe melhor. As canções não deixam rasto, nem é por Mel Collins continuar presente que chega a haver alguma excitação. B. J. Cole também faz uma perninha. (5)

Shawn Colvin – “Fat City”

pop rock >> quarta-feira, 03.02.1993
NOVOS LANÇAMENTOS



Shawn Colvin
Fat City
CD Columbia, distri. Sony Music



“Steady On”, o disco estreia de Shawn Colvin, era engraçado, na recriação que fazia da fase “country folk” de Joni Mitchell. Já a sequência é menos feliz. Shawn leva mais longe o mimetismo e a devoção, ao ponto de convidar a própria Joni Mitchell para tocar percussão e bater palmas num dos temas, sendo a produção entregue a Larry Klein, marido e produtor da canadiana dos dentinhos, o que contribui para acentuar ainda mais a semelhança. As canções é que não ajudam, raramente escapando à vulgaridade. Salvam-se dois momentos preciosos, em “Monopoly” e “Set the prairie on fire”, este último uma tradução convincente, em termos de ambiente e sonoridade, de cores e emoções crepusculares criados com a ajuda da “Pedal steel guitar” de Chris Whitley e o órgão Hammond de um velho senhor chamado Booker T. Jones. De resto, nem a presença de Bruce Hornsby, Mary-Chapin Carpenter, Richard Thompson, Alex Acuna e Richie Hayward (Little Feat) entre os convidados consegue evitar o tom morno de um disco sem grandes rasgos mas que se deixa ouvir sem esforço. (6)