Arquivo da Categoria: Industrial

Laibach – M. B. December 21, 1984

08.08.1997
Laibach
M. B. December 21, 1984 (7)
Mute, distri. BMG

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LINK

Em 1983, as autoridades da Eslovénia, então parte da federação jugoslava, proibiram os Laibach de aparecerem em público. No cerne da polémica, estava a designação do grupo, “Laibach”, que foi o nome dado à cidade de Ljubljana durante a ocupação nazi, em 1943. Censurados, tornaram-se na “banda cujo nome não se podia pronunciar”. Em Dezembro do ano seguinte, o grupo decidiu actuar em Ljubljana, organizando um espectáculo onde não se fazia qualquer menção ao seu nome. O público acorreu e a ocasião tornou-se histórica. O presente álbum é o documento ao vivo desse acontecimento, incluindo ainda excertos de concertos em Zagreb e no Atonal Festival de Berlim.
Era o período da brutalidade panfletária e da revisão ideológica da música industrial que, na época, chocaram. Mas os Laibach traziam consigo, além do metal, um cheiro de ameaça, provocada pela aura de ambiguidade que sempre os rodeou, em conotações com o nazismo, onde era difícil separar a denúncia da apologia camuflada. Trata-se, pois, da fase coincidente com a do álbum onde o clamor se faz ouvor com maior nitidez e eficácia, o assustador “Nova Akropola”, obra emblemática da estética totalitarista dos Laibach.

Muslimgauze – The Inspirational Sounds of Muslimgauze

05.01.2001
Muslimgauze
The Inspirational Sounds of Muslimgauze
Universal Egg, distri. Sabotage
8/10

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LINK (“Citadel” – 1994)

“Comecei a interessar-me pela música dos Faust e dos Can, pelo punk e pela música industrial, mais tarde pelas músicas árabe e indiana”. “A minha música é influenciada por acontecimentos particulares, tenham eles origem na Palestina, no Irão ou no Afeganistão”. “É fina a linha que separa a doutrinação da informação”. “A nossa música não é política, a maneira como a fazemos, sim”. São declarações recolhidas de entrevistas com Bryn Jones, mentor dos Muslimgauze, falecido em 1999 vítima de uma infecção rara. “The Inpsirational Sounds…” reúne excertos de uma discografia extensa por uma banda de activistas de Manchester fascinada pela ideologia muslim. Música ritualística, com cheiro a pólvora, que ao longo das últimas duas décadas explorou os terrenos minados que vão dos Young Gods a Meira Asher.

Kluster – Eruption (conj.)

04.06.1997
Missa nos Claustros de Düsseldorf
…
Kluster
Eruption (7)
MARGINAL TALENT, DISTRI. SYMBIOSE

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LINK (parte 1)
LINK (parte 2)
LINK (parte 3)

Dunkelziffer
In The Night (7)
Dunkelziffer III (7)
FUNF UND VIERZIG, DISTRI. MEGAMÚSICA
La Düsseldorf
La Düsseldorf (8)
GERMANOFON, IMPORT. CARBONO
Yatha Sidhra
A Meditation Mass (7)
TEMPEL, IMPORT. PLANETA ROCK

