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Vários – “La Chanson, Mais Oui!” La Musique A Une Histoire – Anthologie (artigo de opinião / fetiche / coisas que seduzem)

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28 Novembro 2003
fetiche
coisas que seduzem


la chanson
mais oui!



Paris. O Sena. Acordeões, lenços e boinas. A guerra. Amor louco. E canções. Chansons. La chanson française, sem tradução, toda uma ressonância inconfundível que remete para um estilo e uma época da música popular francesa que ainda hoje faz estremecer o nosso imaginário. A presente antologia reúne até à data três volumes, cada qual composto por três CD, correspondentes, respectivamente, a Serge Gainsbourg, Georges Brassens e Serge Reggiani, nomes incontornáveis. Gainsbourg, das visões fumarentas e etílicas, de “La javanaise”, “L’alcool”, “Ballade pour Melody Nelson”, “La decadanse”, “Bonnie and Clyde e “Je t’aime, mon non plus”, aqui em duo com Bardot. Brassens, de “la mauvaise réputation”, “Le gorille” e “Brave Margot”. Reggiani, emigrado italiano, comediante e pintor, intérprete de Boris Vian, de “Et puis”, “Rupture” e “Le Deserteur”. A história da música popular, dita pop, escrita a fogo num hexágono a Sul da Mancha. Mais oui!

La musique a une histoire – anthologie, caixas 3xCD; Ed. Universal. €34,50

Etienne Daho – “Daholympia”

Pop Rock

9 MARÇO 1994
ÁLBUNS POP-ROCK

Etienne Daho
Daholympia
Virgin, distri. EMI – Valentim de Carvalho


ED

Em França, seu país de origem, Etienne Daho goza de um certo prestígio, retirando daí o proveito. Ele é um entre muitos autores de hexágono que foram capazes de romper com a “chanson”, no seu caso com um “cocktail” que mistura a componente pop dominante com incursões “chic” no étnico e o olhar atento aos sobressaltos da dança – fórmula que só chegou aos ouvidos portugueses muito mais tarde, com o álbum “Paris Ailleurs”, acompanhado por um concerto de promoção realizado no S. Luiz. O novo registo ao vivo, pese embora o peso da sala, não adianta, antes atrasa, em relação àquele trabalho, manchando-o com cedências (ainda mais) descaradas ao comercialismo, pela pior via possível, a da facilidade. Música de variedades acaba por ser o rótulo que melhor cola a “Daholympia”, que recupera a maioria dos temas de “Paris Ailleurs” juntamente com uma canção de Piaf, “Mon manège à moi” – não muito boa nem original. Exceptuando o tema final, “Saint lunaire dimanche matin”, uma boa recriação francesa da nostalgia decadentista de Bryan Ferry, “Daholympia” é um puro objecto de consumo procurando facturar no estrangeiro à custa de um “charme” que pretensamente perfuma toda a música francesa. Talvez, mas não aqui. (4)

aqui



Michel Jonasz – “Où est la Source”

Pop Rock

16 FEVEREIRO 1994
NOVOS LANÇAMENTOS POP-ROCK

Michel Jonasz
Où est la Source

WEA, distri. Warner Music


mj

Os franceses têm aquela qualidade preciosa de conseguirem ser chatos como a potassa mas dando a entender que é coisa fina e elegante. Com “charme”, dizem eles. Michel Jonasz anda na “chanson” há muitos anos, mas não é por isso que “Où est la Source” deixa de ser chato. Ele é um autor, melhor dizendo um poeta. Vê-se pelas letras que ele tem o cuidado de cantar devagarinho, não se vá perder alguma sílaba. Às primeiras notas do disco, ou num tema como “Vivement l’avenir”, poderia passar por um Momus cloroformizado. Mas depois a coisa arrasta-se com uma lentidão exasperante, com Jonasz a não ser capaz, ou a não querer, sair dum estilo semideclamado que se deixa anestesiar em baladas intoxicadas pelo fumo de casino. Aliás é tudo semi, neste álbum. Semi-jazz em “Triste et bleu”, semi-romântico, em “Le piano et le pianiste”, semibonito, em “Tombent les feuilles”. Steve Gadd e Paulinho da Costa, entre outros músicos convidados, adormecem com Jonasz ao som das estrelas. É tudo azul. “Blues” de lágrima fácil? Nem o Vitinho conseguia fazer-nos adormecer com um sorriso de tanta beatitude nos lábios. (4)

A partir daqui