Arquivo da Categoria: Críticas 2001

Maddy Prior – Arthur The King

11.05.2001
Maddy Prior
Arthur The King
Park, distri. Megamúsica
7/10

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LINK (“Changing Winds”)

O tema do rei Artur e dos cavaleiros da Távola Redonda tornou-se sinónimo de um celtismo “new age” sem outra função senão servir de sedativo. Maddy Prior teve a coragem de retomar a temática do lendário cavaleiro inglês, dedicando-lhe uma suite inteira, reservando o restante espaço para “standards” como “Reynardine” e “Lark in the morning”. Quanto ao tema do rei, profusamente analisado à luz de simbolismos vários, insere-se na mesma linha do folk progressivo que os Steeleye Span cultivaram na fase mais recente da sua discografia, com a voz de Maddy multiplicada em polifonias, a electrónica a sobrepor-se às “uillean pipes” de Troy Donockley e a “new age”, da marca Hearts of Space, a aflorar perigosamente nos diversos interlúdios sobre o Graal intitulados “Hallows”. Não é Enya, mas também não faz esquecer o igualmente conceptual “Year”.

Matmos – A Chance To Cut Is A Chance To Cure

04.05.2001
Matmos
A Chance To Cut Is A Chance To Cure
Matador, distri. Zona Música
8/10

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LINK

É o novo álbum dos Matmos, M. C. Schmidt e Drew Daniel, indivíduos de gostos estranhos, filhos de médicos, para quem um dia bem passado é permanecer 24 horas numa sala de operações a gravar o som da carne esquartejada e esturricada. Pode soar a mórbido, mas os resultados justificam os procedimentos – cirúrgicos – utilizados. Em “L.A.S.I.K.”, o som das serras de laser funciona como um “Groove box” para o drum ‘n’ bass mais experimental, a fonética pediátrica de “Spondee” transforma-se em house viciante, os Dat Politics não utilizaram melhor um crânio, em “Memento mori”. Os sons do corpo manipulado pelos bisturis confundem-se com os sons sintéticos do estúdio, num laboratório virtual onde a electricidade e a mecânica moldam os corpos e estes determinam o “corpus” da música. O tratamento é radical, mas no bloco pós-operatório dança-se, sem recurso a anestesia.

Metamatics & Clatterbox – Project Unison

04.05.2001
Metamatics & Clatterbox
Project Unison
Neo Ouija, distri. Symbiose
7/10

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De quando em quando, surgem trabalhos na área da música de dança capazes de captar a atenção dos menos iniciados no género. “Project Unison” é um deles. Se o anterior álbum dos Metamatics (Lee Norris), “Midnight Sun Pig”, soa ao típico objecto de “música a metro” destinado a fazer mexer os músculos nos “dancefloors”, esta colaboração, “fifty fifty”, com David Kempston (Clatterbox) é um gracioso “ballet” de grooves suspensos nas nuvens e microbandas sonoras eivadas de nostalgia. E se as roldanas rítmicas dos Kraftwerk são convenientemente digitalizadas em temas como “Inbetween fields”, é a flutuação das melodias – oscilando entre o cenário de fundo desenhado a filigrana e “zooms” que rompem o minimalismo das programações – que aproxima “Project Unison” da electrónica dos Kreidler. A música de dança pode ser, como aqui, deliciosamente frágil.