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Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #6 – “Perguntas Existenciais”

#6 – “Perguntas Existenciais”

Victor Afonso
10.09.2001 101045
Como não há duas sem três, a saga continua.

Apesar do Vítor Junqueira ter subvertido as regras do inquérito (ao optar por respotas “X”, quando o estipulado era optar OBRIGATORIAMENTE por apenas um nome), volto a propor mais uma lista charada de opções musicais.

Há sempre algo que une cada par: género musical, época histórica coincidente, caracterísicas estilísicas comuns, etc.

Quem serão os ousados que aceitam o repto? Desta vez faço simultaneamente as perguntas e respondo pessoalmente a cada uma delas.

1) David Sylvian ou Momus? 1
2) Bauhaus ou Peter Murphy? 1
3) Hugo Largo ou Young Marble Giants? 1
4) De La Soul ou The Disposable Heroes of Hiphoprisy? 2
5) Nine Inch Nails ou Ministry? 2
6) The Feelies ou The Chameleons? 1
7) Psychic TV ou Coil? 2
8) Fred Frith ou Elliott Sharp? 2
9) Tuxedoo Moon ou Minimal Compact? 1
10) Mano Negra ou Manu Chao? 1
11) Natasha Atlas ou Cheikha Rimitti? 2
12) King Krimson ou Genesis? 1
13) Therapy? ou Dinossaur JR? 1
14) Death in June ou Current 93? 2
15) Perry Blake ou Jay Jay Johanson? 2
16) Funki Porcini ou Coldcut? 1
17) Sex Pistols ou Clash? 1
18) Frank Zappa ou Captain Beefheart? 1
19) Flaming Lips ou Divine Comedy? 2
20) Oval ou Scanner? 2
21) Atom Heart ou Felix Kubin? 1
22) Spacemen 3 ou Spiritualized? 1
24) Drum ‘n’ Bass ou Trip-Hop? 1
25) Janes Addiction ou Red Hot Chili Peppers? 1
26) DJ Shadow ou DJ Spooky? 2
27) Public Image Ltd. ou The Birthday Party? 2
28) Sly & The Family Stone ou Parliament? 2
29) Wu-Tang Clan ou Busta Rhymes? 1
30) Cool Hipnoise ou Megafone? 2
31) Mafalda Arnauth ou Kátia Guerreiro? 1
32) Carlos do Carmo ou João Braga? 1
33) Xutos e Pontapés ou GNR? 1
34) Symbiose ou Ananana? 2
35) Bebel Gilberto ou Marisa Monte? 1
36) João Gilberto ou António Carlos Jobim? 2
37) Squarepusher ou The Third Eye Foundation? 1
38) Thievery Corporation ou Cinematic Orchestra? 2
39) Propellerheads ou Chemical Brothers? 2
40) Jamiroquai ou Beck? 2
41) Moloko ou Sneaker Pimps? 1
42) The Experimental Pop Band ou The Beta Band? 1
43) Ambient ou Illbient? 2
44) Scorn ou Rapoon? 1
45) REM ou Echo and the Bunnymen? 2
Pergunta Extra) – U2 ou Negativeland? X

Victor Afonso

Fernando Magalhães
10.09.2001 160425

Qual é o prémio?
Er…Escreve-se: NEGATIVLAND!

Quanto às respostas:

1) David Sylvian ou Momus? 1
2) Bauhaus ou Peter Murphy? 1
3) Hugo Largo ou Young Marble Giants? 1
4) De La Soul ou The Disposable Heroes of Hiphoprisy? 2
5) Nine Inch Nails ou Ministry? 2
6) The Feelies ou The Chameleons? 1
7) Psychic TV ou Coil? 2
8) Fred Frith ou Elliott Sharp? 1
9) Tuxedoo Moon ou Minimal Compact? 1
10) Mano Negra ou Manu Chao? 1
11) Natasha Atlas ou Cheikha Rimitti? 2
12) King Krimson ou Genesis? 1
13) Therapy? ou Dinossaur JR? 2
14) Death in June ou Current 93? 2
15) Perry Blake ou Jay Jay Johanson? 2
16) Funki Porcini ou Coldcut? 2
17) Sex Pistols ou Clash? 1
18) Frank Zappa ou Captain Beefheart? 1
19) Flaming Lips ou Divine Comedy? (não conheço os 1ºs, embirro solenemente com os 2ºs…)
20) Oval ou Scanner? 1
21) Atom Heart ou Felix Kubin? 2
22) Spacemen 3 ou Spiritualized? 1
24) Drum ‘n’ Bass ou Trip-Hop? X
25) Janes Addiction ou Red Hot Chili Peppers? 1
26) DJ Shadow ou DJ Spooky? 2
27) Public Image Ltd. ou The Birthday Party? 1
28) Sly & The Family Stone ou Parliament? X
29) Wu-Tang Clan ou Busta Rhymes?
30) Cool Hipnoise ou Megafone? 2
31) Mafalda Arnauth ou Kátia Guerreiro? 1
32) Carlos do Carmo ou João Braga? X
33) Xutos e Pontapés ou GNR? 1
34) Symbiose ou Ananana? 2
35) Bebel Gilberto ou Marisa Monte? 2
36) João Gilberto ou António Carlos Jobim? X
37) Squarepusher ou The Third Eye Foundation? 2
38) Thievery Corporation ou Cinematic Orchestra? 2
39) Propellerheads ou Chemical Brothers?
40) Jamiroquai ou Beck? 2
41) Moloko ou Sneaker Pimps?
42) The Experimental Pop Band ou The Beta Band? 1
43) Ambient ou Illbient? 1
44) Scorn ou Rapoon? 2 (O que é que têm a ver estes dois nomes? Os Scorn não são pop? Os RAPOON são uma derivação dos ZOVIET FRANCE, cruzados com Steve Roach…)
45) REM ou Echo and the Bunnymen? X
Pergunta Extra) – U2 ou Negativeland? 1, evidentemente!  (esta foi a única a brincar…)

