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Kronos Quartet – “All the Rage”

Pop Rock

24 NOVEMBRO 1993
NOVOS LANÇAMENTOS POPROCK

Kronos Quartet
All the Rage

Elektra Nonesuch, distri. Warner Music


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A capa mete medo, na linha de algumas monstruosidades gráficas recentes de John Zorn com os Naked City. A música, a seu modo, também. “All the rage” é uma peça de dezasseis minutos e quinze, escrita por Bob Ostertag (guitarrista, desestruturalista, tocou com Fred Frith e companhia, gravou a solo, entre outros os álbuns “Expeditions”, “Getting a Head”, “Attention Span” e “Sooner or Later”), que ocupa a totalidade do CD, com distorções e dissonâncias várias dos instrumentos de corda, sobre um fundo de gritos da turba, vidros de janela partidos, apitos e uma voz narrativa a contar uma história de raiva, discriminação e violência. É uma história triste, que começou pela recusa de um político californiano em proclamar uma medida destinada a proteger os homossexuais de ambos os sexos da discriminação e acabou em pandemónio. Ostertag gravou a manifestação de protesto que então se realizou e dela seccionou palavras de ordem gritadas pela multidão ou incitamentos de fúria, como “Burn it”, soltos no próprio momento em que o edifício estatal já ardia. Os apitos que se ouvem com insistência, soprados em uníssono na ocasião por milhares de manifestantes, são usados na rua pelos “gays” e lésbicas para pedirem socorro quando são atacados. Os Kronos Quartet ouviram todo este caos e procederam à transcrição das várias alturas de som dos ruídos de rua para a partitura das cordas. A ideia é boa. A intenção e o alcance político e polémico da coisa é indiscutível, os ouvidos é que sofrem um pouco. Não é fazer discriminação, mas, ao fim destes quinze minutos de tortura, mesmo pelo Kronos Quartet, o que apetece mesmo fazer é desatar também a apitar, pedindo socorro. (4)

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Kronos Quartet – Mugam Sayagi: Music of Franghiz Ali-Zadeh

11.02.2005
Kronos Quartet
Mugam Sayagi: Music of Franghiz Ali-Zadeh
Nonesuch, distri. Warner Music
8/10

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“Mugam Sayagi” é um dos trabalhos mais herméticos e de difícil captação do Kronos Quartet. Os próprios admitiram ter encontrado na música de Franghiz Ali-Zadeh territórios virgens para se movimentarem. Ali-Zadeh é um pianista do Arzebeijão cujos estudos assimilaram a música do seu país, da antiga URSS e das tradições da música árabe, a par de um conhecimento profundo das técnicas e da história da música ocidental do último século. Evitando o “folclorismo sinfónico” condenado por Schoenberg, Ali-Zadeh alia, contudo, pormenores de execução transpostos de instrumentos étnicos aos ensinamentos e prática que a levaram a incorporar-se na Segunda Escola de Viena, de Messiaen, Crumb e Cage. A pianista toca em dois dos quatro temas de “Mugam Sayagi”, sendo de particular interesse a interpretação a solo em “Music for Piano”. Uma música flutuante, misteriosa, aquática, esotérica como a de Satie. O elemento líquido está também presente em “Oasis”, onde é possível escutar gotas de água e murmúrios longínquos de vozes humanas. Os 20 minutos finais do título tema constituem a imersão absoluta do quarteto no universo da pianista, com os seus “pizzicatos” a elevarem-no da gravidade e do silêncio.

Kronos Quartet – Kronos Caravan

02.06.2000
Kronos Quartet
Kronos Caravan (7/10)
Elektra Nonesuch, distri. Warner Nusic

kronoscaravan

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O quarteto de cordas mais “in” de sempre da música contemporânea assestou desta vez as suas baterias no imaginário musical da antiga região conhecida como Pannoni, terra de convergência da Europa de Leste, do Mediterrâneo e do Oriente. “Kronos Caravn” é o veículo de união que faz passar pelos quatro instrumentos de corda a música de um filme indiano, um tema cigano da Roménia com a participação dos Taraf de Haidouks, canções do Irão, Hungria e do Mundo Árabe mas também uma marcha funerária do minimalista Terry Riley, uma peça mexicana escrita pelos Café Tacuba e, com acrescido interesse para o público português, duas composições de Carlos Paredes, a “Canção dos Verdes Anos” e “Romance Nº 1”. Todos os arranjos são assinados pelo argentino Osvaldo Golijov (que já colaborara com o quarteto em “K’Vakarat”). Entre os músicos convidados, além dos Taraf de Haidouks, encontramos também o percussionista indiano Zakir Husain, o tocador de “kamancheh” (família dos violinos) iraniano Kayan Kalhor e o libanês Ali Jihad Racy, em “nay” (flauta). A esta diversidade de fontes responderam os Kronos Qaurtet com o virtuosismo e a versatilidade habituais, mais longe do que nunca do formato “música de câmara étnico-chique” no último tema, “Misirlou Twist”, com a bateria de Martyn Jones a conferir à música um cunho popularucho equivalente às adaptações tecno da música cigana de Goran Bregovic. Quanto a Carlos Paredes, está bem tocado, as melodias soam bonitas mas o “bonito” não se compadece com a beleza convulsiva do mestre português que os americanos definem como uma “casa”, querendo dizer um “caso” à parte, uma “personalidade única”. Nisto têm razão, quanto ao resto, louve-se a intenção, a técnica e o esforço.