Arquivo mensal: Novembro 2009

Tuatara – Breaking The Ethers

21.05.1997
Tuatara
Breaking The Ethers
EPIC, DISTRI. SONY MUSIC

tuatara_breakingtheethers

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Os Tuatara são um caso típico em que a soma difere em absoluto da natureza da parcelas. Uma audição “cega” indica estarmos em presença de um grupo de fusão, nas proximidades do jazz de colorações étnicas. Saxofones, percussões acústicas, um didjeridu e, sobretudo, a presença quase constante de vibrafones e marimbas, remetem a música dos Tuatara para estes domínios. Citam-se influências: Ennio Morricone, Roland Kirk, Miles Davis, Zakir Hussain, Charles Mingus. Mas consulte-se a ficha técnica e avalie-se a proveniência de cada um dos elementos do grupo. O espanto instal-se. Barrett Marvin (bateria, vibrafone, marimba, “steel drums”, violoncelo e “sitar”) tocou bateria nos Screaming Trees. Justin Harwood (baixo, guitarra acústica, piano, vibrafone e percussão) é um dos fundadores dos Luna. Peter Buck (guitarras acústica e “slide”, saltério e bandolim), todos o conhecem dos R.E.M. o quarto elemento, Sharuk (saxofone, “steel drums”, vibrafone e percussão), além de um par de gravações com a sua própria banda, os Critters Buggin, tocou em formações de “west coast rock”, “funk” e “jazz”. Para aumentar a confusão, registe-se ainda a participação dos convidados Mike McCready, dos Pearl Jam (os Tuatara nasceram em Seattle…) e Steve Berlin, dos Los Lobos. a questão resume-se a saber quem irá pegar neste híbrido, sem dúvida atraente, dos Tuatara, se o órfão das descargas eléctricas de Seattle, em desespero de causa, se o cidadão bem acomodado que gosta de “jazz rock” e da música das baleias e golfinhos. “breaking the Ethers” é um enigma que não vale apena resolver. ao ouvir um tema como “Darl State of Mind”, quem tiver idade para se poder lembrar, há-de citar instantaneamente o nome dos Gong, na altura em que este grupo era liderado por Pierre Moerlen. Serve de pista? (7)

Superego – A Lenda da Irresponsabilidade do Poeta

06.04.2001
Superego
A Lenda da Irresponsabilidade do Poeta
Metrodiscos, distri. Zona Música
7/10

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Rodeado à nascença de alguma polémica, este disco de estreia desta banda de Aveiro liderada por Jorge Cruz, vocalista e autor de todos os textos, lança uma lufada de ar fresco no cada vez mais asfixiante panorama do rock português. É verdade que “A Lenda da Irresponsabilidade do Poeta” é um título, além de pomposo, irritante, mas isso não impede a verificação de que estamos perante uma fusão bem sucedida entre urbanidade e ruralidade, raiva e isolamento, a paranóia do afastamento e o silêncio dos campos. Viagem circular, sem saída, dita, preto no branco, em “Dívidas (a liberdade da solidão), documentário cru servido com tempero rock que, uma vez posto a tocar no leitor de CD, é difícil de arrancar de lá. As vocalizações de Jorge Cruz acompanham a forma pouco habitual como os Superego entendem o ritmo, aspecto que permite enquadrar “A Lenda…” na ala rock da editora Recommended, representada por grupos como No Safety, The Momes, The Work ou Forever Einstein. Podia era ter-se evitado o manifesto redigido na capa. Francisco Loução, já cá temos um.

The Tannahill Weavers – Dancing Feet

30.03.2001
The Tannahill Weavers
Dancing Feet
Green Linnet, import. Megastore Valentim de Carvalho
8/10

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LINK (“Leaving St Kilda “)

Uma boa notícia para os admiradores incondicionais desta banda escocesa clássica, a reedição em CD de “Dancing Feet”, originalmente editado em 1987, altura em que o grupo procurava afirmar-se definitivamente no panorama da folk céltica. Era o tudo ou nada, num circuito cada vez mais dominado pela competição (tinham nos Battlefield Band os principais competidores…), desafio ao qual os Tannahill Weavers responderam com o primeiro clássico da sua carreira. Muitos outros se haveriam de seguir, mas “Dancing Feet” retém a magia e o entusiasmo dos momentos únicos. Sobre um reportório cem por cento tradicional que abrangia desde composições de “pipe majors” de bandas militares a uma balada de Archie Fisher ou um tema do prolífico Robert Burns, “Dancing Feet” é um conjunto portentoso de canções instrumentais, ao nível dos melhores álbuns dos Battlefield, dos raros capazes de congregar novos adeptos para a causa céltica e de responder aos anseios mais profundos dos que a ela já aderiram há muito. Porquê “Dancing Feet”?. Escutem o “set” instrumental número sete e logo saberão a resposta.