Arquivo da Categoria: Folk

Nadaka – “Straight To Your Heart”

pop rock >> quarta-feira >> 22.11.1995


Nadaka
Straight To Your Heart
TANGRAM, DISTRI. FÁBRICA DE SONS



Nadaka é pseudónimo de um guitarrista occidental residente no Sul da Índia há alguns anos e “Straight to your Heart” uma “reflexão”, uma “procura” e uma “aspiração”, com a música indiana no horizonte. Partindo de uma base não purista, Nadaka, em colaboração estreita com o violinista Ganesh, concentra as atenções no acto de comunicação espiritual entre os músicos e põe o acento na “síntese de culturas”. “New Age” de raiz étnica, a combinação da guitarra com os instrumentos inidanos (ghatam e kanjira), o baixo eléctrico de Bernard Paganotti (um ex-Magma!), as percussões e uma “sanza” africana, criam momentos de relaxação e introspecção que, no entanto, estão longe de possuir o poder xamânico das genuínas “ragas” indianas. (6)

Alan Stivell – “Brian Boru”

pop rock >> quarta-feira >> 22.11.1995
world


Alan Stivell
Brian Boru
DREYFUS, DISTRI. MEGAMÚSICA



Nada a fazer com o venerando bretão. Está mesmo gagá. E, provavelmente, rico. “Brian Boru” é mais uma pastilha conceptual sobre um ciclo heróico da tradição irlandesa. A “new age” e as programações rítmicas mais enjoativas dão as mãos a uma batida rock primária. Não faltam a voz feminina açucarada de Máire Breatnach, uma legião de convidados “célticos”, na maioria ilustres desconhecidos, à excepção de Gerry O’Beirne, pau para toda a obra, e um “rap bretão” na pior tradição “etnoseca”. Salvam-se uma ou outra harpada mais intimista e, sobretudo, o balanço imparável e as “uillean pipes” iluminadas de Ronan Browne, suficientes para tornarem “Cease fire” um dos melhores e mais vibrantes momentos, nos últimos anos, do velho bardo. (4)

Luís Mateus – “A ‘Folk’ Gravada Na Alma” (obituário | homenagem)

cultura >> terça-feira, 14.11.1995
OBITUÁRIO


A “Folk” Gravada Na Alma

O NOME de Luís Mateus não era conhecido das massas. O protagonismo preocupava-o pouco ou nada. Pertencia antes àquela estirpe, cada vez mais rara num mundo onde o canibalismo e a divinização das imagens se eregem como totens, dos que amam. Dos que amam o que fazem e fazem o que amam. Luís Mateus fazia rádio, na XFM e na TSF, e escrevia, no suplemento de música do “Diário de Notícias”
Amava a música e defendia-a com a convicção de um militante. Amador, no sentido nobre das palavra, descobrira há pouco tempo a música tradicional, que passara a amar e a defender com o ardor dos seus 26 anos. Como acontece, com a inevitabilidade do destino, a todos quantos nela mergulham fundo e nela vêem algo mais que um simples fenómeno mediático.
Guardo na memória uma imagem que se tornou indissociável das duas últimas edições do Festival Intercéltico do Porto. A imagem de Luís Mateus, de microfone na mão e gravador a tiracolo, nas traseiras do Cinema do Terço, a entrevistar os músicos que saíam e entravam nos camarins. Recordo o entusiasmo genuíno que manifestou quando ouviu pela primeira vez ao vivo a voz de Márta Sebestyen e o fogo instrumental dos Múzsikas. Retenho dele ainda a boa disposição permanente, o sorriso franco de orelha a orelha a contrastar com a voz grave.
A morte levou Luís Mateus prematuramente. Na próxima Primavera, no Intercéltico, no grupo dos “maluquinhos da ‘folk’, haverá um lugar vago, um vazio impossível de preencher. Os artistas continuarão a entrar e a sair dos mesmos camarins do Cinema do Terço ou de outra sala qualquer. Mas vai faltar algo. O microfone de Luís Mateus não estará lá para fixar a sua passagem. As refeições, as conversas, as piadas em torno da “folk” e das suas personagens farão menos sentido. Serão mais pobres.
Onde é que está o Luís, perguntávamos, quando faltavam as tuas gargalhadas e a tua boa disposição? Já sabíamos que estavas a trabalhar. Com a alegria que te caracterizava e nos contagiava.
Entre um “reel” e uma lamentação, preferias decerto o “reel”