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Rolling Stones – “Avô, Conta-me A História Dos Stones!” (televisão)

PÚBLICO DOMINGO, 29 JULHO 1990 >> Local

RTP


Avô, conta-me a história dos Stones!

NUNCA MAIS se vai embora, a maior banda de rock ‘n’ roll do universo. O que é que eles se julgam, que são eternos? Que a paciência não tem limites? O pior é que os mais novos só agora lhes apanharam o nome e toca de comprar os discos como se fossem novidade. Deste modo, o ciclo renova-se constantemente e os Rolling Stones têm o resto do futuro garantido. Mick Jagger, Keith Richards, Bill Wyman, Charlie Watts e Ron Wood são hoje respeitáveis avozinhos, entretidos a fingir subversões e a montar espetáculos de feira, para gáudio das multidões. Gravam um álbum de cinco em cinco anos e vivem dos rendimentos, administrando sabiamente o mito e a imagem cuidadosamente encenados. Tanto lhes faz passar por psicadélicos como por praticantes de um “funky” descomplexado. “She’s a Rainbow”, “Emotional Rescue”, qual a diferença? São tolerados como uma instituição representativa dos antigos valores de uma geração hoje convertida a ideais menos desprendidos que os de há três décadas. Só Brian Jones soube manter-se-lhes fiel, por força de uma morte precoce. O programa de hoje conta a história toda.

Canal 1, às 17h30

Vários – “Haja Festa” (TV | RTP)

PÚBLICO SEXTA-FEIRA, 4 MAIO 1990 >> Local


Haja Festa

O “HAJA MÚSICA” faz hoje um ano de emissões. Haja alegria e vontade de fazer melhor. Em dia de festividades, o destaque vai para os nacionais Xutos e Pontapés e para o seu mais recente disco “Gritos Mudos”. Os Xutos interpretarão o tema “Pêndulo”, não sabemos se ao vivo se em “clip” – o Manuel esqueceu-se, esta semana, de nos contar… Em pessoa, no estúdio, vão estar Luís Represas, dos Trovante, João Peste, provocador-mor da nossa praça, e Jorge Palma, eterno vagabundo das cantigas. Foi o que conseguimos apurar da consulta às páginas de um colega. O resto da lista dos nomes presentes, bem adjetivados para compensar com palha a falta de informação, é o seguinte: Afonsinhos do Condado, tontos, broncos e engraçados; Rádio Macau, “rockers” de Xana e de sucesso; Adelaide Ferreira, hoje também “rocker”, amanhã talvez fadista, mas não faz mal, enquanto o resto se mantiver a alturas aceitáveis; Ritual Tejo, novos, desconhecidos, digam qualquer coisa; Lobo Meigo, vencedores do último concurso RRV; UHF, “alter ego” de António Manuel Ribeiro, o papa. Todos em “playback” – que desilusão! Parece que vai haver um cenário especial de aniversário. Parabéns a você, etc.

Canal 2, às 24h00

Vários – “Vencedores E Vencidos” (TV 2 | RTP | Televisão)

local >> sexta-feira >> 16.04.1993

Rádio e Televisão
Destaque


Vencedores E Vencidos
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CONFESSO. Começo a ficar farto. Na RTP, os intervenientes nos programas de música são sempre os mesmos. Na modalidade “agora escolha” do Últimas Notas, o derrotado de uma emissão é guardado na manga e apresentado como alternativa na emissão seguinte. O que significa que acabam por ser apresentados todos. Se não for á primeira, é à segunda ou à terceira. Até ver e até dar. Vicente Amigo – agora acrescentado de um “d” antes de Amigo, pois convém que haja pelo menos uma diferença – foi derrotado no confronto directo com Paco de Lucia. Hoje à noite, o adversário é Paul McCartney e, em princípio, D’Amigo deverá perder de novo. Não importa. Para a semana será um mano a mano com Quim Barreiros e então D’Amigo sairá vencedor. Pensando melhor, talvez não.
Segundo esta lógica do “que ganhe o melhor”, haverá vencedores e vencidos crónicos, até ao dia em que surgir a concurso o Frei Hermano da Cãmara, o António Albernaz, o João Marcelo, a Cidalina, a Ruteca, os Cabanelas Música ou os Kaganisso, tudo nomes que constam do guia actualizado dos artistas e espectáculos.
Poderia voltar a escrever sobre Don Vicente El Amigo, mas não o faço. As pessoas são maiores e vacinadas, com obrigação de conhecer este nobre espanhol tocador de flamenco. Poderia igualmente escrever sobre Paul McCartney (aqui, a RTP resolveu acrescentar um Mc a Paul Cartney) e revelar pormenores inéditos sobre a sua vida, por exemplo, que pertenceu aos Beatles, escreveu um par de canções de parceria com John Lennon e que a sua mulher afinal não é filha do fotógrafo Fuji. Mas também neste caso me recuso. Para não criar um precedente. Por este andar teria que escrever sobre Bob Geldof, Sting, Guns ‘n’ Roses e U2, artistas com passe vitalício nas televisões de todo o mundo. E sobretudo, Phil Collins, este, sim, o verdadeiro amigo dos povos, o fenómeno mediático do século, o irmão, marido e pai que gostaríamos de ter tido, o gajo fixe que recebe dinheiro directamente das mãos de Deus, enfim, o próprio deus da música pop.
Apenas concedo em informar o seguinte: sua senhoria Don Juan Vicente D’el Amico concorre com um espectáculo gravado no Teatro Municipal de S. Luiz. Sir Paul McCartney ganhará decerto com larga vantagem com o seu “Up Close”, gravado no Ed Sullivan Theater, em Manhattan. Pobre, pobre Amigo, o telespectador não está contigo.
TV 2, às 00h50