FM

Electric Light Orchestra – “Orquestra Da Luz” (a discoteca | artigo de opinião)

PÚBLICO QUARTA-FEIRA, 4 JULHO 1990 >> Videodiscos >> Pop

A DISCOTECA


ORQUESTRA DA LUZ

Jeff Lynne foi um dos inventores do conceito “pop sinfónico”, isto é, melodias engraçadas, vestidas, com pompa e circunstância, de violinos, violoncelos e, se possível, de uma orquestra sinfónica inteira. Os Electric Light Orchestra deram-lhe a fama e o proveito. Agora lançou um disco a solo, “Armchair Theatre”, gravado em casa e sem grandes truques.



Os Electric Light Ochestra, ou ELO, sigla pela qual são conhecidos, formaram-se em 1971, das cinzas dos Move, que nos dias derradeiros incluíam Lynne e Roy Wood, outro “sinfónico” assumido. A ideia que presidiu à formação da nova banda era dar à pop um rosto clássico, sem perder de vista a acessibilidade e sensibilidade típicas daquela. Não se tratava de juntar um grupo pop a uma orquestra (como já o haviam feito os Procol Harum, os Deep Purple e os Moody Blues), mas sim fazer um grupo à maneira de uma orquestra. A ambição era criar uma espécie de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band de trazer por casa. A tarefa era possível graças aos talentos de multi-instrumentistas da dupla Lynne/Wood, desmultiplicados em mil e um instrumentos, no processo de gravação de estúdio, no qual ambos se revelaram peritos. Além de que os dois não eram de todo incapazes quanto ao jeito para compor melodias atraentes e acessíveis.

Roll over Beethoven

O resultado obtido traduziu-se num híbrido musical que juntava os Beatles (“Strawberry Fields Forever” e “I Am The Walrus” foram a pedra de toque do projeto ELO) e os Queen no mesmo saco. Para alguns era insuportável e pretensioso. Mas a maioria consumidora foi sensível à ideia e aos discos que foram aparecendo. Em setembro de 1978, os ELO tocavam, no Forum de Montréal, para uma assistência de perto de um milhão de pessoas. Os álbuns, a partir do êxito maciço de “A New World Record” (1976) e, sobretudo, “Out Of The Blue” (1977), eram sistematicamente platina. Os hits sucediam-se: “10538 Overture”, “Roll over Beethoven” (um clássico de Chuck Berry), “Livin’ Thing”, “Telephone Line” ou “Mr. Blue Sky” chegaram sem dificuldades ao Top Ten de ambos os lados do Atlântico. Por alturas de “Out of the Blue”, a banda apresentava, nos espetáculos ao vivo, uma réplica gigantesca de uma nave espacial, como era figurada na capa do disco, criando um “show” de luz e efeitos visuais na linha dos “Encontros Imediatos do 3º Grau”.
O sucesso de Lynne deve-se, em parte, à já referida capacidade de compor canções que “ficam no ouvido”, aliada ao mérito do trabalho como produtor e engenheiro de som. Lynne, como Midas, transforma tudo o que toca em ouro (e platina). Não espanta, pois, que nomes de peso, como Roy Orbinson (um dos seus ídolos), Brian Wilson, Randy Newman, Tom Petty ou, mais recentemente, George Harrison, tenham recorrido aos seus serviços.

