Arquivo da Categoria: Pós-Rock

Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #131 – “De regresso com PYROLATOR (FM)”

#131 – “De regresso com PYROLATOR (FM)”

Fernando Magalhães
09.09.2002 150309
Meus senhores

Olá a todos

Eis-me de regresso, carregado de novas e estimulantes ideias, uma delas, aliás, que gostaria de pôr em prática desde já e que se prende com a utilização do fórum antigo. Mais pormenores, em breve…

Música de férias: comercialona. Sheryl Crow (“Soak up like the Sun)… Depois, fiquei com aquela canção (bem boa, por sinal, dentro do seu género…) dos NICKELBACK entranhada nos ouvidos. Terrivelmente viciante ao ponto de se tornar nauseante (não conseguimos livrar-nos da melodia…).

Filme das férias: “A Pianista”. Inacreditável e sublime interpretação de ISABELLE HUPERT. Fiquei em estado de choque.

Já em Lisboa: Encontrei na Symbiose (têm lá muitos…) o seminal disco de estreia “dos” PYROLATOR (aka KURT DAHLK), “Inland” (1979).
Se o disco seguinte, “Wunderland” é a bíblia dos anos 80 das “funny electronics” atuais, “Inland” é a obra escura e experimental deste músico alemão. Eletrónica entre o experimental, o lúdico, a “dark ambient” e programações electro com a cor sonora típica da época.

Entretanto, comprei uma gaita-de-foles asturiana e ando absolutamente fascinado (ensaiar, acompanhar discos de folk mas não só…)!

Agora vou almoçar.

FM

PS-O disco do ano parece-me ser, indubitavelmente, o dos REX KONA.

Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #59 – “LOOOOOOL (o abel xavier!! vejam em que lugar está o abel xavier!!!) (Vítor Junqueira)”

#59 – “LOOOOOOL (o abel xavier!! vejam em que lugar está o abel xavier!!!) (Vítor Junqueira)”

Fernando Magalhães
01.02.2002 180613

Razões: [Para não ter gostado do concerto dos Gybe!]

1 – Os bybe são músicos cultos mas primários. Para além dos aspetos formais da música (ouvido um tema, estavam ouvidos todos, o leque de notas utilizado foi escasso…) que até nem serão os mais importantes (as cordas saíram amiúde de tom, enfim…) não basta carregar no volume e na ênfase na massa sonora para criar densidade emocional.

O Rui Catalão definiu bem o que se passou. Dizia ele que era música “vai acima, vai abaixo”

2 – As citações a Glenn Branca, Savage Republic, Velvet Undergound, Magma, King Crimson, até um decalque da introdução eletrónica de “Baba O’Riley”, dos The Who (que é aliás, uma referência velada a Terry Riley…) tornaram o concerto num imenso e, pior que isso, previsível “pastische”.
E que ninguém que tenha gostado volte a dizer mal do Rock Progressivo, pois houve partes em que aquilo era positivamente Rock sinfónico, com fraseados melódicos pindéricos no topo

3 – Os bybe impressionaram pelo artifício. Não houve profundidade naquilo que fizeram (ainda Rui Catalão, dixit: “Não consigo descortinar aqui um mínimo de verdadeira boa música que seja!”). Imagino que – e isto acontece em todos os concertos – houvesse uma espécie de condicionamento emocional prévio do público presente. Às vezes convém adotar uma posição mais objetiva. Claro que o prazer que a maior parte das pessoas retirou da música é um facto. Mas…para mim isso não é garantia de qualidade. Lamento, mas é assim que penso. Já ouvi música infinitamente melhor, com seis ou sete pessoas na sala. Serei elitista? Se ser elitista é não fazer concessões – sou elitista!

Dito isto, até foi agradável como música de fundo.

Gostaria que quem põe os bybe nos píncaros tivesse disponibilidade para ouvir uns UNIVERS ZERO, por exemplo, ou uns PRESENT, e imaginar como soará esta música ao vivo…
É a diferença entre os mestres e aprendizes esforçados.

FM

Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #49 – “TRANSCHAMPS, SENSER, FENNESZ, FÜXA… (FM)”

#49 – “TRANSCHAMPS, SENSER, FENNESZ, FÜXA… (FM)”

Fernando Magalhães
05.12.2001 160400
Cá estou, para dar uma palavra amiga a todos os forenses. 🙂

Eis as primeiras patacoadas de hoje:

1 – Devo dizer que acho o “Give it to you”, o tal tema de rock FM que abre “Double exposure”, absolutamente irresistível. Versão rock da música dos andróides Tubeway Army…

2 – O disco dos SENSER para a Neo Ouija que alguns forenses têm andado a citar, não é nada de especial. É até um pouco chato. Trata-se de uma daquelas obras que se limitam a “copiar” determinada escola, neste caso dos AROVANE. A mesma electrónica de cristal, bonitinha, ultra-melodiosa, mas sem ponta de criatividade. Da mesma fornada, prefiro, de longe, os PUB.

4 – Confirmaram-se as impressões prévias sobre “Endless Summer”. Tem pormenores geniais (sobretudo nas metamorfores de ruído em melodia), mas também sequências que se arrastam demasiado tempo, sem que se vislumbre qual o sentido que Fennesz lhes quer dar…

5 – Já que os FRIDGE andam a ser muito citados…Que tal descobrir outra das bandas “reveladas” pelo pós-rock, cuja obra se tem vindo a revelar de grande qualidade, de obra para obra – os FÜXA?

Pedrotaos
05.12.2001 170544

tenho um disco dos Fuxa ..o VWO….do qual gosto bastante principalmente devido aos teclados (hammond?) que por vezes se assemelham a certos temas dos Yo La Tengo.

saudações

p.s.o VWO é o melhor deles ou há algo mais importante por descobrir?

Fernando Magalhães
05.12.2001 190716
O “VWO” é o “Very Well Organized”, certo?

O anterior, “3 Field Rotation” (ed. Ché, 1996) é um carrocel de orgãos electrónicos (creio que Farfisa e não Hammond) inpsirado obliquamente nos Cluster. Lo-fi altamente sedutor.

Mas o meu preferido é “Accretion” (ed. Mind Expansion, 1998) muito mais electrónico, experimental e variado.

Creio que os FÜXA já gravaram outro álbum depois deste, mas ainda não o ouvi.

FM