Arquivo mensal: Julho 2009

Gaiteiros de Lisboa – Dançachamas

15.12.2000
Gaiteiros de Lisboa
Dançachamas
Ed. e distri. Farol
7/10

LINK (CD1)
LINK (CD2)
pwd: oneil

Quando se poderia ser levado a pensar que o mais recente trabalho dos Gaiteiros não passaria de um “fait divers” destinado à conclusão amigável de um contrato, eis que “Dançachamas” vem afinal iluminar uma das facetas da que os dois álbuns anteriores álbuns do grupo deixavam por esclarecer: a energia, o humor e a criatividade “no instante” dos espectáculos ao vivo. É verdade que “Dançachamas” (título que é, uma vez mais, um achado) não apresenta temas originais, não constituindo novidade para quem nos últimos tempos tem acompanhado de perto a carreira ao vivo do grupo, mas para aqueles que apenas conhecem a “feérie” instrumental, vocal e ideológica de “Invasões Bárbaras” e “Bocas do Inferno” este “Lançachamas” não deixará de constituir um apetecido bónus. Ao longo de dois CDs captados num único fim-de-semana no CCB, os Gaiteiros e os seus convidados (José Mário Branco, Vozes da Rádio, Danças Ocultas, Tocá Rufar) celebram a festa pagã de um folclore que apenas existe na imaginação.

Alog – Red Shift Swing

15.12.2000
Alog
Red Shift Swing
Rune Grammofon, distri. Dargil
8/10

alog_redshiftswing

LINK

Com data de edição já do ano passado, este segundo álbum dos noruegueses Alog, Espen Sommer Eide e Dag-Are Haugan, surge como um corte de corrente na electrónica de dança ao mesmo tempo que constitui um balão de oxigénio para o depauperado pós-rock. Armado de sopros, percussões, cordas, sintetizadores e gravações de campo, “Red Shift Swing” é um pouco a versão rock da estética jazzy dos Supersilent e, como esta, assente na improvisação. Loops de nevoeiro, sequências de terror à maneira dos Severed Heads que desembocam em simulacros de “chill out”. Câmaras de tortura, relojoaria avariada, descargas de falso easy-listening (dos Köhn), lampejos dos Cluster industriais através de um néon fantasmagórico (o fantástico título-tema) e títulos como “Popol Vuh” (homenagem aos berlinenses dos anos 70?) e “A Regular Hexagon is found traced in the sand of some beach” tornam “Red Shift Swing” um sério concorrente ao último dos Gybe.

Bidlo – Bilder

08.12.2000
Bidlo
Bilder
Harmsonic, distri. Symbiose
7/10

bidlo_bilder

Não saem sons novos das máquinas, mas o manancial de ideias que Bidlo (Mathias Delplanque, cidadão francês nascido há 27 anos no Burkina Faso) extrai delas é suficiente para fazer de “Bilder” um dos discos de nova electrónica mais frescos do ano. Escultor, autor de instalações sonoras, apreciador de Tom Waits, Art of Noise, Stravinsky, Pierre Henry e Boulez, armado com electrónica “lo-fi” e filmes na cabeça para criar “histórias imprevisíveis para as pistas de dança e o sofá”, Bidlo recria neste seu álbum de estreia uma paleta electrónica diversificada que faz jus ao seu currículo de escultor e amante de cinema. “Bilder” está impregnado de vozes cinematográficas residuais, fotogramas ampliados de enredos “trip hop” e electro abstraccionista, moldados segundo uma noção espacial do som. Depois, como um bom francês que é, Bidlo privilegia a elegância, evidente num tema como “Journée portes ouvertes”, imbuído do mesmo swing requintado dos Kreidler.