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Faust – “As Estratégias Do Diabo” (valores selados | blitz | artigo de opinião | dossier)

BLITZ 17 OUTUBRO 1989 >> Valores Selados


FAUST
AS ESTRATÉGIAS DO DIABO



Se há grupo que nos últimos 30 anos de música popular, soube guardar ciosamente os seus segredos, esse grupo foi certamente o dos Faust. Os seus membros sempre se esconderam num secretismo cerrado, ficando para a História os discos e as raras aparições ao vivo. Nestas últimas, conta quem viu, costumavam tocar na penumbra e rodeados de televisores ligados. Para se entreterem enquanto tocavam, diziam. Se a sua própria atuação não lhes agradava especialmente, limitavam-se pura e simplesmente a abandonar os instrumentos e a ver calmamente os seus programas preferidos.
Mas a lenda foi construída graças aos discos que gravaram. Em todos eles os Faust deixaram bem impressa a marca do génio. Entre 71 e 73 editaram quatro álbuns, correspondendo a outras tantas obras-primas. 16 anos depois da saída de «Faust IV», com que encerraram a sua existência oficial, poucos grupos se poderão orgulhar de terem alcançado os níveis de qualidade absoluta e originalidade radical que estes germânicos lograram atingir.

A Torre de Babel

Não é fácil definir a sua música. A audição de cada um dos discos revela-nos uma síntese de influências tão diversas como a canção pop, a música concreta, o free jazz, as sonoridades clássicas ou um humor corrosivo filiado na tradição Zappa. Todos estes registos são unificados e filtrados por uma abordagem específica e única para a época, traduzida numa utilização revolucionária das técnicas de mistura e gravação. Os Faust foram o primeiro grupo a utilizar o estúdio como instrumento musical. A sua música é uma gigantesca colagem de sons desmontados e voltados a montar as vezes necessárias até se atingir o resultado pretendido: uma música extremamente diversificada e complexa e, no entanto, perfeitamente coerente. O segredo dos Faust está na arte de juntar e harmonizar sons e palavras aparentemente irreconciliáveis. O 1.º álbum chamava-se simplesmente «Faust». Foi editado em 71 e provocou a perplexidade total. A começar pela capa e terminando na música, tudo era diferente do que até então era suposto um grupo pop fazer. A capa e o vinil eram totalmente transparentes, sobre os quais aparecia a radiografia de um punho fechado. Esta 1.ª edição esgotou rapidamente sendo a capa das edições seguintes já em cartão. Anos mais tarde a Recommended Records reeditava o disco com a capa original. Mas se a capa era original, que dizer da música? Era a grande pedrada no charco. O que os nossos ouvidos escutaram não se parecia com nada a que estivéssemos habituados. Era o 1.º grande golpe desferido nas convenções e tabus do Rock. O álbum abre com «Why don’t you eat carrots»: sobre uma massa eletrónica zunindo de canal em canal, soavam os estertores finais de «All you need is love» e «Satisfaction», dos dois grandes mitos da época, os Beatles e os Stones. Sucediam-se rapidamente um solo de piano desafinado, gritos, sons de motorizada ou algo parecido, até o tema entrar em força de forma não menos esquisita. O 2.º tema, «Meadow Meal», cheio de reverberações e jogos de palavras, passava por um rock ultra pesado, terminando com um órgão de pedais soando melancolicamente sobre sons de trovoada. O 2.º lado é ocupado na íntegra por «Miss Fortune», tocado ao vivo em estúdio e absolutamente indescritível. A ideia geral é a de que todos os músicos se encontravam em adiantado estado de embriaguez. Pelo meio aparecem algumas melodias dos Beach Boys, tocadas em serra elétrica. Um espanto e um direto bem dirigido aos preconceitos reinantes na época dos sinfonismos e progressismos vários. Em 72 é editado o álbum seguinte «So Far». Desta vez é tudo em negro: capa, disco e rótulo central, sem qualquer informação. A versão original continha uma série de gravuras alusivas a cada um dos temas. «So Far» é ainda mais estranho e diversificado que o seu antecessor. Sucedem-se temas magníficos como «It’s a Rainy Day, Sunshine Girl» de uma violência obsessiva, «So Far», mais industrial e ameaçador que todos os atuais industrialismos juntos, a beleza acústica de «On the Way to Albamae», as delirantes paródias de «Mamie is Blue» e «I’ve got my car and my TV» ou o blues degenerado de «In the Spirit». Em 89, «So Far» continua à frente de quase tudo. Descubram-no, ouçam-no e pasmem.

