Arquivo da Categoria: Avant-Rock

Yoshimi And Yuka – “Flower With No Color”

(público >> y >> pop/rock >> crítica de discos)
9 Maio 2003


YOSHIMI AND YUKA
Flower with no Color
Ipecac, distri. Sabotage
7|10



Ainda o neo-psicadelismo, agora versão 2003. Coincidência: na contracapa do disco dos 13thFloor Elevators um eixo de “chakras” é desenhado na fi gura de uma simulada divindade oriental, os mesmos “chakras” aparecem alinhados em “Flower with no Color” sobre o tronco de uma árvore com raízes num veículo motorizado. Como os Super Numeri, o duo japonês formado por Yoshimi (dos Boredoms) e Yuka Honda (dos Cibo Matto) recupera para a pop o onirismo da década de 60, mas formatado no laboratório das novas tecnologias destinadas à cirurgia da emoção. “Flower with no Color” é um quarto acústico voltado para as mesmas paisagens bucólicas dos KLF, decorado pelo chilrear de pássaros, trompetes “jazzy” tocados por crianças e espanta-espíritos no teto. Os japoneses atiraram para a mesa de mistura “elegant birds”, “temple dogs” e “insects”; os Pink Floyd já tinham inventado animais a fazer música na faixa “Several species of small furry animals…” (“Atom Heart Mother”) mas esta flor junta o mikado dos After Dinner às ruminações do Inconsciente das “Ethnological Forgery Series” (E.F.S.”) dos Can. O efeito é um sonho de geishas, jardins Zen e templos de meditação em forma de labirinto.



Ruins – “Tzomborgha”

(público >> y >> pop/rock >> crítica de discos)
14 Fevereiro 2003


RUINS
Tzomborgha
Ipecac, distri. Sabotage
7|10



Um dos principais problemas das bandas que vão buscar inspiração às décadas de 70 e 80 é terem a alma pequena. Assimilam por vezes apressadamente determinadas fórmulas ignorando a matéria de fundo. Os japoneses (que nutrem especial simpatia pelo rock progressivo) Ruins fizeram a sua seleção com método e rapidez. Combinam “hardcore”, uma atitude simultaneamente visceral, intelectualizada e “punk” para fabricar algo que bebe em Frank Zappa e nos Magma (juntos em “Mennevuogh”), nos King Crimson e na psicose “nonsense” dos Renaldo and the Loaf, embora sejam igualmente apregoadas as lições dos Henry Cow, Area e This Heat.. São guitarras abrasivas de cepa crimsoniana, explosões de “noise”, vocalizações entre o épico e o operático furibundo, batidas marciais, síncopes e acelerações brutais sucessivas que respeitam a mesma ordem de prioridades que fez o grupo passar anteriormente pela editora Tzadik, de John Zorn. “Tzomborgha” não é tanto um caso de revisitação desmiolada do passado como a filtragem do espectro de frequências de algum do rock progressivo mais radical. Ou do que restou das suas ruínas.



Ruins – “Tzomborgha”

(público >> y >> pop/rock >> crítica de discos)
14 Fevereiro 2003


RUINS
Tzomborgha
Ipecac, distri. Sabotage
7|10



Um dos principais problemas das bandas que vão buscar inspiração às décadas de 70 e 80 é terem a alma pequena. Assimilam por vezes apressadamente determinadas fórmulas ignorando a matéria de fundo. Os japoneses (que nutrem especial simpatia pelo rock progressivo) Ruins fizeram a sua seleção com método e rapidez. Combinam “hardcore”, uma atitude simultaneamente visceral, intelectualizada e “punk” para fabricar algo que bebe em Frank Zappa e nos Magma (juntos em “Mennevuogh”), nos King Crimson e na psicose “nonsense” dos Renaldo and the Loaf, embora sejam igualmente apregoadas as lições dos Henry Cow, Area e This Heat.. São guitarras abrasivas de cepa crimsoniana, explosões de “noise”, vocalizações entre o épico e o operático furibundo, batidas marciais, síncopes e acelerações brutais sucessivas que respeitam a mesma ordem de prioridades que fez o grupo passar anteriormente pela editora Tzadik, de John Zorn. “Tzomborgha” não é tanto um caso de revisitação desmiolada do passado como a filtragem do espectro de frequências de algum do rock progressivo mais radical. Ou do que restou das suas ruínas.