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Chico Buarque – “Chico Buarque Fala De ‘Estorvo’, O Seu Primeiro Romance ‘Talvez Eu Tenha Vivido O Pesadelo'”

Secção Cultura Terça-Feira, 12.11.1991 (entrevista)


Chico Buarque Fala De “Estorvo”, O Seu Primeiro Romance
“Talvez Eu Tenha Vivido O Pesadelo”

“Estorvo” representa a estreia “a sério” de Chico Buarque na literatura. No Brasil o aplauso foi unânime. O romance, que obrigou o seu autor a abandonar a música por mais de um ano, conta-nos uma história interminável de fuga e alienação. O livro encontra-se à venda em Portugal desde o final da semana passada.



Metáfora ou não, “Estorvo” incomoda pelo tom obsessivo da personagem principal, à deriva num universo de violência que o autor não deixa de comparar ao Brasil. Ao longo de uma narrativa em que a musicalidade da escrita está sempre presente, é todo um desfilar de fantasmas e desencontros que termina na morte. Mas o autor prefere falar da forma e das virtualidades da linguagem. O “filme-nefro” confunde-se com o romance psicológico.
PÚBLICO – “Estorvo” é um livro em que se nota um grande pessimismo, um tom desesperado, mesmo. Esse estado de espírito corresponde a uma fase da sua vida?
CHICO BUARQUE – Eu não me identifico a tal ponto com a personagem do livro. O tom geral é certamente de pessimismo. Talvez eu seja um pouco pessimista, se não tiver a música por perto.
P. – Mas houve alguma situação concreta que o angustiasse nessa altura?
R. – Talvez eu tenha vivido o pesadelo, durante a ecrita do livro, pelo próprio trabalho de o escrever. Foi um trabalho que mexeu bastante com alguns fantasmas. Mas digo isso hoje, porque já estou de fora. Na época não tinha muita consciência disso. Às vezes tinha até a impressão de me estar a divertir, de estar a escrever um livro cheio de humor. E quando o terminei, mesmo a partir da observação de outras pessoas, comecei a notar que está muito carregado de angústia.
P. – O livro começa por surpreender pela forma: a escrita na primeira pessoa do singular traduz-se na visão subjectiva da realidade. Os personagens não têm nome. Nesse sentido, “Estorvo” pode considerar-se um romance psicológico?
R. – Tem tudo a ver com o inconsciente. Cheguei a um certo ponto em que não vi qualquer necessidade de dar nome às personagens. Pareceu-me artificial. De resto, tenho uma certa dificuldade de dizer porque fiz de uma maneira e não de outra. Acredito que o uso da primeira pessoa facilite uma certa ambiguidade – a da realidade filtrada por uma única personagem. A sua imaginação e a minha acabam por se confundir.
P. – Um pouco à semelhança de “Barton Fink”, nunca sabemos se acção é “real” ou se se passa apenas na cabeça da personagem.
R. – Na minha cabeça, tenho uma história real, com princípio, meio e fim. A passagem da realidade para a imaginação da personagem, às vezes é marcada pelo tempo de um verbo. Mas para o leitor imagino que seja confuso. No fundo não pretendo esclarecer mais do que o necessário essa divisória entre o real e a fantasia.
P. – O romance começa com o “herói” num estado de “semi-vigília”. Não sabemos se está acordado ou a sonhar…
R. – Começa e termina nesse registo.
P. – A ambiguidade geral de “Estorvo” levou vários críticos a considerá-lo uma metáfora sobre a actual realidade brasileira. Concorda?
R. – Não tive a menor intenção nem preocupação metafórica. Por exemplo, a geografia da cidade é claramente a do Rio de Janeiro. Há sem dúvida coisas que dizem respeito à realidade concreta brasileira de hoje; elementos do seu dia-a-dia, se bem que romanceados.
P. – Mas é legítimo estabelecer um paralelo entre a personagem sem destino do romance e o cidadão brasileiro?
R. – Nesse aspecto, o cidadão brasileiro, hoje, está perdido, perplexo. E eu, como os outros brasileiros, também me sinto um pouco assim. Então aí, sim, “Estorvo” retrata o momento.
