Arquivo da Categoria: Rock Psicadélico

Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #117 – “This Heat (Pedro Gomes)”

#117 – “This Heat (Pedro Gomes)”

Fernando Magalhães
19.06.2002 170548
Os THIS HEAT são, além dos CLUSTER, dos CAN, dos NEU!, dos HELDON e dos SEVERED HEADS, provavelmente a banda que mais influenciou – ou antecipou! – o pós-rock. É curioso o facto da sua música juntar alguma da estética anterior do RIO (Rock in Opposition, ligado à Recommended) com a música industrial e a eletrónica “rough” de uns Cabaret Voltaire.
A diferença está em que CHARLES HEYWARD, o mentor do grupo, é um tipo com uma imensa cultura musical, cujo passado, como músico, entronca no rock progressivo (fez parte de uma banda de que não me lembro agora o nome).

Já agora, que disco é que ouviste, o primeiro, “This Heat” ou o seguinte, “Deceit”? São algo diferentes entre si. Mais fragmentário, acutilante e metálico o primeiro. Mais elaborado e construído em torno de “canções”, o segundo.

Como complemento aos THIS HEAT, o passo seguinte é ouvir os THE CAMBERWELL NOW (“The Ghost Trade”), numa vertente mais rock mas não menos imaginativa e poderosa, ou o disco de estreia a solo do C. Heyward, “Survive the Gesture”.

FM

Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #113 – “Os melhores 240 de sempre!”

#113 – “Os melhores 240 de sempre!”

Fernando Magalhães
15.06.2002 040451
Uma boa hora para se falar do Mike Oldfield! 😀

O “Tubular Bells” é um bom disco mas também um bocado sobrevalorizado, acabando por sofrer um pouco da mesma síndrome de sobre-exposição do “Dark Side of the Moon”. Aquela longa sequência da apresentação dos instrumentos já não se consegue ouvir… No entanto, o álbum está recheado de bons momentos, embora soe aqui e ali demasiado artificial, notando-se as “costuras” de estúdio.

Dito isto, prefiro os álbuns seguintes: “Hergest Ridge”, “Ommadawn” (com o Paddy Moloney, dos Chieftains) e o duplo, minimalista e misterioso “Incantantions” (com Pierre Moerlen, dos Gong, excelente no vibrafone, e a voz de Maddy Prior, dos Steeleye Span).

Já nos anos 90, Oldfield regressaria surpreendentemente à boa forma, com “Amarok”, álbum mais eletrónico que os anteriores.

FM

Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #112 – “Mais dúvidas sobre os Anos 80 como se não fossem já suficientes__ (Familycat)”

#112 – “Mais dúvidas sobre os Anos 80 como se não fossem já suficientes__ (Familycat)”

Fernando Magalhães
17.06.2002 020216
Em relação aos CURVED AIR, penso que irás render-te ao “Phantasmagoria”. Um álbum mágico, ainda que a letra de “Not quite the same”seja passível de interessar ao Alvarez… 😀

Já agora, não resisto a recomendar-te a audição de “Begin”, dos THE MILLENIUM (1968). É uma obra-prima ao nível do “Sgt. Peppers” e do “Pet Sounds”:

O CURT BOETTCHER (falecido m 1987) era um iluminado, da estirpe de Brian Wilson. O álbum foi o primeiro de sempre a utilizar um gravador de 16 pistas (ou melhor, dois gravadores de 8 pistas juntos…) e foi o mais caro de sempre na altura, ultrapassando mesmo o “Sgt. Peppers”.

O aproveitamento do estúdio é espantoso e as canções fazem jus ao uso intensivo e imaginativo da tecnologia.

Mas, repito, o CURT BOETTCHER era um louco iluminado. As letras do disco inspiraram-se numa espécie de livro de profecias e ele próprio se convenceu de que era o Messias, encarregado de salvar o mundo com a sua música. Considerava mesmo os THE MILLENIUM, além de um grupo pop, um culto religioso!!!!

Completamente ignorado na altura, “Begin” tornou-se ao longo das décadas seguintes numa espécie de lenda do Psicadelismo, na sua versão ao mesmo tempo mais mística, pop e experimental.

FM