…
“Kluster und Eruption”, gravado 25 anos antes, em 1971, é uma obra rodeada de alguma controvérsia. Embora na ficha técnica conste o nome de Kluster, é opinião corrente que o disco (com a indicação de ter sido gravado ao vivo) é na realidade o resultado da manipulação, por Conrad Schnitzler, de fitas do grupo gravadas previamente. Seja como for, não se está longe da sonoridade dos dois primeiros trabalhos dos Kluster, atrás citados. São 56 minutos (separados em dois temas sem título) de ruído, ou melhor, de “elektroakustische Musik”, que se acompanham como a um corpo sinistrado. Ruído sim, mas do bom e genuinamente revolucionário.
Os Dunkelziffer existiram nos anos 80, podendo ser considerados “clones” dos Can, o que se compreende, atendendo a que da sua formação fazem parte o vocalista japonês Damo Suzuki, que integrou os Can, nos álbuns “Soundtracks”, “Tago Mago”, “Ege Bamyasi” e “Future Days”, e elementos dos Phantom Band, banda do baterista dos Can, Jaki Liebezeit. Nos Dunkelziffer é tudo mais leve e menos profundo do que nos Can. a batida é semelhante mas nota-se uma tendência para o “jazz rock”, relacionada com a preponderância no som do grupo do saxofonista Wolfgang Schubert. Damo Suzuki também se mostra bastante mais comedido, enquadrando a sua voz num formato de canção, o que raramente fazia nos Can. É a diferença entre a improvisação orgância e mágica dos originais e a composição planeada dos Dunkelziffer.
“In The Night” é mais calmo, com incursões no reggae e na música árabe (“Orientsal Cafe”) e um tema inicial longo, “Retrospection”, na linha da música produzida pela banda de Irin Schmidt e Bruno Spoerri, os Toy Planet. “Dunkelziffer III”, editado a seguir (terceiro de uma discografia total de cinco álbuns), tem maior consitência e é ainda mais parecido com os Can. O ritmo adensa-se, Suzuki arrisca chegar ao registo gutural que usava nos Can, os teclados e o saxofone dispensam a facilidade e a beleza, por vezes fútil, do álbum anterior. Um bom sucedâneo dos resi de Colónia.
Os La Düsseldorf, trio liderado pelo dissidente dos Neu!, Klaus Dinger, conseguiram criar, com o seu álbum homónimo de estreia, um clássico do “krautrock”. Protótipo do rock minimal, influenciou irectamente o punk rock e, duas décadas mais tarde, o pós-rock. A electrónica rodava numa pista de corridas, as guitarras e a bateria metronómica funcionavam com a precisão de um motor. A música dos La Düsseldorf fez divergir a mecânica futurista dos Kraftwerk para o terreno duro de uma cidade, Düsseldorf, hipnotizada pela sua própria paranóia.
O oposto aplica-se aos Yatha Sidhra, com “A Meditation Mass”, de 1973, filho único de um projecto idealizado pelo multinstrumentista Rolf Fichter (“Moog”, flauta indiana, vibrafone, piano eléctrico, guitarra eléctrica, voz) com o seu irmão Klaus (bateria e percussão), cuja música é típica da vertente mais cósmica do “krautrock”. Considerado por alguns uma das obras-primas da “kosmische musik”, entre os quais os autores da enciclopédia “A Crack In The Cosmic Eye”, “A Meditation Mass” é uma suite dividida em quatro movimentos que cativa enquanto o grupo se mantém fiel à electrónica planante, de pendor místico, à la Popol Vuh, mas se torna penosamente embaraçosa quando Rof Fichter decide que também sabe tocar jazz e solar no vibrafone e no piano eléctrico.
De rsto, os jovens “krautrockers” era, regra geral, executantes com óbvias limitações (e, amiúde, inaptos para dominar o mais simples 4/4, fruto da tal falta de convívio com as raízes negras do rock’n’roll), embora óptimos conceptualistas e manipuladores de som, quando se tratava de disparar automatismos (Kraftwerk, Tangerine Dream pós “Phaedra”, Cluster, …).
Exemplos não faltam, inclusive em obras e autores considerados marcantes. Veja-se os casos dos Tangerine Dream e do Edgar Froese guitarrista, antes de optarem pela electrónica total, do Klaus Schulze baterista, dos Mythos, dos próprios Faust… Há excepções, claro: Manuel Göttsching (apesar do ácido…), Michael Rother, Achim Reichel, Ax Genrich (o Hendrix alemão), Michael Karoli, Jaki Liebzeit, Jürgen Dollase, Uli Trepte, Mani Neumeier…
Apesar desta lacuna, “A Meditation Mass” conserva uma aura indefinível e uma originalidade que a faz atravessar relativamente incólume a passagem do tempo. Ao Planeta Rock, especializado na área do progressivo, chegaram também – em quantidfade reduzida – “Malesch” e “2nd”, dos Agitation Free, “Traum”, dos Hölderlin, “Broselmaschine”, dos Broselmaschine, “Saat”, dos Emtidi, “UFO” e “Hinten”, dos Guru Guru, “Trauma”, dos Gomorrha, “Motherfucker gmbh”, dos Xhol, “Schwingungen” e “Le Berceau de Cristal”, dos Ash Ra Tempel, “Irrlicht”, “Cyborg” e “Picture Music”, de Klaus Schulze, e toda a discografia – historicamente importante mas musicalmente irrelevante – dos Amon Düül (com pouco ou nada a ver, em termos musicais, com os Amon Düül II…). Enquanto isto, a Torpedo prepara-se para receber Whithuser & Westrupp, Harmonia e Liliental. A MVM, a Música Alternativa e a Megastore da Valentim de Carvalho começam a disseminar os discos e a mensagem do pós-rock, dignos continuadores do experimentalismo e da atitude do “krautrock”. A propósito: se gostam dos Neu! e acham, como nós, que “Surrender To The Night”, dos Trans AM, é uma das obras-chave do movimento, comecem, desde já, a procurar o “álbum branco” dos Fridge. E a procissão ainda vai no adro…