Os anos da virgindade



O grupo assina entretanto pela Virgin, com Richard Branson, nessa época, apenas preocupado em contratar todos os nomes importantes da música vanguardista europeia. O 1.º trabalho editado já com o novo selo é «The Faust Tapes», como o nome indica, uma recolha de material original não incluído nos dois primeiros álbuns. É uma colagem sonora nonstop, 42 minutos de inspiradíssima loucura, exemplo paradigmático do estilo e do génio do grupo. Os géneros mais heterogéneos sucedem-se numa cadência delirante, fazendo deste disco um precursor das técnicas posteriormente utilizadas, em novo contexto, por John Zorn. Experimentalismo radical, truques de gravação e mistura espantosos e melodias do outro mundo tornam «The Faust Tapes» numa peça fundamental da música do nosso século. O disco termina com a recitação em francês e alemão de um texto surrealista, acompanhado unicamente por uma guitarra acústica. Parece simples? Escutem o resultado e abram a boca de espanto. Os Faust faziam maravilhas com os meios mais exíguos.
«Faust IV» é editado em 73, de novo pela Virgin. A formação original do grupo, até então constituída por Jean-Hervé Peron, Werner Diermaier, Joachim Irmler, Arnulf Meifert, Rudolf Sosna e Gunther Wusthoff, dissolve-se, saindo Diermaier, Meifert e Sosna, substituídos por Uli Trepte, vindo dos Amon Duul II e Peter Blegvad que viria posteriormente a formar os Slapp Happy.
«Faust IV» é o álbum da sedimentação de um estilo já então reconhecido nos meios mais vanguardistas. O som apresenta-se mais limado, a sequência das faixas é mais clássica, o choque é menor, em todos os aspetos. «Krautrock», uma divertida crítica ao então designado «Rock Alemão» ou «The Sad Skinhead», mais uma melodia perfeita das muitas que o grupo compôs, são dois momentos significativos de um álbum à altura dos anteriores.

A lenda de Fausto

Com «Faust IV» fechava-se um capítulo de ouro, escrito em apenas três anos por um grupo inesquecível. Nesses três anos os Faust tinham revolucionado toda a música popular. Os motivos da dissolução nunca foram tornados públicos. O mistério mantinha-se até ao fim. Ficaram a lenda e algumas colaborações dispersas de alguns dos seus membros. «Outside the Dream Syndicate» do radical Tony Conrad ou a gravação original do 1.º álbum dos Slapp Happy são as que merecem maior destaque. A partir de aí foi o silêncio.
Foi necessário esperar até 1986, ano em que a Recommended edita «Return of a Legend-Music & Elsewhere», com material inédito gravado já após a dissolução do grupo. Finalmente, em 88, a mesma Recommended edita ainda «The Last LP» também conhecido como «The Party Album», com honras de versão em CD. Este derradeiro testemunho dos lendários germânicos contém ainda alguns originais além de novas misturas de temas antigos. Ambos os discos são indispensáveis para a compreensão do alcance e da influência decisiva que os Faust exerceram na música do nosso tempo.
Hoje têm dignos continuadores nos Residents e nos Negativland. O canadiano Jocelyn Robert também se pode considerar como um dos seus mais brilhantes discípulos, levando às últimas consequências a arte da colagem sonora. Ainda uma referência para os Biota e a sua estética do ruído harmonioso. Foi pois a América quem melhor soube compreender a lição dos mestres. Os compêndios estão disponíveis para todos os interessados.
Para a semana Daevid Allen e o seu planeta Gong.

Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #67 – “les inrockuptibles destaca quinze alemães (Vítor Junqueira)”

#67 – “les inrockuptibles destaca quinze alemães (Vítor Junqueira)”

Vítor Junqueira
25.01.2002 121244
A revista francesa destacou nesta última edição quinze grupos alemães. A saber:

•AMON DÜÜL
[FM, eles chamam a atenção para a primeira encarnação dos Amon Düül, embora depois tb refiram o Phallus Dei e o Yeti, dos AD II]

•ASH RA TEMPEL

•CAN

•CLUSTER

•D.A.F.
[Tenho lá um álbum deles, mas não lhe atribuo, hoje, grande piada… queria era ter o que tem o “Dance The Mussolini”]

•EINSTÜRZENDE NEUBAUTEN

•FAUST

•HARMONIA
[Caramba… destes gajos é que tenho de arranjar coisas…]

•KRAFTWERK

•LA DÜSSELDORF

•NEU!

•POPOL VUH

•TANGERINE DREAM

•XHOL CARAVAN
[estes não conhecia… free jazz? rock cósmico?]

•YATHA SIDHRA

Fernando Magalhães
25.01.2002 160440
Chamaste? 🙂

•AMON DÜÜL
Mas os Amon Duul I são uma freakalhada infernal. Os tipos não sabiam tocar, passavam o tempo a charrar a tocar bongos e a fornicar indiscriminadamente e os álbuns refletem tudo isto. Claro, há quem ache o som muito “free” e anarca e tudo isso mas eu passo. Apenas tenho um álbum deles.

•ASH RA TEMPEL – a banda de space rock alemã por excelência, com o guitarrista e sintetista MANUEL GOTTSCHING aos comandos. Gravaram com o próprio Timothy Leary (“Seven-Up”), as suas desbundas de ácido + gravação de discos em simultâneo fizeram história em Berlim, na primeira metade dos anos 70.
Ainda mais “out” eram as sessões com os COSMIC JOKERS, do qual faziam parte também o Klaus Schulze e o Harald Grosskopf, dos Wallenstein… Também gravaram com um místico suíço que vivia nas montanhas (sempre tudo alimentado a LSD…), chamado SERGIUS GLOWIN e com um cigano/poeta/designer de um tarot, o WALTER WEGMULLER. Álbuns clássicos (mas altamente desbundantes e desconcertantes onde se misturava tudo, rock & roll, kosmischmuzik, improvisação, spoken word…) do krautrock.

•HARMONIA
Eram os CLUSTER + o MICHAEL ROTHER, dos primeiros NEU!. Gravaram discos clássicos (10/10): “Muzik von Harmonia” e “DeLuxe”. recentemente saiu “Tracks & Traces” que recupera sessões originais com o BRIAN ENO.

•LA DÜSSELDORF – motorikamotorikamotorika + …música romântica alpina (Richard Clayderman!!!) – ou se ama ou se detesta. O 1º álbum é o melhor. O projeto – de Klaus Dinger e Thomas Dinger, os dois irmãos dos NEU!, estendeu-se pelos anos 90 com a nova designação de La! Neu?

•POPOL VUH – o grupo do pianista FLORIAN FRICKE. os primeiros álbuns, sobretudo a estreia, “Affenstunde”, é eletrónica pura e bruta, um marco da música cósmica alemã. A partir daí o tipo enveredou por um misticismo de raiz egípcia/cristã (!!!), abandonou os sintetizadores e passou a tocar exclusivamente piano, de uma forma despojada mas sem dúvida de onde se desprende uma religiosidade indiscutível.
“In den Garten Pharaos”, o 2′ álbum ainda tem eletrónica e é um álbum também tido como clássico. A trip proporcionada por esta combinação de Moog + gongos mágicos + piano elétrico + órgão de igreja pode ser perigosa. Dos álbuns místicos há muito por onde escolher mas são um bocado um “acquired taste”. “Hosianna Mantra” pode soar sublime…

•XHOL CARAVAN
Desbunda jazz etno-cósmica. E psicadelismo, claro, sobretudo no primeiro álbum.

