Arquivo mensal: Junho 2022

Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #23 – “Electronic News”

#23 – “Electronic News”

Fernando Magalhães
04.10.2001 160402

Circuito ligado.

TARWATER, álbum novo, “Not the Wheel” (n/tenho a certeza se é este o nome…). O que ouvi, gostei. Uma banda desalinhada do pós-rock alemão, entre a pop, electrónica indefinível e dança para mentes retorcidas.

PUB: “Do you ever Regret Pantomime?” (ed. Ampoule). Aqui entramos na “Mysterions land”. Electrónica ambiental, de groove subliminar, por vezes a sugerir os ISO68, outras sugada pelo imenso buraco negro dos STARS OF THE LID.

SENSE: “A View from a Vulnerable Land” (ed. Neo Ouija) – Mais de 70 minutos de papel de parede electrónico. Sons agradáveis, grooves de cristal, um balanço suave ideal como música de fundo. Muito próximos dos AROVANE.

Agora, o mais importante: Há aqui algum entusiasta pela música do francês RICHARD PINHAS e dos seu grupo HELDON?
Vem isto a propósito da minha aquisição, ontem, de um disco do Pinhas que me faltava, “Chronolyse”, com três temas inspirados na obra de FC, “Dune”, de Frank Herbert.
Além de uma suite de 7 partes para synth Moog manipulado ao vivo, inclui os 30m22 de “Paul Artreides”, um vulcão de electrónica, baixo magmático e guitarra demoníaca.

A música de Richard Pinhas, deste álbum, como também de “Rhizosprère” ou “Iceland”, cruza o “space rock” cósmico dos Tangerine Dream com a energia dos King Crimson. Pinhas é um discípulo assumido de Robert Fripp.

Quanto aos HELDON, só ouvindo, um álbum “monstruoso”, de electrónica incandescente, como “Un Rêve Sans Conséquence Spécial”. Free electronics, Synths analógicos soando em toda a sua glória, sequenciações de chumbo, alucinações sónicas de toda a espécie. A descobrir urgentemente.

FM

Elton John – “E Não Se Pode Exterminá-lo?” (televisão)

PÚBLICO SEGUNDA-FEIRA, 29 JULHO 1990 >> Local

RTP


E não se pode exterminá-lo?

A PERSONAGEM não prima pela discrição. A sua noção de bom-gosto é pintar o cabelo de cor-de-rosa, vestir-se de palhaço e usar óculos de enormes aros verde-alface. E (vá lá compreender-se os artistas…) quando começou a cantar e a tocar piano, Elton John (de seu verdadeiro nome Reginald Kenneth Dwight) até tinha uma certa dignidade, compondo românticas e respeitáveis canções como “Your Song”. Calcule-se que chegou a ser um estudioso dos “blues” e que tirou o nome artístico do saxofonista dos insuspeitos Soft Machine, Elton Dean. Vem de longe a sua associação com o letrista Bernie Taupin, da qual resultaram alguns bons discos. “Elton John”, “Tumbleweed Connection” e “Madman Across the Water” não chocam nem envergonham os ouvidos sensíveis. Depois é que foram elas!… O estrelato subiu-lhe à cabeça e transformou-se em atração circense. Tomou-se por um Liberace de trazer por casa e foi um ver-se-te-avias de adereços, pó-de-arroz e vestimentas espalhafatosas. Passou a tocar piano com os pés e a cantar desavergonhadamente canções cada vez mais pirosas. Passou as suas habilidades para o cinema na figura de “Pinball Wizard”, no filme “Tommy”, desse outro famoso palhaço que é Ken Russell. O título de uma das suas canções, “Too Low for Zero” aplica-se-lhe na perfeição.
Canal 1, às 14h45

Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #22 – “Laurindinha (pohzumano)”

#22 – “Laurindinha (pohzumano)”

pohzumano
03.10.2001 150359
TELEX
Ei-lo finalmente! o novo Life on a String de Sua Alteza Suprema Mrs. Reed, aka Laurie Anderson

Um cruzamento entre Bright Red e Strange Angels. Soa-me obrigatório. Musicalmente redentor. Violino dominador e deliciosamente soturno. Primeiro tema belíssimo nomeado: Statue Of Liberty. Textos continuam excelentes. Capa brilhante – blame it on Nonesuch?

Tragam-na cá!!! Faça-se abaixo assinado.

Fernando Magalhães
03.10.2001 170524

A Laurie Anderson já actuou em Portugal pelo menos duas vezes.
Numa delas, fez a 1ª parte do B*B Dylan, no Pavilhão de Cascais. Soou despropositado e fora do contexto. Do que me lembro, praticamente só tocou violino (um modelo luminoso) e cantou. Parecia um ensaio.

Na 2ª vez, a coisa mudou de figura. Espectáculo Multimédia total a fazer jus à música e “visuals” da senhora. Foi no Coliseu, se não estou em erro.

Ah, sim, já tinha cá estado, muitos anos antes, no Forum Picoas, para apresentar uma performance/vídeo qualquer. Não fui dessa vez.

Quanto a “Life on a String”, ainda só ouvi uma vez e muito por alto. Pareceu-me LA “average”, com mais insistência nas cordas e, em particular, no seu violino ultra-amplificado. mas a estrutura das canções permanece exactamente a mesma.

Continuo a achar que os melhores álbuns dela são o da estreia, “Big Science”, “Home of the Brave” e, principalmente, a obra-prima “Strange Angels”.

saudações

FM