Arquivo da Categoria: Progressivo

Frank Zappa – “Does Humor Belong In Music?” (notícia / artigo de opinião / fetiche / coisas que seduzem / DVD)

(público >> y >> pop/rock >> notícias)
5 Dezembro 2003
fetiche
coisas que seduzem


zappa
nóia



“O humor faz parte da música?” pergunta Zappa em “Does Humor Belong in Music?”, DVD que apresenta o guitarrista, falecido há dez anos, ao vivo no “The Pier”, Nova Iorque, a 26 de Agosto de 1984. A pergunta, é, já, uma piada. O homem que pôs uma audiência alemã de milhares a fazer a saudação nazi sabia do que falava. Cada espetáculo seu era uma “performance” inclassificável. Zappa corroeu os alicerces da pop e do rock americanos, injetando-os com o pesticida do génio e da loucura. Ouçam-no e vejam-no remasterizado em títulos tão desbragados como “Hot plate heaven at the Green hotel”, “Honey, don’t you want a man like me?”, “Dinah-Moe Humm” e “Cosmik
Debris”.

Frank Zappa, “Does Humor Belong in Music?” EMI, distri. EMI-VC, €26, preço FNAC



King Crimson – “Uma Máquina Em Actividade” (artigo de opinião / DVD / Fetiche / Coisas Que Seduzem)

(público >> y >> pop/rock >> notícias)
28 Novembro 2003


fetiche
coisas que seduzem

king crimson
uma máquina em atividade



Através das metamorfoses por que passaram ao longo de 35 anos, permanecem como uma das mais formidáveis máquinas em actividade. “Eyes Wide Open” mostra o grupo em ação no Shepherds Bush Empire, Londres, em 2000 (DVD 2), e no Japão, em 2003 (DVD 1), sob a supervisão de Robert Fripp. Considerando que no caso dos Crimson não existem duas interpretações iguais, o DVD apresenta a inovação de enxertar aleatoriamente em cada leitura, diferentes improvisações do mesmo tema, o que permite perceber a incrível criatividade dos executantes em palco, além de Fripp, Adrian Belew, Trey Gun e Pat Mastelotto. Visualmente sem grandes atrativos, “Eyes Wide Open” vale pela música extraordinária, exercício de disciplina e poder para uma arquitetura sonora que não admite falhas. Fripp, apesar do terror recente em se deixar fotografar (talvez sugestionado por superstições que garantem que fotografar alguém é ter domínio sobre a sua alma) aparece como uma estátua que não deixa transparecer a menor emoção. E, no entanto, a música que escorre, como lava, da sua guitarra é vital como o fluxo sanguíneo. O duplo alinhamento inclui temas como “The power to believe”, “The construkction of light”, “Happy with what you have to be Happy with”, “Elektrik”, “Larks’ tongues in aspic: part IV”, “Three of a perfect pair” e uma versão de “Heroes”, de Brian Eno e David Bowie.

King Crimson, Eyes Wide Open, Sanctuary, DVD Zona 2, distri. Som Livre. €25



Jethro Tull – “Christmas Album”

(público >> y >> pop/rock >> crítica de discos)
31 Outubro 2003


JETHRO TULL
Christmas Album
R&M, distri. Universal
7|10



Boas notícias para os admiradores dos Jethro Tull: o grupo está de boa saúde. Não tem sido fácil sobreviver à “morte anunciada” (e há quantos anos vem sido anunciada!…) do rock progressivo mas a banda de Ian Anderson continua a aguentar a pé firme (o que também não será fácil, sabendo-se da preferência do flautista para se firmar sobre uma perna só…). “Christmas Album” evidencia o som clássico do grupo, sem cedências aos modos de produção atual, se excetuarmos “Another Christmas song”, único exercício de estúdio “neo prog”, a contrastar com o tom acústico das restantes 15 canções. Nestas, Anderson canta e toca flauta como um herói, retomando a velha veia folk, com pinceladas Fairport Convention, em “Holly herald”, ou numa magnífica “A Christmas song”, a par de “Last man at the party” e “First snow on Brooklyn”, temas a merecerem entrada para a galeria dos clássicos do grupo. A faceta “jazzy” é outro selo de garantia de um álbum que, evitando a nostalgia, apresenta todavia as marcas de uma melancolia terna, através da inclusão de uma nova versão do antigo instrumental “Bourée”.