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Vários – “Country Hits – Volume I” e Country Music Video Magazine [Vídeo]

Pop Rock

20 FEVEREIRO 1991
VÍDEOS

VÁRIOS
Country Hits – Volume I
e Country Music Video Magazine
BMG, Video

ch

“Country music”, a música da América, não é? Pois é. Mas, a julgar por estes dois vídeos sobre a dita música, apetece perguntar: “América, América, para onde vais?” Claro que a culpa não pode ser assacada a uma nação, ainda por cima tão novinha, sem responsabilidades. Aponte-se antes o dedo aos realizadores, sobretudo os responsáveis pelos “clips” da série “Country hits”. As imagens jogam com todos os lugares-comuns típicos do género. Ainda por cima jogam mal. Em cada cinco segundos surgem “close-ups” sobre dedos dedilhando guitarras. Depois, são os chapéus de “cowboy”, casas de campo, estradas sem fim com paragem em bares onde se joga bilhar e se encontra o amor. Elas, Lorrie Morgan, o duo The Judds, Baillie (com os respectivos Boys) e K. T. Oslin são geralmente bonitas (sobretudo os seus cabelos), de pose cândida e voz doce. Vestem quase sempre de branco. Lorrie Morgan, então, exagera: em “Dear me” as imagens, desde o vestido às paredes do quarto, passando pela roupa da cama, têm o colorido de um copo de leite derramado sobre a neve. Eles usam barba rija, vestem-se de “cowboys”, fogem de casa, mas acabam sempre por regressar aos braços delas. Ah, sim, a música… – tem pouco a ver com a “country” genuína. Digamos que se equipara aos “filtros David Hamilton”, profusamente utilizados ao longo de todo o vídeo.
“Country Music Video Magazine” é mais sério e discreto. Como o título indica, resume as actividades “country” de um determinado período, alternando declarações de artistas com excertos raros de concertos ao vivo e mesmo a apresentação crítica de discos. Por aqui passam, entre outros, Dwight Yoakam, K. D. Lang (dissertando sobre a “progressive country music” enquanto faz festas a uma vaca) e os Byrds, estes em imagens de arquivo interpretando “Mr. Tambourine Man” e, na versão actual e anafada, a recordar o mesmo tema. Ambos os vídeos fazem a apologia da brancura. ***



Joni Mitchell – “Shadows And Light”

Pop Rock

13 FEVEREIRO 1991
VÍDEOS

JONI MITCHELL
Shadows and Light

Warner Home Vídeo

jm

Sombras e luz. Cegueira e visão. A imagens iniciais mostram James Dean em frente a uma televisão. Imagens extraídas de “Fúria de Viver” de Nicholas Ray. “Todos os quadros têm sombras e alguma fonte de luz.” Joni Mitchell, recorde-se, desenha e pinta, para além de cantar. Sugere-se um universo pictórico que afinal nunca se chega, neste vídeo, a concretizar.
Filmado e gravado em 1980, “Shadows and Light” centra-se numa actuação ao vivo da cantora canadiana, aqui acompanhada por uma formação de luxo constituída por Pat Metheny (guitarra), Jaco Pastorius (entretanto falecido, baixo), Michael Brecker (saxofone), Don Alias (bateria) e Lyle Mays (teclados).
Ao prazer musical proporcionado pela excelência dos intérpretes e ao reencontro com as palavras que Joni Mitchell, como poucas, tão bem sabe manejar, pouco mais há a acrescentar. Em termos visuais, aparece um coiote a correr desalmadamente pela neve, durante a interpretação de “Coyote”, do álbum “Hejira”. É muito pouco para uma obra (também) visual, da parte de uma mulher perita em mover-se no universo das imagens. Poderá encontrar-se justificação na tentativa de concentrar todas as atenções na música, mas para isso já existem os discos. Resta então apreciar o rosto luminoso e, nessa época, os caracóis da autora de obras fundamentais como “The Hissing of Summer Lawns”, “Don Juan’s Reckless Daughter” e “Mingus”, ilustrativas da fase mais jazzística, seguindo uma linguagem que viria a revelar-se ideal para as sinuosidades e diversidade de registos característicos de uma voz e estilo inconfundíveis. Procure-se aí a luz e sombras a que o título alude. ***

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Vários – “Nuit Celtique II”

27.02.2004

Vários
Nuit Celtique II
DVD
Ed. e distri. Sony Music
8/10

LINK

15 de Março de 2003. Um estádio de futebol (o Stade de France, em Paris) encheu-se para ouvir música céltica, na segunda “Nuit Celtique” com selo organizativo do festival intercéltico de Lorient, Bretanha, um dos mais prestugiados do circuito folk europeu. 500 artistas provenientes do polígono celta (bretanha, Irlanda, Gales, Galiza e Astúrias) proporcionaram uma noite única. Quando John Kenny entra sozinho erguendo ao alto uma longa trompa com cabeça de lobo, o silêncio religioso que se instala não faz prever a euforia que explodirá a seguir. “Bagads”, bandas militares escocesas, coros, um grupo de pandereteiras, outro de metais, uma orquestra sinfónica, dança irlandesa, “ceilidh” e bretã – a cerimónia adquire todos os tons da celtitude. Os convidados mergulham no ambiente, presos como a multidão ao sortilégio. Carlos Nunez está em transe, toca alguns dos temas que puderam ser escutados há poucos dias em Portugal. Os olhos brilham e, no meio do habitual desempenho virtuosístico na gaita-de-foles, solta urros de incitamento e não pára de declarar que a Bretanha é um paraíso (o que é verdade). O coro vocal de anciãos Flint Male Voice Choir antecede mais folk rock, pela banda do jovem cantor bretão Deniz Prigent. As dançarinas dos Roscara Dancers da Irlanda são fadas a voar. As maiores estrelas actuam no fim mas soçobram na grandiosidade do momento. Sinead O’Connor, sem voz nem presença, parece uma menina perdida com a sua folk de trazer por casa. Por fim, como corolário lógico, chega o bardo bretão, Alan Stivell. Canta e toca harpa, hesitante, enquanto à sua volta, num imenso crescendo, se vão juntando orquestra e dançarinos. Só a voz e as notas mortiças de harpa estão desfasadas, presas ainda a este mundo. Alan Stivell perdeu-se no caminho mas o caminho continua. Lá e cá.