•YATHA SIDHRA – Gravaram apenas “A Meditation Mass”, um dos álbuns mais planantes e Zen do krautrock. É uma longa suite em movimentos, de amplas ondas cósmicas, nem sempre muito bem tocado mas com uma aura única. Sintetizadores o mais cósmico possível, guitarras e piano elétrico, mellotron, percussões, cânticos Ohm pedrados e vibrafone em estado de suspensão mágica.

os outros grupos são por demais conhecidos, daí não tecer sobre eles quaisquer considerações.

saudações kraut

FM

Faust – “Faust” + Faust – “So Far” + Faust – “The Faust Tapes” + Faust – “Seventy Minutes Of… (“Munich & Elsewhere + The Last LP)”

Pop Rock >> Quarta-Feira, 11.11.1992

REEDIÇÕES


REGRESSO DE UMA LENDA

FAUST
Faust (10)
So Far (10)
CD Polydor, import. Contraverso
The Faust Tapes (10)
Seventy Minutes Of… (“Munich & Elsewhere + The Last LP) (7)
CD Recommended, import. Contraverso


Na década de todos os regressos, coube a vez aos Faust de ressuscitar da sepultura. Seria impossível imaginá-los, 17 anos volvidos sobre a sua extinção, a actuar de novo ao vivo. Mas foi o que aconteceu, a 23 de Outubro passado, quando a lendária banda germânica pisou o palco do Marquee Club, em Londres. De novo tudo volta a ser possível. Os discos, com lugar reservado na eternidade, foram reeditados em compacto.
Coincidindo com a onda de renovado interesse pelos Faust, a Polydor japonesa reeditou em compacto dois álbuns da banda germânica, que, à entrada dos anos 70, criaram uma alternativa credível ao “rock sinfónico”: “Faust”, de 1971, e “So Far” (inclui reproduções das gravuras que faziam parte do pacote da primeira edição), de 1972. Estas reedições vieram juntar-se a “The Faust Tapes” (1973) e “Seventy Minutes Of…” (junção inéditos dispersos contidos em “Return of a Legend: Munich & Elsewhere” e “The Last LP” ou “The Party Album” como também é conhecido) que a Recommended já havia lançado, no mesmo formato, anteriormente no mercado. À época, a crítica inglesa arrumou o grupo alemão no compartimento geral do “krautrock”, onde cabiam tendências estéticas tão diversificadas como a ala cósmico-planante, representada por Klaus Schulze, Tangerine Dream e Ashra; os “místicos” classicistas como Popol Vuh, Wallenstein, Parzival, Höelderlin, Yatha Sidhra e Mythos; os “rockers” mais ou menos radicais, Guru Guru, Jane, Amon Düül II, Grobschnitt; os electrónicos / industriais / repetitivos Kraftwerk, Cluster, Neu, Harmonia, La Düsseldorf. E os Can, que não se pareciam com ninguém. Hipotético denominador comum entre todos, o psicadelismo levado aos limites. Da vibração cósmica pura (Klaus Schulze), por um lado, ao telurismo tribal (Can), por outro. Em qualquer dos casos, a vontade de transe hipnótico, à custa da repetição e da exploração exaustiva de timbres. A par de uma concepção totalitária da música, à maneira romântica, que encontrou inspiração nos clássicos, sobretudo Wagner, e em mestres da música contemporânea erudita – do minimalista Terry Riley ao concretista Stockhausen. Formados em 1971 por Werner Diermaier, Rudolph Sosna, Gunther Wusthoff, Joachim Irmler e Jean-Hervé Peron, a banda, logo no álbum-estreia, “Faust”, conseguiu surpreender tudo e todos. “Faust” era, em múltiplos aspectos, um disco revolucionário. Desde a apresentação (capa original, vinil e folha informativa transparentes) até à música, totalmente original, construída a partir de colagens sonoras, que aliavam a música concreta, electrónica em estado bruto, guitarras “velvetianas” no limite da distorção, vagas instrumentais wagnerianas, declamações fonético / melódicas plurilinguísticas, citações dilaceradas dos Beatles, Rolling Stones e Beach Boys, e fragmentos de canção pop que se colavam