Arquivo da Categoria: Alemães

Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #85 – “Soul Center 3 (FM)”

#85 – “Soul Center 3 (FM)”

Fernando Magalhães
12.03.2002 190752
Recebi finalmente o CD.

Primeiras impressões:

– a fórmula é idêntica à do álbum anterior, recorrendo, desta feita, em 3 dos temas, a samples de Isaac Hayes e de uma banda de soul meio chunga, os Silver Convention, se não estou em erro.

– a música parece-me, no entanto, mais minimalista e…matemática, como se o disco se quisesse aproximar, ou tentasse encontrar uma solução de compromisso com os discos assinados em nome próprio, como Thomas Brinkmann.

– som fabuloso. Numa das faixas o som vem de lado, totalmente fora das colunas. Pura arquitetura sónica, jogando com o espaço.
Noutra faixa, ouve-se um som baixo como se fosse uma mancha de tinta auditiva a espalhar-se pelo corpo e pelo cérebro. O termo “visceral” aplica-se aqui com toda a propriedade. Não se trata de uma batida mas de uma poça, um charco de baixas frequências.

– A tecno continua a ser o veículo privilegiado, mas o groove diversifica-se, entrando por múltiplas direções, umas mais sofisticadas do que outras, mas sempre sem perder a inconfundível capacidade de arrastar o ouvido e o corpo atrás do ritmo. Neste aspeto, TB continua imbatível.

– Dá-me a ideia, no entanto, de ser um disco menos orgânico, ou menos espontâneo, que o anterior. Todo o edifício sonoro parece erguer-se de forma mais calculista. Ainda aqui, um parentesco com a música de…Thomas Brinkmann.

FM

Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #72 – “Sons de ontem (hehe) (FM)”

#72 – “Sons de ontem (hehe) (FM)”

Fernando Magalhães
11.02.2002 160432
quote:
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Publicado originalmente por starsailor
Também ouvi Ash Ra Tempel, o primeiro disco (ainda com Klaus Schultze). Não conheço nada deste pessoal – Schultze, Göttsching (?). Como só ouvi uma vez, não quero fazer grandes comentários. É, no mínimo, uma grande trip sonora, mas talvez pouco… “precisa”. Alguns tiques do guitarrista são claramente influenciados pelo Hendrix ao vivo. Depois, direi mais qualquer coisa. O que é que achas deste disco, Fernando?________________________________________

“Pouco preciso”? Pois…LOOOOOOOL. Todos os álbuns dos Ash Ra Tempel foram declaradamente gravados sob o efeito de LSD. Um deles, “Seven up”, contou mesmo com a participação do Timothy Leary!
Durante alguns anos fui completamente insensível à desordem aparente, sobretudo desse primeiro álbum. Depois, à medida que fui entrando em força no Psicadelismo, apercebi-me de uma série de coisas, sobretudo da estrutura de uma música que, incrivelmente, parte de uma raiz “bluesy” e do rock & roll para partir nas suas incursões cósmicas. O álbum seguinte, “Schwingungen” já deriva para outros espaços sonoros, sendo o segundo lado uma verdadeira “trip” nas nuvens. Claro que não aconselho a ninguém a audição desta música sob os efeitos de, digamos, determinadas substâncias ilícitas. O efeito poderia ser devastador!

Eu sugeriria uma audição da vertente mais planante que o Manuel Gottsching/Ashra exploraria a solo, depois da aventura Ash Ra Tempel, em álbuns como “New Age of Earth” (que o César já trouxe de “o vendedor”…), um álbum entre o minimalismo de “E2-E4” e as grandes sinfonias wagnerianas de Klaus Schulze, “Inventions for Electric Guitar” e “Blackouts” (este também bastante minimal).

Mas se preferires afogar-te numa orgia de eletrónica, em delírio absoluto, então parte para a descoberta dos 4 álbuns dos COSMIC JOKERS, que não eram mais do que a pandilha toda da editora Ohr (incluindo os Ash Ra Tempel), completamente tripada e à solta em improvisações no estúdio. Estas sessões duravam horas e horas mas eram depois editadas pelo Ralf-Ulrich Kaiser (patrão louco da Ohr) de forma a soarem como um produto acabado. Álbuns como “The Cosmic Jokers”, “Galactic Supermaket” e “Planeten Sit-in” são clássicos do space rock, na sua versão mais “outer space”!

Também és capaz de gostar do último álbum dos Ash Ra Tempel, “Starring Rosi” (ed. CD na Spalax) o mais bem comportado, digamos assim, só com o Manuel Gottsching (os outros ou já tinham flipado, como o baixista Hermut Hanke, ou partido para outras aventuras, como o Klaus Schulze) e a namorada, Rosi Muller. O álbum é uma mistura de rock planante, eletrónica, bossa-nova e pop estratosférica.

saudações kraut

FM

Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #69 – “tangerine dream (buddah)”

#69 – “tangerine dream (buddah)”

Fernando Magalhães
30.01.2002 040415
quote:
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Publicado originalmente por buddah
Uma visita a uma REmar fora de mão rendeu um bom bocado hoje…

Tudo em vinil. 10 Euros… he he he!

LA Dusseldorf – Viva

Tangerine Dream – Electronic Meditation

Tangerine Dream – Cyclone

Tangerine Dream – White Eagle

Tangerine Dream – BSO Thief

Tangerine Dream – Logos Live

Tangerine Dream – Ricochet

Edgar Froese – BSO Kamikaze 1989

Meat Beat Manifesto – Radio Babylon

Marvin Gaye – How Sweet It Is To Be Loved By You…

Não está mal, para um dia de trabalho…

Paz!
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Sem querer estar a desmoralizar-te, mas nenhum desses álbuns dos Tangerine Dream é importante, alguns deles são mesmo a atirar para o chato.
O “Electronic Meditation” é historicamente relevante mas a música (free rock, improvisação, noise) não tem rigorosamente nada a ver com o som eletrónico que viria a caracterizar os álbuns seguintes do grupo, começando em “Alpha centauri”e culminando nos fenomenais “Phaedra” e “Rubycon”.
A partir daí foi sempre a descer. “Ricochet” (sucessor de “Rubycon” na discografia dos TD) é, ainda assim, um registo ao vivo interessante.
“Stratosfear”, “Cyclone”, “Force Majeure” e “Tangram” apresentam um ou outro lampejo da antiga glória.

Do EGAR FROESE a solo, recomendo os dois primeiros: “Aqua” e “Ypsilon in Malaysian Pale” e, alguns furos abaixo, “Pinnacles”.

Dos LA DÜSSELDORF não percas o primeiro, “La Düsseldorf”

saudações kraut

FM