Arquivo mensal: Dezembro 2009

Metamatics & Clatterbox – Project Unison

04.05.2001
Metamatics & Clatterbox
Project Unison
Neo Ouija, distri. Symbiose
7/10

metamaticsclatterbox_projectunison

De quando em quando, surgem trabalhos na área da música de dança capazes de captar a atenção dos menos iniciados no género. “Project Unison” é um deles. Se o anterior álbum dos Metamatics (Lee Norris), “Midnight Sun Pig”, soa ao típico objecto de “música a metro” destinado a fazer mexer os músculos nos “dancefloors”, esta colaboração, “fifty fifty”, com David Kempston (Clatterbox) é um gracioso “ballet” de grooves suspensos nas nuvens e microbandas sonoras eivadas de nostalgia. E se as roldanas rítmicas dos Kraftwerk são convenientemente digitalizadas em temas como “Inbetween fields”, é a flutuação das melodias – oscilando entre o cenário de fundo desenhado a filigrana e “zooms” que rompem o minimalismo das programações – que aproxima “Project Unison” da electrónica dos Kreidler. A música de dança pode ser, como aqui, deliciosamente frágil.

Michael Stearns – Collected Ambient & Textural Works, 1977-1987

21.05.1997
Michael Stearns
Collected Ambient & Textural Works, 1977-1987
FATHOM, DISTRI. STRAUSS

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LINK (“Encounter – A Journey In The Key of Space – (1988)”

Colectânea de temas ambientais pelo autor e clássicos como “Encounters” (obra emblemática da space music actual), “Kiva” e “The lost World”, recolhidos dos álbuns “Desert Moon Walk”, “Ancient Leaves”, “morning Jewel”, “light Play”, “lyra”, “M’ ocean”, “Jewel” e “Floating Whispers”. Um álbum em que o lado mais ilustrativo da obra recente deste ilustre representante da escola californiana é substituído pela manipulação de paisagens e texturas sonoras cuja inspiração em Brian Eno é óbvia. a presente reedição é completada por uma outra, e sinal inverso, reunindo música de carácter temático, de genérico “Collected Thematic Works”. (7)

John Lennon – John Lennon/The Plastic Ono Band

04.05.2001
John Lennon
John Lennon/The Plastic Ono Band
EMI. distri. EMI-VC
8/10

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LINK

Depois de três álbuns de experimentalismo com Yoko Ono ( a megera que destruiu os Beatles, na opinião do resto do mundo), John Lennon pôs a sua alma a nu neste álbum de 1970. “John Lennon/The Plastic Ono Band” (agora remasterizado e remisturado) é a entrega total e a declaração de amor sem reservas a uma mulher, Yoko. A esta exposição quase despudorada de sentimentos, de amor, mas também de revolta (“Mother”), solidão (“Isolation”) e perda (“My mummy’s dead”), fez o ex-Beatle corresponder o despojamento dos arranjos e palavras que se lêem como cartas pessoais. Sentimo-nos intrusos entre a sessão de terapia pelo grito de “Mother” ou o intimismo a dois de “hold On”. Mesmo quando libertava a sua veia mais politizada, em “Working class hero”, ou reduzia todos os deuses a simples ilusões (“God”). Imaginamo-lo para sempre sentado em frente ao seu piano branco, numa imensa sala vazia.