P. – Ao contrário do romance tradicional, em que o herói age sempre em nome de um ideal ou de um valor, em “Estorvo”, não existe qualquer tipo de motivação. Não há acções; apenas gestos…
R. – Há gestos, modificações, mas são movimentos sem intenção. O herói não tem intenção de interferir nos acontecimentos. Assiste a tudo, impotente.
P. – De onde vem essa sensação de impotência?
R. – Bem… As acções foram surgindo como consequência da linguagem. E ela é que determinou muitas vezes a maneira como as coisas se sucediam. Se as personagens tinham determinadas intenções, estas por vezes não se chegaram a concretizar porque na escrita soavam a falso. A linguagem não permitiu. Portanto, foi a própria escrita que determinou a acção, ou inacção, do livro. A questão da linguagem, para mim, é mais importante do que qualquer outra coisa. Num livro pequeno como “Estorvo”, passei meses a fio a reescrevê-lo. Só parava quando chegava a um resultado que me satisfizesse em termos de linguagem e não de enredo.
P. – Não receia que, com tal processo, “Estorvo” possa ser visto como mero exercício de estilo?
R.- Talvez tenha corrido esse risco, mas tenho a impressão que a própria linguagem criou uma tensão própria, um ritmo, que acaba por ser musical. Acho que o livro é musical, apesar de não ter nada a ver com a minha música. Mas tudo isto, agora, são especulações posteriores à criação.
P. – Há quem se refira ao enredo de “Estorvo” como sendo a descrição de uma fuga. Fuga de quê?
R. – Não sei se o personagem foge, se é escorraçado ou se é simplesmente um desajustado. É alguém que não se sente bem em lugar algum. Vai sempre para outro lugar, percorrendo um círculo vicioso, sabendo de antemão que não vai chegar a lado algum. Não sei se isso é uma fuga ou se é uma procura.
P. – Procura que no final cessa apenas com a cena do esfaqueamento como se o “herói” pudesse apenas ser aceite e redimido pela dor.
R. – Essas são impressões do livro. Penso nelas e é como se estivesse a pensar no livro de uma outra pessoa…
P. – Que impressão tem do seu livro, na perspectiva do leitor?
R. – A dificuldade é que eu ainda não consegui distanciar-me nem separar-me, do livro e da personagem. Ainda me sinto envolvido. Vivi essa saga. A facada no fim parece-me natural. Esse desejo de exibir o sangue vivo na camisa, para mostrar à ex-mulher, na tentativa de comunicar com ela através dessa ferida, faz parte da linguagem natural da personagem. Não foi numa perspectiva psicológica que fiz a leitura do que escrevi. Foi sobretudo ao nível da linguagem.
P. – Essa insistência no aspecto formal não esconderá o desejo inconsciente de afirmar perante a crítica a sua faceta de escritor?
R. – O reescrever e a obsessão formal são resultado de um grande prazer interior que tive em escrever. Não de inventar uma “cena” nova. Isso implicaria um sofrimento muito grande. Houve, quando muito, o desejo de ser aceite como escritor e não como compositor. O receio que tinha em relação à crítica era o de ser lido justamente enquanto autor de canções. E isso ter-me-ia parecido uma injustiça. Para ser assim, preferia ter feito um disco.
P. – O sucesso instantâneo de “Estorvo”, no Brasil, implica um redobrar de responsabilidade. Como pensa a partir de agora conciliar as facetas de escritor e compositor?
R. – Já me começaram a perguntar pelo próximo livro. Por outro lado, tenho contratos com editoras discográficas que estão preocupadas com este meu “desvio” para a literatura…
P. – Poderá haver um benefício recíproco entre a música e a litera?
R. – É um grande mistério que eu gostaria de desvendar. Julguei que, quando terminasse o livro, iria voltar para a música com muita sede. Mas fiquei exausto. E a música foi um bocado atingida. Como se todas as minhas energias tivessem sido sugadas pelo livro.

