Arquivo da Categoria: Country

B. J. Cole – “Transparent Music”

Pop Rock

6 FEVEREIRO 1991

B. J. COLE
Transparent Music

LP, Hannibal, distri. Mundo da Canção

Música delicada e melancólica que faz jus ao título que ostenta. B. J. Cole toca “pedal steel guitar” (“guitarra de aço, de pedal” não soa bem…), instrumento vulgarmente utilizado na música “country” e aqui adaptado a um formato orquestral. Da “country”, B. J. Cole deslizou para oceanos mais serenos, tendo participado no duplo “The Serpent (In the Quicksilver)/Abandoned Cities”, de Harold Budd. “Transparent Music” mantém-se fiel ao estilo daquele pianista: serenas divagações ambientais, de títulos tão belos e evocativos como “Window on the Deep”, “Sun Tear Serenade” e “Ely Cathedral”. Variações sobre temas de Debussy (“Clair de Lune”), Ravel (“Pavane pour une enfant defunte” e Satie (“Gnossiennes”, nº 3 e 5) tornam ainda mais transparente um disco de beleza espectral. Participam, entre outros, o contrabaixista Danny Thompson e o guitarrista de jazz, Ray Russell. ***



Vários – “Country Hits – Volume I” e Country Music Video Magazine [Vídeo]

Pop Rock

20 FEVEREIRO 1991
VÍDEOS

VÁRIOS
Country Hits – Volume I
e Country Music Video Magazine
BMG, Video

ch

“Country music”, a música da América, não é? Pois é. Mas, a julgar por estes dois vídeos sobre a dita música, apetece perguntar: “América, América, para onde vais?” Claro que a culpa não pode ser assacada a uma nação, ainda por cima tão novinha, sem responsabilidades. Aponte-se antes o dedo aos realizadores, sobretudo os responsáveis pelos “clips” da série “Country hits”. As imagens jogam com todos os lugares-comuns típicos do género. Ainda por cima jogam mal. Em cada cinco segundos surgem “close-ups” sobre dedos dedilhando guitarras. Depois, são os chapéus de “cowboy”, casas de campo, estradas sem fim com paragem em bares onde se joga bilhar e se encontra o amor. Elas, Lorrie Morgan, o duo The Judds, Baillie (com os respectivos Boys) e K. T. Oslin são geralmente bonitas (sobretudo os seus cabelos), de pose cândida e voz doce. Vestem quase sempre de branco. Lorrie Morgan, então, exagera: em “Dear me” as imagens, desde o vestido às paredes do quarto, passando pela roupa da cama, têm o colorido de um copo de leite derramado sobre a neve. Eles usam barba rija, vestem-se de “cowboys”, fogem de casa, mas acabam sempre por regressar aos braços delas. Ah, sim, a música… – tem pouco a ver com a “country” genuína. Digamos que se equipara aos “filtros David Hamilton”, profusamente utilizados ao longo de todo o vídeo.
“Country Music Video Magazine” é mais sério e discreto. Como o título indica, resume as actividades “country” de um determinado período, alternando declarações de artistas com excertos raros de concertos ao vivo e mesmo a apresentação crítica de discos. Por aqui passam, entre outros, Dwight Yoakam, K. D. Lang (dissertando sobre a “progressive country music” enquanto faz festas a uma vaca) e os Byrds, estes em imagens de arquivo interpretando “Mr. Tambourine Man” e, na versão actual e anafada, a recordar o mesmo tema. Ambos os vídeos fazem a apologia da brancura. ***



Joni Mitchell – “Shadows And Light”

Pop Rock

13 FEVEREIRO 1991
VÍDEOS

JONI MITCHELL
Shadows and Light

Warner Home Vídeo

jm

Sombras e luz. Cegueira e visão. A imagens iniciais mostram James Dean em frente a uma televisão. Imagens extraídas de “Fúria de Viver” de Nicholas Ray. “Todos os quadros têm sombras e alguma fonte de luz.” Joni Mitchell, recorde-se, desenha e pinta, para além de cantar. Sugere-se um universo pictórico que afinal nunca se chega, neste vídeo, a concretizar.
Filmado e gravado em 1980, “Shadows and Light” centra-se numa actuação ao vivo da cantora canadiana, aqui acompanhada por uma formação de luxo constituída por Pat Metheny (guitarra), Jaco Pastorius (entretanto falecido, baixo), Michael Brecker (saxofone), Don Alias (bateria) e Lyle Mays (teclados).
Ao prazer musical proporcionado pela excelência dos intérpretes e ao reencontro com as palavras que Joni Mitchell, como poucas, tão bem sabe manejar, pouco mais há a acrescentar. Em termos visuais, aparece um coiote a correr desalmadamente pela neve, durante a interpretação de “Coyote”, do álbum “Hejira”. É muito pouco para uma obra (também) visual, da parte de uma mulher perita em mover-se no universo das imagens. Poderá encontrar-se justificação na tentativa de concentrar todas as atenções na música, mas para isso já existem os discos. Resta então apreciar o rosto luminoso e, nessa época, os caracóis da autora de obras fundamentais como “The Hissing of Summer Lawns”, “Don Juan’s Reckless Daughter” e “Mingus”, ilustrativas da fase mais jazzística, seguindo uma linguagem que viria a revelar-se ideal para as sinuosidades e diversidade de registos característicos de uma voz e estilo inconfundíveis. Procure-se aí a luz e sombras a que o título alude. ***

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