Arquivo da Categoria: Televisão

Elton John – “E Não Se Pode Exterminá-lo?” (televisão)

PÚBLICO SEGUNDA-FEIRA, 29 JULHO 1990 >> Local

RTP


E não se pode exterminá-lo?

A PERSONAGEM não prima pela discrição. A sua noção de bom-gosto é pintar o cabelo de cor-de-rosa, vestir-se de palhaço e usar óculos de enormes aros verde-alface. E (vá lá compreender-se os artistas…) quando começou a cantar e a tocar piano, Elton John (de seu verdadeiro nome Reginald Kenneth Dwight) até tinha uma certa dignidade, compondo românticas e respeitáveis canções como “Your Song”. Calcule-se que chegou a ser um estudioso dos “blues” e que tirou o nome artístico do saxofonista dos insuspeitos Soft Machine, Elton Dean. Vem de longe a sua associação com o letrista Bernie Taupin, da qual resultaram alguns bons discos. “Elton John”, “Tumbleweed Connection” e “Madman Across the Water” não chocam nem envergonham os ouvidos sensíveis. Depois é que foram elas!… O estrelato subiu-lhe à cabeça e transformou-se em atração circense. Tomou-se por um Liberace de trazer por casa e foi um ver-se-te-avias de adereços, pó-de-arroz e vestimentas espalhafatosas. Passou a tocar piano com os pés e a cantar desavergonhadamente canções cada vez mais pirosas. Passou as suas habilidades para o cinema na figura de “Pinball Wizard”, no filme “Tommy”, desse outro famoso palhaço que é Ken Russell. O título de uma das suas canções, “Too Low for Zero” aplica-se-lhe na perfeição.
Canal 1, às 14h45

Rolling Stones – “Avô, Conta-me A História Dos Stones!” (televisão)

PÚBLICO DOMINGO, 29 JULHO 1990 >> Local

RTP


Avô, conta-me a história dos Stones!

NUNCA MAIS se vai embora, a maior banda de rock ‘n’ roll do universo. O que é que eles se julgam, que são eternos? Que a paciência não tem limites? O pior é que os mais novos só agora lhes apanharam o nome e toca de comprar os discos como se fossem novidade. Deste modo, o ciclo renova-se constantemente e os Rolling Stones têm o resto do futuro garantido. Mick Jagger, Keith Richards, Bill Wyman, Charlie Watts e Ron Wood são hoje respeitáveis avozinhos, entretidos a fingir subversões e a montar espetáculos de feira, para gáudio das multidões. Gravam um álbum de cinco em cinco anos e vivem dos rendimentos, administrando sabiamente o mito e a imagem cuidadosamente encenados. Tanto lhes faz passar por psicadélicos como por praticantes de um “funky” descomplexado. “She’s a Rainbow”, “Emotional Rescue”, qual a diferença? São tolerados como uma instituição representativa dos antigos valores de uma geração hoje convertida a ideais menos desprendidos que os de há três décadas. Só Brian Jones soube manter-se-lhes fiel, por força de uma morte precoce. O programa de hoje conta a história toda.

Canal 1, às 17h30

Yes – “Não Mas Sim” (televisão)

PÚBLICO SÁBADO, 28 JULHO 1990 >> Local

RTP


Não mas sim

PARA SEREM os Yes falta Chris Squire. Foi ele quem fez birra e impediu que os outros utilizassem a designação a que moralmente têm direito. Mas legalmente o antigo baixista disse-lhes não. Assim, passaram de três para 27 letras. Anderson é Jon, o vocalista de voz angelical que se dedica a inventar mundos de fábula. “Olias of Sunhillow” conta a história de três civilizações perdidas nos confins da imaginação e de viagens por espaços distantes. Com Vangelis, cantou mitos do cinema em “The Friends of Mr. Cairo”. Wakeman é Rick, das seis mulheres de Henrique VIII, do rei Artur e da viagem ao centro da Terra. Toca teclados como se lançasse fogo de artifício. Brufford é William, Bill para os amigos. Fez parte de grandes bandas, a maior das quais os King Crimson, de Robert Fripp. De vez em quando apetece-lhe jazz. Os Earthworks são o fruto mais saboroso desse amor. Howe é Steve, o enorme guitarrista. Escutem-se os seus solos em “Relayer” e perceber-se-á porquê. Juntos gravaram um álbum que é tão bom como os melhores dos Yes. Lutam contra o tempo. Jon Anderson continua a sonhar.
Canal 1, às 13h10