Vasco Granja + vários – “Salão De BD Derruba Fronteiras – Salão Lisboa 2003 Abre Hoje” (banda desenhada / salão de BD)

(público >> cultura >> banda desenhada)
quinta- feira, 15 Maio 2003


Salão de BD derruba fronteiras

SALÃO LISBOA 2003 ABRE HOJE

Fronteiras, Alemanha, Leste Europeu e portugueses são os principais blocos do Salão Lisboa de Ilustração e Banda Desenhada 2003, no Pavilhão de Portugal e na Bedeteca


Viajar de balão, montado nas filacteras de um álbum de banda desenhada, até aos limites da imaginação. Eis um dos fascínios e uma das possibilidades oferecidas pela leitura de um bom álbum de banda desenhada. A partir de hoje e até ao final do mês, o Salão Lisboa de Ilustração e Banda Desenhada 2003 oferece este e outros roteiros de viagem, através das histórias e das ilustrações de alguns dos autores contemporâneos mais importantes da que se poderá chamar a 8ª Arte.
À semelhança das anteriores edições, apenas interrompidas no ano passado, o Salão, com organização da Bedeteca de Lisboa, segue um tema, sendo o deste ano “As Fronteiras”, depois de “Cidades” (1998), “Visões do Fim do Milénio” (1999), “Corpo” (2000) e “Música” (2001).
Fronteiras de todo o tipo: geográficas, políticas, psicológicas, simbólicas. É o bloco temático principal e, com base nele, o visitante poderá travar conhecimento com “A Banda Desenhada nos Selos”, exposição composta por 1500 selos de correio de todo o mundo, cujo “design” foi feito “para ultrapassar as fronteiras físicas e as fronteiras ideológicas do imperialismo”, como um exemplar da Albânia com uma figura do Rato Mickey; “Stripburek, Bandas Desenhadas da Outra Europa”, coletiva de autores da Europa do Leste com representação de 50 autores de 14 países; “Nós Somos os Mouros”, incidindo na presença árabe na Península Ibérica; e “Conflitos Militares na Banda Desenhada”, coletiva de Zograf, E. Guibert e Joe Sacco. Tudo para ver no Pavilhão de Portugal, em Lisboa.
Outro bloco, também no Pavilhão, é o bloco alemão. Alemanha que desde sempre foi ofuscada pelo brilho da escola de BD franco-belga, mas que agora atrai sobre si as justas atenções. “Travessia”, individual de Anke Feuchtenberger, apresenta a parte inédita da obra “Die Hure H” e “Das Haus”. “Hausbacken Brut” (“A Ninhada Desleixada”) é uma instalação de Atak que enfia numa caixa de brinquedos uma coleção de monstros, carrinhos de lata e outra bonecada arrumados numa mala de viagem.
No “Passeio Aéreo” de CX Huth, o autor brinca com as cores como uma criança a quem ofereceram uma caixa de tintas. “Homens, Fantasmas e Máquinas”, de Henning Wagenbreth, destaca-se por trabalhos na área dos “vírus books”, BD para agendas eletrónicas e uma versão colorida de “O Segredo da Ilha de Santa Helena”, realizada de propósito para o salão.
Há ainda o bloco português: “Cidade em Chamas”, de Pedro Burgos, com quadros urbanos de cariz surrealista, “O Livro dos Dias, Cochquixtia”, de Diniz Conefrey, na América pré-colombiana que, além das pranchas, reúne material de pesquisa recolhido pelo autor, incluindo fotografias tiradas durante uma viagem ao México.
É possível viver numa colher? Aparentemente, sim. Pelo menos segundo a utopia proposta por Miguel Rocha em “A Vida numa Colher”. Já Richard Câmara optou por contar a sua visão pessoal de “Capuchinho Vermelho”, montada sobre uma técnica especial que separa a ação de cada uma das personagens, o Capuchinho propriamente dito, o Lobo Mau, o Caçador e a Avózinha.

