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Faust – “Patchwork”

10.01.2003

Faust
Patchwork
Staubgold, distri. Matéria Prima
7/10

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Os velhos activistas não desistem. Mas o que era lenda foi trocado pelo esforço em manter viva a subversão que, há mais de 30 anos, fez de “Faust”, “So Far” e “The Faust Tapes” a trindade maldita e, depois de Zappa, a segunda principal revolução do rock moderno. “Patchwork” repete a fórmula que deu origem à obra-prima “The Faust Tapes”. Mas se essa imensa colagem tem a consistência de um gigantesco organismo com vida, o novo álbum limita-se a recolar excertos da discografia prévia dos anos 70, 80 e 90, remisturando-os de maneira diferente. Para os incondicionais pode ser um jogo delicioso redescobrir segundos de ruídos familiares ou pedaços de canções como “It’s a rainy day, sunshine girl”, ocultos sob um denso manto de cacofonia. Trata-se, afinal, de pôr em prática o que o produtor Uwe Nettlebeck já preconizava em 1973: “Sempre gostámos da ideia de editar discos que pareçam inacabados; em que a música soe como um ‘bootleg’, como se tivesse sido gravada por alguém que ao passar por um grupo qualquer a ensaiar gravasse e montasse tudo de forma selvagem.”

Faust – “Ravvivando”

16.04.1999

Faust
Ravvivando (7)
Klangbad, distri. Ananana

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Como Julian Cope tão bem fez notar na sua pequena bíblia apologética do “krautrock”, o livro “Krautrocksampler”, uma das virtudes dos Faust foi a percepção exacta que tiveram do momento. Praticantes de uma estética de provocação com raízes no rock repetitivo dos Velvet Underground e no humor explosivo dos Mothers of Invention, ou ainda na corrente da música concreta, os Faust abriram uma cratera no som dos progressivos ingleses dos anos 70, introduzindo-lhe no ventre uma granada. Fizeram história. Uma história curta, intensa e recheada de mistério. Nos anos 90 os Faust regressaram das cinzas para desfazerem o mito. Primeiro através de uma montagem genialmente conduzida por Jim O’Rourke (“Rien”), depois com uma inspirada operação de mímica operada pelos próprios a rasgar a memória (“You Know FaUSt”), os Faust apostaram em deitar abaixo o castelo construído nos anos 70. “Ravvivando” é um bom álbum, mas um álbum em que os Faust se meostram demasiado empenhados em soar da maneira que deles esperam os velhos apreciadores do grupo. O som tem a sua marca inconfundível, com a diferença de que entretanto já passaram 25 anos. Em 1999 a banda germânica é uma banda tardia de música industrial que destrói os palcos por onde passa (como fizeram os Einstürzende Neubauten na década anterior) e à qual faz falta a subtileza melódica de Jean-Hervé Péron, que já abandonou o grupo. Werner Diermaier e Joachim Irmler sabem, melhor do que ninguém, como transformar o ruído em música. Mas não há nada de novo na floresta queimada dos Faust. O que é um pouco triste num grupo que há um quarto de século atrás fez da novidade a sua bandeira.

Faust – Live In Edinburgh, 1997

30.01.1998
Faust
Live In Edinburgh, 1997 (6)
Klangbad, import. Ananana

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Pouco tempo após o lançamento de outro álbum ao vivo, a banda sonora, mais uma, para o clássico do expressionismo alemão, “Nosferatu”, os Faust voltam à carga, com uma nova sessão de palco, desta feita no Flux New Music Festival, que decorreu em edimburgo no ano passado e cujo resultado mais visível é o de ter dado mais uma machadada no mito, que tanto trabalho deu a criar nos anos 70. Se Jim O’Rourke transfromou um amontoado de resíduos abandonados pelo grupo germânico numa falsa resurreição em “Rien” e se “You Know FaUSt” era um decalque convincente dos feitos de outrora, “Nosferatu” tratou de deitar por terra a ilusão. “Live In Edinburgh” é um pouco melhor. Por uma razão simples e passando por cima do facto de o som ser bastante melhor do que o da lamentável captação do álbum anterior: continua a ser, basicamente, uma sucessão de ruído, com a diferença de que Werner Diermaier, Joachim Irmler e os seus novos discípulos dão uma maior organização ao que, de outro modo, pouco mais seria do que o discurso directo do caos. Esquecendo o passado, todo ele feito de provocações e inovação, poderíamos dizer que os Faust são hoje uma formação de música industrial de peso, cujas apresentações ao vivo – baseadas no excesso de distorção, percussões de metal e betão e lança-chamas – chegam a emular o tom de perigo antes remoído pelos Einstuerzende Neubauten, Laibach e La Fura Dels Baus. Nos anos 70 os Faust assustavam por outras razões. Mas isso, como o demonstra a actual evidência, faz parte de outra história.