Arquivo mensal: Fevereiro 2015

Rolling Stones – “More Hot Rocks (big hits & fazed cookies)”

Pop Rock

6 MARÇO 1991
REEDIÇÕES

ROLLING STONES
More Hot Rocks (big hits & fazed cookies)

LP duplo, London

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Primeira editora dos Stones, a London aproveitou a “Jungle Tour” do ano passado para as recompilações da praxe. Depois de um primeiro “Hot Rocks” com os êxitos todos, esticou muito o pescoço e atirou cá para fora mais quatro lados inteirinhos tirados do material que gravaram entre 1964 e 1972. Por ordem (mais ou menos) cronológica, que é aquela que permite maior arrumação, ou seja, a mais rápida e fácil. Depois é só esperar que o peixe pique. Nada de especial, senão para os fanáticos e os novatos, aqueles que vão a todas: “Tell me” e “It’s all over now” (do álbum estreia de 1964), a versão de “Not fade away”, de Buddy Holly, “The last time”, de “Out of Our heads” (1965), “I’m free” e “Out of time”, de “Aftermath” (1966), correspondentes à fase áspera dos rhythm’n’blues, como aperitivo. Um saltinho até 1969 e ao clássico “Lady Jane”, para recordar a voz cínica e sensual de Mick Jagger nos seus melhores tempos. Desse ano em que gravaram um dos seus melhores discos de sempre – “Let it Bleed”, incluem-se ainda o título-tema e “Sittin’ on a fence”. De “Their Satanic Majesties Request” – por muitos considerado um monumental fracasso, uma obra a todos os níveis falhada e que este crítico considera, ao invés, como o seu melhor – recuperam-se “She’s a rainbow” (que maravilha!) e o estonteante/incompreensível e orgulhosamente psicadélico “2000 light years from home”. Mas há mais, embora de menos – onde estão os clássicos todos, omitidos sem que nos seja dada qualquer “satisfaction”? Está bem, a intenção não é essa, mas a de divulgar os temas mais obscuros. Acontece que, no caso dos Stones, os tais clássicos, como “Brown sugar”, “Street fighting man”, “Sympathy for the devil”, “I can’t always get what you want”, “Jumpin’ Jack flash”, entre tantos outros, correspondem, de facto, às suas melhores canções. **



Leo Ferré – “Les Loubards” + Sérgio Godinho – “Canto Da Boca”

Pop Rock

6 MARÇO 1991
REEDIÇÕES

LEO FERRÉ
Les Loubards **
LP, MC e CD, EPM, distri. Dargil

leoferre

SÉRGIO GODINHO
Canto da Boca ***
LP / MC / CD, Philips, distri. Polygram port.

sg

Editados respectivamente em 1986 e 1981, os discos de Leo Ferre e Sérgio Godinho voltam a surgir no mercado, acompanhando a actual tendência para recuperar tudo o que é antigo. Ambos os artistas partilham o prazer da palavra – Leo Ferre canta neste disco textos de Jean-Roger Caussimon; Sérgio Godinho escreve ele próprio todas as palavras que aqui se pronunciam pelo canto da boca, mostrando que já vem de trás o gosto pelo trocadilho. O disco de Ferre não é famoso – para além das valsas “J’ entends passer le temps” e “Les Drapeaux merveilleux”, fica a usual torrente de palavras, ditas com raiva, ternura ou amargura pelo velho poeta anarquista. “Canto da Boca” inclui, ao contrário do que acontece com o álbum do francês (de quem Sérgio Godinho se afirma incondicional admirador), alguns clássicos: Com um Brilhozinho nos Olhos”, “É Terça-feira” e “O Porto aqui tão perto”. Sabe bem recordá-los e de novo enternecer-nos com o intimismo sentido de “Já Joguei ao Boxe, já Toquei Bateria”, “Eu Contigo” e “Sempre foi assim”. O regresso dos poetas.



Klaus Schulze – “Dresden – Imaginary Scenes”

Pop Rock

20 FEVEREIRO 1991

KLAUS SCHULZE
Dresden – Imaginary Scenes

LP e CD, Venture, distri. Edisom

dresden

Foi há 21 anos que Klaus Schulze começou a compor o longo tema instrumental electrónico que constitui o “opus” capital do seu trabalho, distribuído, nas suas diversas fases, por uma discografia composta, até agora, de 27 álbuns. O berlinense, responsável pela divulgação da chamada “escola planante” alemã, inventou uma linguagem, na época inovadora, para os sintetizadores, inspirada na grandiosidade dos românticos e de Richard Wagner em particular.
Nunca mais abandonou esse discurso. Pelo meio ficaram obras-primas como “Irrlicht”,“Mirage” e, sobretudo, os duplos “X” e “Audentity”, fundamentais para a compreensão de uma das vertentes mais significativas da música electrónica.
“Dresden” diferencia-se do anterior (e francamente monótono) “Mediterranean Pads” pela troca do frenesim rítmico por uma maior insistência na harmonização de grandes naipes orquestrais. De resto nada mudou: as mesmas lentas e majestosas progressões melódicas, a exploração controlada das possibilidades tímbricas do computador, uma unidade temática inquebrantável. Capítulo só indispensável para quem não sabe distinguir a “palha” de essencial. **