Vasco Granja homenageado na Exponor

Mas há muito mais para ver, ler e sentir neste salão de sonhos. “Salut Deleuze”, de Martin Tom Dieck, é uma perspetiva cíclica da BD, equivalente à da música minimal repetitiva, em que a frase “continua no próximo número” é “leitmotiv” para vários périplos de narrativa em espiral. A “Sombra da Noite”, de Ulf K., recria a Alemanha romântica dos roxos e dos bosques sombrios habitados por pensamentos taciturnos. Já Ralf König privilegia a comunidade homossexual nas suas obras, como “O homem desejado” (já transposto para o cinema) e, no Salão Lisboa, “Claras em Castelo”. Uma rainha a preto e branco rodeada de súbditos a cores dá o mote a “A Rainha das Cores”, de Jutta Bauer.
Todos estes blocos estarão patentes entre hoje e 22 de Junho no Pavilhão de Portugal. Para a Bedeteca ficam reservadas a exposição “A Navalha de Pitanga”, de Arlindo Fagundes, “Checkin: Os Próximos Voos da LX Comics”, coletiva alusiva aos cinco anos da coleção da Bedeteca para novos autores, “Banda Desenhada Alemã e a Literatura” e “XS, Estórias sobre Cerâmica”, cujo suporte gráfico é mesmo um serviço de mesa em cerâmica.
Mas o Salão não se faz apenas das exposições permanentes. Há edições de obras e a presença de muitos autores, uma feira de “fanzines”, debates, atividades de animação dirigidas às crianças e visitas guiadas para os alunos do ensino secundário e das escolas superiores de arte. Nos Armazéns do Chiado haverá uma BD CMYK, qualquer coisa relacionada com a divulgação de autores de BD que utilizam as novas tecnologias.
No dia de toda a BD, destaque também para a abertura, hoje, do Salão de Banda Desenhada da Exponor, Matosinhos, que terá como prato principal uma homenagem a Vasco Granja, pioneiro da divulgação do cinema de animação e da BD em Portugal. A homenagem terá lugar amanhã com o lançamento do livro “Vasco Granja, uma Vida… 1000 Imagens” (Asa), uma exposição e a mostra de alguns dos seus programas de televisão. O programa do Salão da Exponor inclui ainda o lançamento de livros de José Carlos Fernandes, Milo Manara e Zep e as exposições “Intuições”, de José Carlos Fernandes, “Contrastes”, de Luís Louro, e “Ilustração infantil de doze ilustradores nacionais”.

T. S. Elliott, Prince, Nanni Moretti – “25 de Abril Vinte E Nove Anos Depois – Por Vezes Neva Em Abril” (efeméride / música / literatura / cinema)

(público >> cultura >> destaque >> música / literatura / cinema)
sábado, 26 Abril 2003
Destaque / Efeméride / 25 de Abril


25 DE ABRIL VINTE E NOVE ANOS DEPOIS

POR VEZES NEVA EM ABRIL

T.S. Elliott, Prince e Nanni Moretti são alguns dos artistas que incluíram Abril no seu calendário pessoal. O mês que inspirou artistas de todas as épocas


A meio de uma aula na Universidade de Harvard, o filósofo George Santayana interrompeu de súbito a palestra ao avistar pela janela uma forsítia que rompia de um montículo de neve: “Não vou ser capaz de terminar esta frase, acabei de descobrir que tenho um encontro marcado com a Primavera!”
Era assim antigamente. A Primavera tinha neve, forsítias e poesia. Mas isso era antes de os americanos terem dado cabo do tempo com as bombas atómicas. Apesar disso, Abril reteve uma certa mística. É o mês das transformações, das revoluções da Natureza e dos homens, dos rituais de passagem, de deitar fora os trapos velhos e substituí-los por novos, do despertar dos sentidos, de colher forsítias para oferecer ao namorado ou namorada.
Em Portugal, graças à revolução dos capitães de Abril, os cravos juntaram-se às forsítias no imaginário popular. E a um lote de canções a celebrar a liberdade, de forma mais ou menos ingénua, mais ou menos panfletária, como “Portugal Ressuscitado”, com o slogan “agora o povo unido/ nunca mais será vencido”, “Obrigado Soldadinho”, de Tonicha ou o grito épico “Força, força, companheiro Vasco/ nós seremos a muralha de aço” cantado com todo o fulgor da revolução por Carlos Alberto Moniz e Maria do Amparo. Sem esquecer que era “preciso voltar a combater pela verdade”, como cantava Pedro Barroso em “Canção para a Unidade” ou de manifestar o receio de que voltassem as “vozes de comando/com um cheirinho a antigamente”, de que falava Afonso Dias em “Com Volta na Ponta”.
Para a história ficaram não estas, mas as canções que verdadeiramente desencadearam a revolução de Abril: “E Depois do Adeus”, de Paulo de Carvalho, e “Grândola Vila Morena”, de José Afonso. Todas incluídas no álbum duplo “25 Abril, 25 anos, 25 canções”.

