Arquivo da Categoria: Críticas 2001

Savath + Savalas – Folk Songs for Trains, Trees and Honey

23.02.2001
Savath + Savalas
Folk Songs for Trains, Trees and Honey
Warp, distri. Symbiose
7/10

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Savath + Savalas é o norte-americano Scott Herren, também mentor dos Delarosa + Asora e colaborador de Richard Devine para um álbum de remisturas deste último. Para “Folk Songs for Trains, Trees and Honey”, Herren usou computadores e software avariado para criar ambientes digitais ligados a lugares e condições específicas das gravações, registadas entre 1998 e 1999. Ao longo dos escassos 30 minutos que dura este CD, percorrem-se paisagens que tanto convocam as linguagens rítmicas habituais do pós-rock como um ou outro lugar-comum da “dance music” (elimine-se da audição a tenebrosa faixa número 6). Mas o encanto destas falsas canções folk advém sobretudo da candura de incursões jazzy sabiamente administradas na mesa de mistura e de um lado “lounge” sabotado a cada momento pelo mau funcionamento propositado das máquinas.

Ocsid – Opening Sweep

16.02.2001
Ocsid
Opening Sweep
Ash International, distri. Matéria Prima
7/10

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Convém fazer dieta, algum exercício físico e mental, quiçá um pouco de sexo tântrico, antes de experienciar, com o volume bem alto, o tema de 75 minutos que preenche na íntegra o segundo álbum dos Ocsid – CM Von Hausswolff (Phauss, Krev), Graham Lewis (Wire, He Said, Dome) e Jean-Louis Huhta (Lucky People Center). Registada em 1999 num clube de Munique, a gravação teve início antes da entrada do público na sala, sendo reatada quando nela já trabalhavam os empregados de limpeza. Assistiram à perfomance cinco cães e o técnico de som. O que é ficou dessa sessão é uma longa “drone” de sombras e refracções, atravessada por samples vocais (John Lennon incluído…), grooves longínquos e súbitas irrupções de electrónica e ruídos abstractos, algures entre a música a solo de outro elemento dos Wire, Bruce Gilbert, e as “Leisure Zones”, de Burnt Friedmann, com maior densidade de acontecimentos.

Craobh Rua – If Ida Been Here, Ida Benn There

23.02.2001
Craobh Rua
If Ida Been Here, Ida Benn There
Lochstore, import. Lojas Valentim de Carvalho
8/10

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Deve “melhorar-se” um genuíno queijo da serra, um bom Porto, uma paisagem transmontana? Ou o melhor é conservar o que de bom existe no “tradicional”, criando-se ao lado um espaço novo que, sobre essa tradição, crie linguagens originais abertas à inovação? Questão que nos últimos anos se tem posto à música folk, sendo as respostas variadas e em muitos caos, felizmente, enriquecedoras. Para os irlandeses Craobh Rua a questão não se coloca. Mergulhados até ao tutano no imaginário céltico, o grupo apurou o que de bom já fizera no anterior “The More that’s Said, the Less the Better”, integrando agora dois tradicionais escoceses numa música que chega a ser exaltante nos sets de jigs, reels e hornpipes, e comovente em baladas como “Cúl tiubh na bPéarlaí”. Excelentes, o violino de Michael Cassidy e as flautas e “uillean pipes” de Patrick Davey.