Em Casa É que É Bom

Chegado ao topo e à situação de “bem instalado na vida”, juntou-se à banda de reformados de The Traveling Wilburys, ao lado dos gerontes Bob Dylan, Tom Petty e George Harrison. Por fim, farto de todas as companhias, resolveu investir nele próprio a solo. Fê-lo este ano com o álbum “Armchair Theatre”. A intenção e mensagem são óbvias: “Sou o melhor!”, grita-nos ele a cada espira, garantindo-nos que valeu a pena esperar. Se valeu ou não, cabe ao auditor decidir. O álbum continua a estética e orientação ELO, embora recorrendo a outros meios. Lynne fartou-se dos brinquedos mágicos do estúdio e afirma que o melhor que há é “gravar em casa”. Sem dígitos que lhe valham. Foi numa casa antiga, do séc. XV. “A sala de controlo era a casa de jantar. O piano foi gravado no salão. As vozes num corredor. As guitarras na cozinha e a bateria numa área da casa onde, em tempos, todas as botas eram guardadas”. Então, e na casa de banho, nada? O disco, caseiro como é, agradará decerto às domésticas (sem desprimor para estas) e àqueles mais dados ao recato e ao gosto conformista. Ao longo de quase todo o disco, a voz de Lynne parece-se muito com a de George Harrison (e George aparece mesmo, mas não há confusão). Em “Nobody Home”, quer parecer-se com a de Lou Reed. E em “Don’t Say Goodbye” com a de Presley. Fica-se pelo querer. Há três clássicos, mais ou menos assassinados para parecerem mais bonitinhos: “Don’t Let Go”, de Jesse Stone, “September Song”, de Maxwell Anderson e Kurt Weill e “Stormy Weather” de Ted Koehler e Harold Arlen. Trata-se, sem dúvida, de um bom esforço, que decerto será bem recompensado. Para os saudosistas, há ainda o bónus adicional de um duplo-coletânea, “The Very Best of the Electric Light Orchestra”, reunindo todos os êxitos da banda. Para Jeff Lynne este é o ano de nenhuns perigos.

Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #5 – “Olá e…novo P.Hammill, fantástico!”

Fernando Magalhães
10.09.2001 160412
Olá a todos. Finalmente de regresso ao…grunf…trabalho!

Mas as saudades, sobretudo do pessoal do forum, já eram muitas…Por isso é bom voltar.

Depois desta introdução lamechas – chuif – vamos ao que interessa: a paleontologia. E os dinossáurios. Sabiam que se está a chegar à conclusão que muitos deles tinham o corpo coberto de penas? É verdade… Só falta dizer agora que tinham mas era o corpo coberto de jardéis e que…

Bom, mas chega de palhaçada.

Vamos à música:

O PETER HAMMILL tem um álbum novo, magnífico, para não variar. Chama-se “What, now?” e revela-o num pico de forma notável. O homem está prestes a explodir (de novo…) e pressente-se que está próximo de fazer algo parecido e com a mesma carga apocalíptica de “In Camera”.

O tema central é o tempo, o fim, o confronto final com o ego. Também um retorno aos ataques ferozes à igreja (olá Herbsman!). E o amor, tratado de forma sublime, claro! Vale a pena seguir atentamente os poemas.

A música e as vocalizações são poderosas. A electrónica ocupa um lugar de destaque, como nos tempos de “The Future now” e “PH7”. Mas a marca instrumental pessoalíssima de PH, o seu piano e guitarras saídas do fundo da alma, gritam e oram e gemem e exploram os confins do mundo e do espírito. Como sempre, sem concessões de qualquer espécie. PH é o último romântico, o génio absoluto da música deste século. Este álbum confirma-o!

Uma chamada de atenção para as reedições remasterizadas dos álbuns do CARAVAN, expoentes do som de Canterbury dos anos 70. Quem aprecia os 1ºs SOFT MACHINE não deverá perder. Para a semana farei um “especial Canterbury” no “Y”, a propósito destas reedições.
Para que conste os álbuns são “If I Could do it all over again, I’d do it all over you” (9/10), “In the land of Grey and Pink” (10/10), “Waterloo Lily” (8/10), “For Girls who Grow Plump in the Night” (7,5/10), “Caravan & The New Symphonia” (ao vivo, 6/10) e “Cunning Stunts” (6,5/10).

Os três primeiros são fundamentais.

Para o Rat-tat-tat: Escrevi há uns meses no “Y” sobre os EMBRYO. Um texto grande sobre cinco álbuns deste grupo alemão pioneiro da fusão do free-rock com música étnica e jazz. Imagina um cruzamento de Soft Machine afreakalhados, batuques africanos, raga indiano, improvisação sobre ácido “a la GURU GURU” e jazz rock…
Vou procurar o texto e depois faço um “copy & paste”.

saudações de regresso “ao vício”

Fernando Magalhães