Abril, obras mil

Mas, e na arte pela arte? Que importância teve e tem Abril na arte pela arte? Abril está presente em obras e títulos variados. April March é o pseudónimo escolhido pela californiana Elinore Blake para dar voz a uma pop primaveril. Victoria Abril, a atriz espanhola com cara de Primavera, caiu nas graças de Pedro Almodovar e Fonseca e Costa. Recentemente, outra cantora, Susanne Abbuehl, gravou para o selo ECM o álbum “April”, também com os tons e cores da estação, embora apresentando mais nebulosidade e humidade, com possibilidade de aguaceiros e geada durante a madrugada. Ronnie Lane lançou em 1999 o álbum “April Fool”. A banda de “hard rock” April Wine gravou o seu álbum homónimo em 1972.
“Sometimes it snows in April” é o título de uma canção de Prince. Por cá, Old Jerusalem introduziu a country alternativa nos gostos pop nacionais. Já para não falar na linda melodia “Abril em Portugal” ou “Avril au Portugal” (Eartha Kitt cantou-a) que tantas gentis Primaveras coloriu durante a longa noite salazarista. Tom Jobim falhou por um mês, quando compôs “Águas de Março” (provavelmente estaria a pensar em Abril, mas enganou-se).
Passemos à literatura. Pode considerar-se um “must” o conjunto de versos que abrem A Terra sem Vida, de T. S. Elliott: “Abril é o mais cruel dos meses, gerando/Lilases na terra morta, misturando/A memória e o desejo, atiçando/Raízes inertas, com a chuva da Primavera”. Assim, às forsítias e cravos, juntaram-se paulatinamente os lilases.
O cinema também tem a sua Abrilada. O cineasta brasileiro Walter Salles, autor de Frida, realizou “Abril espedaçado”, inspirado no livro homónimo do escritor albanês, Ismail Kadaré. Um filme onde, como diz o roteiro, “o olhar inocente de um menino é confrontado com um duplo e doloroso rito de passagem. Pela descoberta de um mundo adulto cruel e fatal, por um lado, e pela percepção da realidade exuberante e trágica do Brasil”. Nanni Moretti dirigiu “Aprile and the Last Customer”, filme exibido extra-concurso no Festival de Cannes de 2003. Em Portugal, o dramaturgo João Santos Lopes pôs em cena no Teatro Aberto “Às Vezes Neva em Abril”, peça que em 1997 ganhou o Grande Prémio de Teatro Português.
Canções ou temas com Abril no título, contam-se às dezenas. Por artistas conhecidos ou importantes, temos: “April showers” (Alien Sex Fiend, Cab Calloway, Bing Crosby, Judy Garland, Woody Herman, Spike Jones, Al Jolson, Guy Lombardo, Frank Sinatra), “April rain” (Eric Dolphy), “April snow” (Chick Corea), “April fools” (Burt Bacharach, Cilla Black, Aretha Franklin, Earl Klugh, Rufus Wainwright, Yukihiro Takahashi, Dionne Warwick), “April joy” (Pat Metheny), “Aprilling” (Gil Evans, Lee Konitz), “April in Paris” (Louis Armstrong, Josephine Baker, Billy Bang, Count Basie, Shirley Bassey, Tony Bennett, Cindy Blackman, Ran Blake), “April, 5th” (Carmel), “April, 1st” (Talk Talk), “April, 8th” (Elvin Jones), “April, 15th” (Human Beinz), “April 1724” (Pluxus), “April 19, 1993” (Sex Gang Children) e “April 24, 1981” (Rick Springfield). Mas existem também “April song”, “April Ann”, “April day”, “April foo”, “April one”, “April sky”, “April and you”, “April air”, “April sun”, “April, 1978”, “April, 19th”, “April, 23th”, “April, 29th”, “April 2031” e “April 29, 1992”. “Avril”, em francês, é outro dilúvio. Como dizia o poeta – chega a ser cruel.