Marta Dias – “Yué”

POP ROCK

30 Abril 1997
portugueses

Marta Dias
Yué
ED. E DISTRI. UNIÃO LISBOA


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Os primeiros sons de “Ai Mouraria” não auguram uma experiência inolvidável. Se a voz de Marta Dias impressiona de imediato, o mesmo não acontece com a justaposição de um regionalismo afadistado à la Anamar com a dolência “trip hop” que o produtor Jonathan Miller soube adoptar à realidade lusitana. Mas quando percebemos nos versos uma coisa como “Fora da janela há uma verdade que desmente, uma imagem virtual vendida como fado a toda a gente”, compreendemos que por detrás do emblema brilha a inteligência e um espírito atento. Não que Marta Dias se embrenhe em matérias complicadas, antes pelo contrário, a sua postura e colocação vocal não poderiam ser mais “cool”. “Yué” é uma espécie de sonambulismo latente num passeio pelas tais ruas virtuais de um país sem centro. A cantora não esconde o seu gosto pela “soul” nem um descomprometimento no modo como se aproxima da música de dança (“Say you could be mine”). O vibrafone está omnipresente, acentuando o lado etéreo da música, por vezes consentindo um sabor a “chill out”, noutras cedendo ao arrastamento exigido pelas estilizações “hip” ou “trip hop”. Mais portuguesa em “Flores do verde pinho”, mais triste em “Tão longe”, mais vulgar em “Amor”, mais internacional e imersa nas correntes em voga em “Seen it all before” e “Baby”, Marta Dias percorre, quase com displicência, o espectro menos velado de uma música da alma bastante menos portuguesa do que seria de supor. (6)



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