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Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #64 – “Para hoje (aavv)”

#64 – “Para hoje (aavv)”

Fernando Magalhães
21.01.2002 180601
AKSAK MABOUL – Un Peu De L’Ame Des Bandits – 9/10
CAN – Future Days – 10/10
ANTHONY MOORE – Flying Doesn’t Help – 10/10

O Anthony Moore tornou-se conhecido com os SLAPP HAPPY, ao lado de Dagmar Krause e Peter Blegvad.
Os Slapp Happy foram (ou são, já que gravaram recentemente um álbum novo, “Ça Va”) uma banda especialíssima do final dos anos 70, responsável por uma pop excêntrica e surrealista, em que são patentes os notáveis dotes de composição quer da parte de Moore, quer de Blegvad.
“Slapp Happy”, gravado com músicos dos FAUST (!) é um clássico. Apesar dos músicos envolvidos, o álbum está longe de ser experimental, ou pouco acessível, antes pelo contrário.

Mas o reverso da medalha viria a acontecer com a junção dos SLAPP HAPPY com o coletivo de free rock britânico HENRY COW, da qual resultaria duas obras-primas: “Desperate Straights” (que existe em CD precisamente numa versão 2+1, acoplado a “Slapp Happy”!…) e “In Praise of Learning”.

O 1º é dos discos mais melancólicos e europeus que alguma vez ouvi. Imagina Marguerite Duras em música! Ou um Apocalipse lento, numa tarde chuvosa de Outono, numa Londres desolada…
O 2º, mais Henrycowiano, é mais jazz e impenetrável. Os HENRY COW tinham um pé no rock, outro no jazz, outro na música contemporânea, outro na música de câmara, outro em Dada…Ou seja, tinham 5 pés 😀

Um complemento perfeito para “Flying Doesn’t Help” (o álbum seguinte, “World Service” também vale a pena) é “The Naked Shakespeare”, de PETER BLEGVAD. Pop inteligente, mesclada de fantasia e excentricidade. E poemas fantásticos! Alguns dos temas são mesmo viciantes.

FM

Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #55 – “E.NEUBATEN ‘Babylon Berlin’ (FM)”

#55 – “E.NEUBATEN ‘Babylon Berlin’ (FM)”

Fernando Magalhães
20.12.2001 160410

“Babylon Berlin”, nova BSO assinada pelos Einstürzende Neubauten é um digno sucessor de “Silence is Sexy”. Ao contrário do que acontece com grande parte das bandas sonoras, a música de “Babylon Berlin” é auto-suficiente. Electrónica, batidas de metal, e uma grande canção a fechar o disco. Por vezes, os ambientes lembram os de “Halber Mensch”.

FM

Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #49 – “TRANSCHAMPS, SENSER, FENNESZ, FÜXA… (FM)”

#49 – “TRANSCHAMPS, SENSER, FENNESZ, FÜXA… (FM)”

Fernando Magalhães
05.12.2001 160400
Cá estou, para dar uma palavra amiga a todos os forenses. 🙂

Eis as primeiras patacoadas de hoje:

1 – Devo dizer que acho o “Give it to you”, o tal tema de rock FM que abre “Double exposure”, absolutamente irresistível. Versão rock da música dos andróides Tubeway Army…

2 – O disco dos SENSER para a Neo Ouija que alguns forenses têm andado a citar, não é nada de especial. É até um pouco chato. Trata-se de uma daquelas obras que se limitam a “copiar” determinada escola, neste caso dos AROVANE. A mesma electrónica de cristal, bonitinha, ultra-melodiosa, mas sem ponta de criatividade. Da mesma fornada, prefiro, de longe, os PUB.

4 – Confirmaram-se as impressões prévias sobre “Endless Summer”. Tem pormenores geniais (sobretudo nas metamorfores de ruído em melodia), mas também sequências que se arrastam demasiado tempo, sem que se vislumbre qual o sentido que Fennesz lhes quer dar…

5 – Já que os FRIDGE andam a ser muito citados…Que tal descobrir outra das bandas “reveladas” pelo pós-rock, cuja obra se tem vindo a revelar de grande qualidade, de obra para obra – os FÜXA?

Pedrotaos
05.12.2001 170544

tenho um disco dos Fuxa ..o VWO….do qual gosto bastante principalmente devido aos teclados (hammond?) que por vezes se assemelham a certos temas dos Yo La Tengo.

saudações

p.s.o VWO é o melhor deles ou há algo mais importante por descobrir?

Fernando Magalhães
05.12.2001 190716
O “VWO” é o “Very Well Organized”, certo?

O anterior, “3 Field Rotation” (ed. Ché, 1996) é um carrocel de orgãos electrónicos (creio que Farfisa e não Hammond) inpsirado obliquamente nos Cluster. Lo-fi altamente sedutor.

Mas o meu preferido é “Accretion” (ed. Mind Expansion, 1998) muito mais electrónico, experimental e variado.

Creio que os FÜXA já gravaram outro álbum depois deste, mas ainda não o ouvi.

FM