Arquivo da Categoria: Rock

Vários – “The Best Of Mountain Stage, vol. 1 & 2”

pop rock >> quarta-feira >> 28.04.1993
WORLD
REEDIÇÕES


Vários
The Best Of Mountain Stage, vol. 1 & 2
CD Blue Plate, distri. Polygram



Mountain Stage é o nome de um programa de rádio de actuações ao vivo que vai para o ar todas as semanas em Charleston, West Virginia. Tendo como objectivo a divulgação de áreas musicais “inclassificáveis”, não é difícil descortinar, no conjunto de artistas apresentados, algumas tendências predominantes: o folk rock, os blues, o “cajun”, o velho “rhythm ‘n’ blues” e variadas ramificações da música “country”. O principal interesse destas compilações está na captação, quase artesanal, de registos únicos de alguns nomes sonantes revisitados a uma luz mais intimista. Dr. John e o seu piano “Honky tonk”, a vocalização “cajun” de Daniel Lanois e a excitação “zydeco” dos Buckwheat Zydeco destacam-se no primeiro volume, do qual fazem parte, entre outros, Loudon Wainwright III, Clive Gregson & Christine Collister, N.R.B.Q. e Richard Thompson. O segundo volume vale sobretudo pelas boas prestações das vozes femininas de Michelle Shocked, June Tabor, Maura O’Connell (pertenceu aos De Danann), Kathy Mattea e Sara Hickman. John Prine, Robyn Hitchcock, Billy Bragg e Delbert McClinton são outros dos artistas presentes. A maior desilusão vai para os REM, com uma interpretação sonambúlica de “Losing my religion”. (5) / (6)

Throw That Beat In The Garbagecan – “Throw That Beat Em Portugal – Pop E Tostas De Carneiro” (concertos)

pop rock >> quarta-feira >> 21.04.1993


Throw That Beat Em Portugal

POP E TOSTAS DE CARNEIRO


A banda alemã Throw That Beat in the Garbagecan, que podemos traduzir por “atirem este ritmo para o caixote do lixo”, tem agendados três concertos em Portugal, em finais de Abril.
Klaus Cornfield é o guitarrista e mentor deste projecto, que mistura pop, rock e country, do qual também fazem parte Polli Pollunder, em voz e guitarra, Lotsi Lapislazuli, baixo e guitarra, Alex, bateria, e Iwie Candy X07, órgão.
De acordo com as opiniões de quem os conhece e a folha promocional, os Throw That Beat são dados à excentricidade, provocando nos espectáculos em que participam autênticas ondas de loucura. Entre as predilecções dos seus membros contam-se Pipi das Meias Altas, Pee Wee Herman, os Beach Boys, viagens intermináveis de moto (sic), tostas de carneiro com queijo (sic, puah!), limonada, Sonic Youth, plasticina, piadas foleiras (ah, ah, suspiro), cerveja em lata, telenovelas, uma boa noite de sono (bocejo), Edith Piaf e banda desenhada. “Por estranho que pareça”, adianta a promoção, “as pessoas que se identificam com tudo isto gostam muitíssimo dos Throw That Beat.” É possível, se bem que seja difícil de acreditar que haja alguém que goste de tostas de carneiro com queijo.
Não sendo por enquanto muito conhecidos, os Throw That Beat já gravaram até à data três álbuns: “Tweng”, “Large Marge Sent Us” e “Cool”. São capazes de ser divertidos, estes alemães danados para a brincadeira.
23 de Abril, Porto, Galeria Norte
24 de Abril, Odemira
25 de Abril, Setúbal, discoteca Fábrica

Les Rita Mitsouko – “Rita Mitsouko” + “The No Comprendo” + “Marc Et Robert”

pop rock >> quarta-feira >> 21.04.1993
REEDIÇÕES


A EDUCAÇÃO DE RITA

LES RITA MITSOUKO
Rita Mitsouko (6)
The No Comprendo (5)
Marc Et Robert (5)
CD Virgin France, distri. Edisom



O estilo é a perdição dos franceses. Perdem-se de desejos pela imagem, pela pose, pela sofisticação a todo o custo. Os Rita Mitsouko, duo formado pela ex-porno actriz Catherine Ringer e pelo ressacado dos anos 70 Fred Chichin (tem um fraco pelas fantasias “glamour”: David Bowie, Iggy Pop, Sparks), pelam-se por uma boa fotografia e por um “clip” bem tirado. A música dos Rita Mitsouko – Mitsouko é a marca de um perfume de Guerlain – segue pela coleira da imagem.
A reedição das três primeiras obras do grupo gaulês pauta-se por uma caldeirada de géneros musicais subjugados pelo imperativo de dar a conhecer ao mercado estrangeiro (grande parte das canções é cantada em inglês) um som e bonecos passíveis de mercantilização à escala internacional. As sonoridades e ritmos latinos confundem-se com a canção de cabaré, as lágrimas de Piaf com descarrilamentos Velvet Underground, “pastiches” do romantismo decadente dos anos 70 (Roxy, Bowie) são atropelados por fanfarras “funky” ao retardador e desatinos “ska”, a voz de Catherine percorre a auto-estrada que liga o grito gutural ao ronrom de cama. Engraçada a operação de mimetismo das inflexões vocais de Robert Wyatt levada a cabo em “Un soir, un chien”. Mas a musicalidade intrínseca da língua francesa, em alguns casos, não ajuda, cravando pregos no tímpano, sobretudo quando Catherine se deixa levar por arrebatamentos “new wave”. A instrumentação é predominantemente constituída por sintetizadores e caixas-de-ritmo, o que desde logo remete a estética do grupo para os salões sintéticos da pop electrónica. Não por acaso, o produtor do primeiro álbum é Conny Plank, anfitrião em Berlim de tudo o que desde os anos 70 vem sendo conotado com a electrónica, do “Kosmische rock” aos experimentalismos cibernéticos do ex-Cluster Dieter Moebius. Se quisermos procurar alguns parentes próximos dos Rita Mitsouko, poderemos encontra-los, obviamente, nos Sparks ou nos suiços Yello. Mas não é preciso sair de França, onde outros dois duos já antes tinham encetado estratégias semelhantes de pop sintetizada apontada aos ecrãs de cinema: Kas Product e Alésia Cosmos. O problema dos Rita Mitsouko é talvez o de não serem nem carne nem peixe. Ou seja, a multiplicidade de pistas e a pluralidade de sentidos que dispersam faixa a faixa nestes três álbuns não encontram uma contrapartida aglutinadora, dando a ideia de que a banda procurou apanhar um qualquer comboio em andamento, numa ânsia de diferença que acaba por se diluir no ambiente geral de confusão. Falta-lhes o humor e o distanciamento dos Yello, a acidez corrosiva dos Kas Product e o radicalismo dos Alésia Cosmos. Os Rita Mitsouko absorveram com avidez 40 anos de cultura pop e quiseram regurgitá-la toda de uma vez. A digestão ficou completa. Poderiam ter encontrado um caminho em pseudobaladas como “La fille venue du froid” e “Vol de nuit”, mas preferiram a sofisticação da produção barroca entregue a Tony Visconti em “The No Comprendo” e “Marc et Robert”. Ou ter-se-ão guardado para os filmes. O “videoclip” de “Marcia baila”, extraído do primeiro álbum, foi comprado pelo Museu de Arte Moderna de Nova Iorque. As sessões de gravação de “The No Comprendo” foram filmadas por Jean-Luc Godard. Bandas sonoras que fariam boa figura em desenhos animados.