Arquivo da Categoria: Gótico

The SymphOnyx – Candelabros Para Uma Sinfonia Rock

06.02.1998
The SymphOnyx
Candelabros Para Uma Sinfonia Rock
Originários de Guimarães, The SymphOnyx são uma das poucas bandas portuguesas a abraçar a estética do rock-sinfónico dos anos 70. Das versões de Bach e Vivaldi, passaram naturalmente para composições originais que apresentam no seu disco de estreia, “Psico Fantasia”.

LINK (“Opus 1: Limbu” – 2005)

Versão portuguesa das bandas “neo prog” inglesas como Pendragon, IQ ou Twelfth Night ou continuadores, mais de 20 anos depois, dos pioneiros Tantra, os SymphOnyx têm como principal preocupação recuperar um dos capítulos perdidos e mais menosprezados dos anos 70. Para Paulo Magalhães, guitarra-ritmo dos SymphOnyx, a única preocupação é “juntar a música clássica, melodias clássicas, a um rock actual”.
nos espectáculos ao vivo, os seis elementos dos SymphOnyx, martinho (guitarra solo, voz(, Carlos (bateria, voz), Jorge (teclados), Mota (baixo), Paulo (guitarra ritmo) e Barros (voz), têm contado com a colaboração de dois violinistas (Samuel e Rui), um violoncelista (André) e Diana (voz). “Estamos a pensar, de futuro, utilizar ‘samplers’ para substituir os instrumentos clássicos”, diz o guitarrista, para quem as dificuldades de “juntar dez pessoas em palco é enorme”. Mas vão continuar a apostar num certo aparato cénico, na boa tradição de grupos como os Genesis ou, em Portugal, dos já citados Tantra, usando, nos espectáculos, “uma bailarina, roupas especiais e candelabros”. Tudo para criar “uma esfera ambiental diferente que traduza o espírito” deles: “Somos adeptos do sonho, da imaginação, do irreal.”
Dos anos 70, Paulo Magalhães guarda a recordação dos Queen e dos Police, a par, é claro, da audição intensiva de música clássica. Hoje assume-se, aliás como os restantes elementos da banda, como “fã” da clássica. “É assim que sentimos a música e é essa a nossa inspiração”, garante.
“Psico Fantasy”, em edição de autor de mil exemplares (“já há pelo menos uma editora portuguesa interessada em editar um álbum completo”), foi gravado em Agosto do ano passado e tem a forma de um mini compacto, onde estão incluídos os temas “Dream of the rainbow angels”, “Killing zone”, “Red moon” e “Letter to my love”, este último com a participação vocal da convidada Diana, a fazer lembrar Annie Haslam dos Renaissance. O primeiro destes temas faz parte do CD que acompanha a última edição da revista “Pró-Música”. Actualmente em digressão pelo país, os SymphOnyx passarão por Lisboa no final deste mês, em data e local a anunciar. Quem quiser acompanhar mais de perto a vida do grupo, ou mesmo adquirir “Psico Fantasia”, poderá fazê-lo através do endereço na Internet: www.cidadevirtual.pt/symphonyx.

In The Nursery – Asphalt

05.12.1997
In The Nursery
Asphalt (7)
In The Nursery Corporation, import. Symbiose

LINK (Engel)

“Asphalt”, 15 temas de “Optical Music” para a banda sonora do filme com aquele nome realizado por Joe May, traz de volta os antigos militantes da causa gótica, agora com uma postura mais serena e ambientalista a enquadrar o gosto de Klive e Nigel Humberstone pelo classicismo e pela electrónica das sombras. O tempo limou a batida marcial, colocando no lugar do rufo dos tambores programações discretas destinadas a pôr em relevo o lado narrativo da música. Numa área sobrecarregada e pouco aberta à inovação, como é o das bandas sonoras, os In The Nursery conseguiram resolver a eterna questão entre a submissão ás imagens e a livre criatividade. Expressionista, por vezes violenta, como em “Metropole”, romântica, no culto de uma idade de ouro em que as forças do cosmos e as emoções comandavam a composição das formas, quase sempre profundamente triste, a música de “Asphalt” demonstra uma seriedade, uma coerência despropósitos e uma justeza instrumental – no equilíbrio entre lirismo do piano, as várias simulações orquestrais e os suaves esqueletos electrónicos – que ultrapassam as velhas obsessões do gótico pela morte e pela decadência. Só é pena que, por um momento, os In The Nursery se tenham deixado levar pela tentação da “tendência”, sacrificando a unidade do disco à frivolidade rítmica de “Precious”, onde uma batida “trip-hop” surge totalmente a despropósito.

Arcana – Cantar de Procella

03.10.1997
Arcana
Cantar de Procella (5)
Cold Meat Industry, import. Symbiose

LINK

Um organista louco martela as notas do inferno num órgão de um templo em louvor a estranhas ruindades pagãs. Da fogueira eleva-se um cântico grandioso, evocativo de… Klaus Blasquiz… quem? Klaus Blasquiz, o Pavarotti endemoinhado dos Magma, quando este grupo francês ainda profetizava a vinda do império de Kobaia. É assim o ambiente do primeiro tema de “Cantar de Procella”, segundo álbum dos Arcana, uma banda de gótico com uma carga de sombras e danações impressionante.
É uma missa negra que traz para os domínios do gótico a solenidade infernal celebrada como música de câmara pelos Univers Zero, em “Ceux du Dehors”. Os Arcana fazem ainda coro com os Dead Can Dance (ou com Bernard Lustmord, num registo mais fundo e perturbador) e os In The Nursery. A mesma praga que os primeiros lançaram no cemitério e os segundos no campo de batalha. Claro que tudo isto pode ser tanto uma música que acredita verdadeiramente no seu poder de sugestão, como uma brincadeira capaz de provocar sorrisos de troça nas mentes menos impressionáveis. Já houve um tempo em que se chamava a este tipo de operações “música ritual”. Rituais das trevas, marcados por uma religiosidade profana. Só que o terror tem hoje cores bastante menos escuras, o diabo aprendeu a vestir-se de branco para melhor enganar, com elegância, as almas tresmalhadas.