irremediavelmente ao ouvido. Neste disco os Faust inauguravam fórmulas musicais até então inéditas na pop (exceptuando talvez o caso dos Mothers of Invention), que viriam a ser compreendidas e recuperadas, melhor do que ninguém, do outro lado do Atlântico, pelos Residents e, no seu país natal, por um dos alquimistas de som dos anos 90, Holger Hiller. Se “Faust” era a transparência absoluta, “So Far”, o álbum seguinte, era o oposto. Capa e rótulo interior negros. Em separata, gravuras coloridas alusivas a cada tema. “So Far” começa por uma sinfonia de martelo-pilão e acaba num “pastiche” ao jazz de New Orleans. Pelo meio, melodias sobrenaturais, ritmos de pesadelo, uma contenção máxima do vocabulário favorável a mil ambiguidades, “riffs” de guitarra saturada na melhor tradição dos Velvet Underground, um humor que não se julgaria possível em alemães (explorado em maior extensão em “Acnalbasac Noom”, “Casablanca Moon” ao contrário, com os Slapp Happy de Anthony Moore, Peter Blegvad – que chegou a integrar uma das formações dos Faust – e Dagmar Krause) e uma síntese final que, a cada segundo, apontava novas orientações estéticas passíveis de exploração.
“The Faust Tapes”, lançado em 1972, primeiro para a Virgin, foi posto à venda no Reino Unido por 49 pence – o preço de um “single”. Depois, para quem até essa altura se havia queixado de falta de informação, uma capa completamente preenchida por textos informativos. “Overdose” semântica que encontrava paralelo na grandiosa orgia de sons e ideias que até hoje permanece como uma das obras-orimas da música experimental de todos os tempos. São quarenta e tal minutos de uma faixa única (a versão em CD foi indexada em 26 partes), composta por fragmentos de estúdio, interligados num mosaico vertiginoso. Um trabalho genial do qual, ano após ano, foram brotando sementes, que aproveitaram a uma legião de novos nomes que na Recommended encontraram terreno fértil para se desenvolverem: 5 Uu’s, Motor Totemist Guild, La 1919/Luciano Margorani, When, Jocelyn Robert, Die Vogel Europas, After Dinner, Art Barbeque, Biota / Mnemonists, Expander des Fortschritts, entre outros, sem esquecer os Negativland e os Residents. O derradeiro álbum de originais gravado antes do grupo se extinguir, “Faust IV”, é mais contido e pensado que os anteriores. No início, uma paródia demencial à paranoia repetitiva a que alguns tinham reduzido o rock alemão (repetição que, num registo sério, fora levada ao limite do suportável, no disco grabado por alguns elementos dos Faust com o violinista Tony Conrad – “Outside the Dream Syndicate”), com o título precisamente de “Kraut Rock”, mostra até que ponto os Faust tinham tomado consciência da sua importância, o que, de certo modo, acabou por limitar um pouco a criatividade. As melodias são mais óbvias. É notório um tipo de alusões explicitamente “Faust”, quer dizer, a um som tornado já imagem de marca. Indispensável, apesar de tudo, e muitos furos acima da produção média dos anos 70. Alguns anos depois da aventura ter chegado ao fim (a extinção “oficial” do grupo é geralmente dada em 1975), a Recommended lançou os dois álbuns póstumos já mencionados, “Return of a Legend: Munic & Elsewhere” e “The Last LP”, com o objectivo de manter viva a lenda que o título do primeiro não disfarça, e de trazer para a ribalta algumas das peças que faltariam à conclusão do “puzzle”. A audição dá a perceber as razões que levaram os Faust, na altura, a deixar de foa este material, embora no primeiro caso este se destinasse a ser editado. Faz então sentido dizer que o “lixo” tem tanto valor como o “ouro” de outros. Com a actual reformação da banda, voltam a ser lícitas todas as expectativas.