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John Lurie National Orchestra – “Fake Sax” (concerto | antevisão)

pop rock >> quarta-feira >> 28.06.1995


FAKE SAX


A John Lurie National Orchestra apresenta-se no cinema Monumental, em mais uma jornada de “Mistérios de Lisboa”. Não é bem uma orquestra, apenas o saxofonista John Lurie acompanhado pela bateria de Calvin Weston e as percussões de Billy Martin. A sua música pode ser apreciada no álbum “men with Sticks”, com o selo Made to Measure: uma batida etno-minimal que dá terreno livre a Lurie para desenvolver o seu discurso entre o grito contido e um lirismo áspero.
Figura emblemática da “downtown” nova-iorquina, John Lurie notabilizou-se nos Lounge Lizards, uma banda de “fake jazz” (jazz pouco ortodoxo, rude, híbrido; representa para o jazz o que o “punk” representou para o rock) em cuja formação original militavam o seu irmão Evan Lurie, Anton Fier e Arto Lindsay. Os Lounge Lizards, após um primeiro álbum que agitou os meios jazzísticos, prosseguiram no sentido de uma sofisticação crescente da sua música, numa evolução que pode ser apreciada em álbuns como “Big Time”, “No Pain For Cakes”, o excepcional “Voice of Chunk” ou nos dois registos gravados ao vivo em 1991, em Berlim, intitulados “Berlin 1991”.
John Lurie tem sido além disso bastante solicitado como actor e entre as obras de cinema que contam com a sua participação destacam-se “Subway Riders” (“Os Viajantes da Noite”), de Amos Poe, e dois filmes de Jim Jarmusch, “Stranger thn Paradise” e “Down by Law”, nos quais o saxofonista assina ainda a totalidade das respectivas bandas sonoras.
JOHN LURIE NATIONAL ORCHESTRA
Sexta-feira, 30 de Junho, 22h00
Teatro S. Luiz, Lisboa

John Lurie – “Mystery Train”

PÚBLICO QUARTA-FEIRA, 28 MARÇO 1990 >> Videodiscos >> Pop


JOHN LURIE
Mystery Train
LP e CD Milan, Distribuição Dargil


Depois de “Stranger than Paradise” e “Down by Law”, uma vez mais o saxofonista e líder dos Lounge Lizards acedeu a compor para uma fita de Jim Jarmusch. “Mystery Train”, a banda sonora, só em parte se pode considerar um disco de Lurie, sendo o primeiro lado ocupado por clássicos da soul music e dos rhythm’n’blues de nomes importantes como Otis Redding, Rufus Thomas, Bar-Kays e Roy Orbison, além de Elvis Presley, único com direito a “bisar”.
No segundo lado, Lurie recria a temática e ambiências clássicas dos blues que lhe são tão caros. Mas, ao contrário das estratégias saxofonísticas de decomposição do género levadas a cabo nos Lizards, em “Mystery Train” é tentada uma aproximação mais clássica e depurada, com Lurie tocando guitarra e, nalguns temas, harmónica. Acompanham-no Marc Ribot (guitarra e banjo), Tony Garnier (baixo) e Douglas Browne (bateria), seus companheiros nos Lizards. O resultado é uma sequência instrumental de dez esboços bluesy, brancos, ambientais e descarnados, decerto funcionais como complemento das imagens, mas inconclusivos como sons autónomos. Para os noviços recomenda-se começarem pelos discos dos Lounge Lizards.