Arquivo da Categoria: Tecno

Phantom Slasher – Puddle & Spout

11.05.2001
Phantom Slasher
Puddle & Spout
Noid, distri. Symbiose
8/10

LINK (“Key to the Tripod” – 2008)

Phantom Slasher é um colectivo inglês pouco conhecido entre nós sobre o qual se diz que fazem discos sem qualquer ligação entre si. “Puddle & Spout” começa por uma capa que parece um panfleto punk, passa pela completa ausência de informação e termina num banho de gozo. “Puddle & Spout” situa-se nos territórios da música de dança mas a sua força, sustentada por uma visceralidade que tem tanto a ver com o transe tribal dos Can como com a soul sexuada de James Brown, afasta-se dos parâmetros do Groove sintético. O efeito destas batidas entre o afrosoul, o electro e a hipnose, semelhante ao provocado pelos Soul Center, é arrasador. Mesmo se a ironia não está ausente deste exercício que começa com um tema de jazz ambiental e fecha em paródia, numa desbunda de disco sound com a máscara de gorila dos Yello, o corpo não consegue resistir ao ritmo da anedota.

Jim Avignon’s Neoangin – A Friendly Dog In Na Unfriendly World

11.05.2001
Jim Avignon’s Neoangin
A Friendly Dog In Na Unfriendly World
Wonder, distri. MVM
7/10

neoangin

LINK

Jim Avignon é um artista multimédia residente em Berlim a quem já chamaram “o homem que pinta com um gira-discos” e “O Ticiano da tecno”. “A Friendly dog…” é o terceiro álbum do seu projecto Neoangin e o mínimo que se pode dizer dele é que consegue ser pop sem perder o fascínio e o gosto pelo risco. Pop electrónica onde as ondas de vibrafone e arquivos marados de um órgão Hammond se baralham, numa brincadeira constante com o estúdio. Umas vezes parece o ska dos Madness, noutras uns Shadows aos quais tivessem oferecido um sintetizador; há canções que lembram os Stranglers das melodias malsã, enquanto outras se caracterizam pela rítmica “Residents no jardim infantl2 dos Der Plan ou se medem pela nostalgia recente dos Dakota Oak. Ao todo, 33 canções onde a alegria, a luz e o prazer do som artesanal se confundem, tão deliciosas como as gravuras/cartoons do “booklet”.

Isiphilon – Essence

15.08.1997
Isiphilon
Essence (6)
Ed. e distri. Symbiose

isiphilon_essence

Os títulos não enganam: “Spiritual Death”, “Calling the Flames”, “Unsoul Curse”, “Tremors”, “Dark Summons”, “Lower Statums”. A capa, uma estatueta truncada de uma criança, também não. Estamos em pleno domínio do gótico, onde o classicismo das formas se alia ao demonismo do conteúdo. Os Isiphilom, projecto nascido das cinzas dos Poetry of Shadows, inserem-se numa escola disseminada pela Europa que procedeu à síntese da electróncia industrial com a tecno, o ambientalismo e derivações world de ressonâncias pagãs.
As referências próximas são igualmente óbvias, da reconversão electrónica da batida militarista dos In The Nursery à intensidade com que a vocalista, Carmen, se entrega à emulação dos cantos sepulcrais dos Dead Can Dance ou dos Cocteau Twins. Mas se a originalidade não é dos pontos mais fortes dos Isiphilom, nem será esta, de resto, a sua principal preocupação, não se pode negar à banda liderad por Oblivion (guitarras, teclados e programação) uma convicção que advém da genuína entrega a uma estética e a uma filosofia (ver entrevista neste suplemento) que poucos cultivaram no universo dos novos grupos nacionais. Soam convincentes sa lamentações, o classicismo luciferino e a sumptuosidade da maioria dos temas, nos quais as emanações etéreas da voz conseguem sobreviver a dar vida ao ritmo implacável das máquinas.